Confirmada em Niterói primeira morte de macaco por febre amarela

Niterói
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A Secretaria Estadual de Saúde (SES) divulgou nesta quarta-feira (17) um Boletim Epidemiológico, que confirma a morte de um macaco diagnosticado com febre amarela em Niterói. O animal passou por análises na Fiocruz, onde um laudo apontou como causa a epizootia, conceito utilizado para referir-se a uma enfermidade contagiosa encontrada em animais.  Esta é a primeira morte de macaco vítima da doença confirmada pela SES no estado do Rio, em 2018. O local onde o macaco foi encontrado não foi divulgado.

No boletim, a Subsecretaria de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde informou que até o momento foram registrados cinco casos de febre amarela em humanos no Rio de Janeiro. Na cidade de Teresópolis dois casos foram confirmados, sendo um vítima fatal. No município de Valença, ocorreram dois óbitos e três casos foram diagnosticados. 

Em nota, a SES ressaltou que os macacos não são responsáveis pela transmissão da febre amarela, uma vez que a doença é transmitida através da picada de mosquitos. Os macacos avisam com a própria vida por onde o vírus circula. O órgão também orientou que os cidadãos devem procurar as secretarias de Saúde do município ou do estado ao encontrarem macacos mortos ou doentes, que apresentem comportamento anormal ou movimentos lentos.

Vacinação – O Dia D de vacinação contra a febre amarela, antes marcado para fevereiro, foi antecipado para o próximo dia 27 de janeiro. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), todos os 92 municípios do Rio participam da iniciativa que tem o objetivo de chamar a atenção sobre a importância de se imunizar. Ainda de acordo com a secretaria, a campanha de fracionamento da vacina continua marcada para o período entre os dias 19 de fevereiro e 9 de março, e não há, por enquanto, previsão para ser antecipada. Em Niterói e São Gonçalo, apesar de não ter sido registrado nenhum caso suspeito da doença, a procura pela vacinação tem lotado postos de ambos os municípios. 

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, até o momento, cerca de 46% do público-alvo da campanha está vacinado. 

Em Niterói, a vacinação contra a febre amarela faz parte do calendário de imunizações da cidade e está disponível em 38 pontos. Segundo a prefeitura, houve aumento pela procura da vacina nos últimos dias, mas o município possui doses da vacina em estoque e abastece as unidades de acordo com a necessidade. Sobre o dia D, a prefeitura informou que a Fundação Municipal de Saúde está definindo a estratégia de vacinação para este dia.

Em São Gonçalo, há vacina em 18 unidades básicas de saúde, atendendo entre 8h e 16h. A de maior procura é o Polo Sanitário Washington Luiz, no Zé Garoto, que registrou apenas na segunda-feira (15), mil imunizações. Nesta quarta, a fila de pacientes à procura da imunização no posto começou a partir das 5h30. Às 7h, 1h antes de o posto abrir, a calçada já estava tomada de gente esperando. A aposentada Marta Loureiro, 60 anos, chegou ao local às 9h, e às 10h40 ainda não estava perto de ser vacinada.

“Imaginei que a procura fosse ser grande, pois ninguém quer ficar doente. É uma doença séria, precisa de atenção e proteção. Não sabia que durante o ano também estava tendo vacina, soube apenas após o surto, uma pena a falta de campanhas diárias”, opinou, completando que seria mais efetivo se a fila fosse dividida para a prioridade de idosos e crianças que precisam aguardar no sol durante bastante tempo. 

A Prefeitura de São Gonçalo informou que a procura pela vacina voltou a lotar as unidades de saúde da cidade, e que o município terá 70 unidades durante o Dia D.


Cariocas enfrentam longas filas

Na manhã desta quarta-feira, os moradores da cidade do Rio de Janeiro enfrentaram longas filas para tomar a vacina contra a febre amarela, depois da confirmação de quatro casos em pessoas no Estado este ano, com três óbitos. Os casos foram registrados em Valença, no centro-sul do Estado, e em Teresópolis, na região serrana.

No Centro Especial de Vacinação Dr. Álvaro Aguiar, na Cinelândia, região central da cidade, por volta de 9h a fila dobrava o quarteirão com cerca de 400 pessoas aguardando. A administradora Verônica Vargas tinha chegado às 6h30 e andado poucos metros na fila. Ela reclamou que muita gente entrou na fila alegando prioridade, porém sem ser prioridade.

“Vou viajar para Minas [Gerais], que é um lugar que está com foco. É muito importante vacinar até para não piorar e virar uma epidemia. Eu nunca tomei, se não nem precisaria, né? Porque quem tomou uma dose não precisa tomar”.

Já no Centro Municipal de Saúde Heitor Beltrão, na Tijuca, às 9h30 a fila já estava menor, uma vez que as 400 senhas disponíveis para vacinação hoje já haviam sido distribuídas. O militar Weverton de Souza chegou às 6h45 e conseguiu uma das últimas senhas, a de número 395.

“É a primeira vez que estou tomando a vacina”, disse, mostrando preocupação com notícias da morte de macacos no Estado. “É melhor se preparar para isso logo, né?” 

Saúde – Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), cada posto de vacinação tem autonomia para determinar quantas doses serão aplicadas por dia, seguindo critérios técnicos e de acordo com a capacidade de atendimento de cada unidade. A secretaria lembrou que a vacina esteve disponível em todos os 232 centros da rede durante todo o ano de 2017, mas a procura foi muito baixa a partir de março.

“A Superintendência de Vigilância em Saúde lembra que a vacina contra a febre amarela esteve disponível para a população durante todo o ano passado mas, infelizmente, com o fim das notícias sobre casos da doença, as pessoas foram deixando de procurar a vacina”, disse a Superintendência em nota. 

Suspeita – Morreu na tarde desta quarta-feira o adolescente Luiz Fernando Valente Rodrigues, de 17 anos, que estava internado no Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF), no Rio de Janeiro, com suspeita de febre amarela. 

A morte cerebral do jovem tinha sido constatada na segunda-feira (15) e o óbito foi confirmado nesta quarta.

O adolescente deu entrada no hospital na noite da última quinta-feira (12) com suspeita de febre amarela e desenvolveu um quadro de hepatite fulminante que levou a um edema e hemorragia cerebral. A suspeita de febre amarela ainda não foi confirmada. 

De acordo com boletim epidemiológico mais recente do Ministério da Saúde, o Estado do Rio de Janeiro tem três casos confirmados da doença, com uma morte.


Com Carolina Ribeiro