Curar e transformar

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Há dias algo me incomodava ao assistir as notícias sobre a trágica morte da vereadora carioca Marielle Franco. Claro que, por si só, os tiros covardes disparados contra esta honrada cidadã que fez de sua difícil estória de vida um libelo e exemplo de força de uma brasileira favelada, pobre e negra, já incomodaria qualquer um com certo discernimento de que tirar uma vida, qualquer que seja, é um ato covarde e menor. Escondido atrás de um insulfilme mais torpe e asqueroso o é. 

Fato de minha estupefação, por me considerar uma pessoa informada, foi constatar tristemente que não conhecia a vida, o trabalho e as convicções da vereadora Marielle. Onde estava esse missivista quando esta mulher começou sua luta pelos Direitos Humanos? Por onde eu andava quando essa moça ganhou uma cadeira na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro aclamada com mais de 46 mil votos? O que eu lia em jornais e páginas e páginas da internet com fatos e notícias? Diria alguém em minha ajuda: Você mora em Niterói, vota aí deste lado da Baía por isso não a conhecia. Será? Resposta negativa. Marielle e seu trabalho deveriam ser ditos e ouvidos para além mar. Sua retórica deve ser difundida e observada com atenção, para longe do Rio de Janeiro. 

Marielle e sua luta não eram notícia. Ou, para não ser injusto, era pouca notícia! Sua prematura morte foi notícia, muita notícia. Ai sim, esse incauto aqui, tomou conhecimento da grandeza dessa Mulher. Ainda bem, mas que pena só agora... 

A democracia e este País só sobreviverão com o trabalho sério e de formiguinha feito por essa gente, defensora das minorias e com ética, muita ética. Sua sociologia e suas lutas hão de ecoar para formação de um verdadeiro Estado Democrático de Direito. Sua morte tem que servir à mudança.  Chegada a hora de dizer basta a Cabrais e Cunhas. A filosofia do político velhaco que representa o que há de mais sujo na política tem que ceder lugar a tantas “Marielles” que fazem de seu labor um jubilo a ética e decência. Eu preciso, nós precisamos enxergar as “Marielles” em todos os rincões desse Brasil. 

O Estado, lato sensu, precisa de cura e transformação. Procuremos! Só espero que não seja tarde como minha descoberta de Marielle Franco, que somente se deu após os tiros covardes desferidos contra essa Mulher. 

Termino lembrando as palavras do escritor budista Thich Nhat Hanh que disse: “Nada existe por si só. Todos nós pertencemos uns aos outros; não podemos cortar a realidade em pedaços. Minha felicidade é a sua felicidade; meu sofrimento é o seu sofrimento. Nós nos curamos e nos transformamos juntos.” 

Curar e transformar! Achemos essas pessoas juntos e esqueçamos o resto podre e medíocre! Por um País melhor. 

#mariellepresente