NITERÓI/RJ
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Crescimento à vista em Niterói

Prefeitura de Niterói promete investir em parcerias para atrair investimentos para a cidade e, com isso, aumentar a arrecadação do município em 20%. A previsão é de que sejam atraídos investimentos entre R$ 80 milhões e R$ 300 milhões

Foto: Douglas Macedo

Um dos desafios de Niterói para 2018 é aumentar a arrecadação sem mexer no bolso do contribuinte. Apesar da tarefa difícil, o município trabalha para isso e o prognóstico é bom. Para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Indústria Naval de Niterói, a expectativa de crescimento é de 20% em comparação com 2017. Para isso, a pasta aposta em parcerias para atrair investimentos.

“Niterói, definitivamente, está sendo um bom lugar para se investir. Por conta disso, estamos trabalhando em diversas frentes com o objetivo de atrair empresas de diversos setores”, disse o secretário Luís Paulino.

Entre esses setores está o de Saúde. Assim como estão em andamento as obras do Complexo Hospitalar de Niterói, cujo investimento gira na ordem de R$ 100 milhões, Luís Paulino afirmou que pretende atrair outros hospitais para a cidade e transformar o município em referência no Estado.

“O prefeito Rodrigo Neves já têm audiências marcadas com pelo menos quatro grandes empresas do setor que estão dispostas a investir pesado em Niterói. Isso é muito bom. Isso mostra o quanto Niterói está sendo visado. Temos certeza de que 2018 será um ano bom para a Saúde em nosso município”, prevê Paulino.

O caminho apontado pelo secretário é o contrato firmado entre o município e a Rio Negócios, que juntos fundaram o Nit Negócios. A previsão é de que o município possa atrair investimentos entre R$ 80 milhões e R$ 300 milhões, gerando cerca de mil empregos diretos a cada ano de convênio. Para conectar Niterói com possíveis investidores, estão previstas 300 rodadas de negociações até 2018 e o recebimento de 12 delegações internacionais. 

“A nova agência de fomento vai aproveitar o potencial de Niterói em setores como a indústria imobiliária e de construção civil, energia, indústria naval e entretenimento para atender a uma vasta carteira de clientes. Com a parceria entre esses novos investidores e os empresários de Niterói, teremos a consolidação do perfil empreendedor e do incentivo a novos negócios desenvolvido nos últimos anos”, avaliou o secretário.

Vocação – Outro ponto abordado por Paulino é que todas as secretarias da Prefeitura de Niterói, a pedido do prefeito Rodrigo Neves, vão trabalhar para fortalecer e expandir os segmentos para os quais o município está vocacionado, como turismo, gastronomia, petróleo e gás, tecnologia, indústria imobiliária e construção civil.

“A Nit Negócios vai possibilitar o gerenciamento de cerca de sete mil empresas num cadastro de clientes de mais de 30 países, que poderão gerar negócios e atrair mais investidores, emprego e renda para a cidade. Vamos continuar nesse caminho, mas tendo uma gerência de negócios para captar investimentos e ajudar a gerar emprego e renda para a cidade”, finalizou Paulino. n

Ano de copa costuma movimentar comércio de artigos relacionados

Foto: Arquivo / Júlio Silva

Comércio aposta na Copa, eleição e fim de feriado  

O setor lojista em Niterói terá dois motivos para comemorar em 2018. Isso por conta da Copa do Mundo, em junho, e das eleições, em outubro. Para o Sindicato dos Lojistas de Niterói (Sindilojas) e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), a expectativa de vendas para o próximo ano será aquecida com esses dois períodos, em que a cidade estima elevar a arrecadação, sobretudo por conta dos serviços. Mas apesar de acreditarem na recuperação, se comparada com 2017, a retomada será pequena, em torno de 5%, estimam.

"Entre os fatores que motivarão o crescimento estão o período eleitoral, com perspectivas dos serviços no período movimentarem as vendas, especialmente em publicidade e marketing e na contratação de temporários. E a Copa do Mundo, quando as empresas que trabalham com o segmento de esportes, por exemplo, terão excelentes oportunidades”, prevê o presidente da CDL de Niterói, Luiz Vieira.

Apesar da perspectiva, Luiz acredita que alguns fatores ainda dificultam a retomada do comércio, como a falta de planejamento. Para isso, a entidade aposta em mudanças.

“Acreditar em um cenário melhor não é o bastante, precisamos buscar alternativas para melhorar a performance do comércio e é isso que vamos propor nos próximos dias, quando apresentarmos nosso planejamento estratégico, onde estão definidas várias ações, como campanhas em datas comemorativas, workshops, capacitação de gestores e empregados, concursos e premiações. Tudo isso seguindo as sugestões dos nossos associados e em parceria com a população”, reforçou.

Já para Charbel Tauil, presidente do Sindilojas, as recentes propostas adotadas pelo Governo Federal indicam uma retomada lenta do setor.

“Nós do Sindilojas Niterói acreditamos num 2018 um pouco melhor que 2017, uma vez que há indicativos de que o país está de fato conseguindo se recuperar, ainda que lentamente. Temos a favor os juros em queda, o controle da inflação e a recente aprovação da reforma trabalhista, que era há muito aguardada. Por outro lado, o crédito ainda se encontra muito restrito, o que emperra bastante a dinâmica do comércio e dos serviços. Outros dois complicadores para 2018 serão a Copa do Mundo e as eleições, duas situações que sabidamente alteram a rotina da sociedade de uma maneira geral”, disse Charbel Tauil.

Charbel também comemorou a aprovação do projeto de lei dos vereadores Bruno Lessa e Bira Marques, que transforma a data 22 de novembro apenas em aniversário da cidade e não feriado municipal.

“Com o fim do feriado do dia 22, o comércio de Niterói deverá ter uma melhoria da ordem de 25% a 30% no movimento de vendas nos futuros meses de novembro”, comemora Charbel, lembrando que o projeto depende apenas da sanção do prefeito Rodrigo Neves.

Gragoatá foi um dos bairros da cidade que mais se valorizaram em 2017

Foto: Divulgação

Região Oceânica é aposta do mercado imobiliário  

Um dos setores que mais crescem em Niterói é o imobiliário. Apesar dos números em 2017 apontarem para queda em todo o Estado, com oscilações ao longo do ano, o município pode fechar a conta no azul. Isso porque de janeiro a setembro deste ano os apartamentos, por exemplo, tiveram queda de 8% no preço da venda no Estado, enquanto Niterói teve queda de apenas 5%. 

O município também viu a valorização dos imóveis em bairros como Gragoatá, Itacoatiara e São Francisco, com valorizações acima de 3% no ano. Camboinhas fechou o ano com variação acima de 6%.

Para especialistas no setor, a arrecadação de royalties vai possibilitar o reaquecimento do mercado na cidade.

“Niterói não tem grandes lançamentos desde 2015. Com os investimentos que o município terá e respeitando o planejamento estratégico e o plano urbanístico, acreditamos que teremos um 2018 com boas expectativas de construções, sobretudo na Região Oceânica, que está em crescimento”, pontuou o engenheiro civil Marcos Lobato, da Universidade Federal Fluminense. 

A Região Oceânica também gera boas expectativas no cientista político César Vendramini, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj): “Diversos fatores contribuem para o crescimento na Região Oceânica, como o túnel que liga Charitas ao Cafubá e as obras da TransOceânica. É uma tendência de crescimento, já que a Zona Sul de Niterói tem bairros com poucas opções de construções”, avaliou o especialista.

Dragagem do Canal de São Lourenço também deve contribuir para o setor

Foto: Evelen Gouvêa

Petrobras deve projetar setor naval 

O secretário de Desenvolvimento Econômico e Indústria Naval, Luís Paulino Moreira Leite, acredita que Niterói voltará a figurar entre as principais potências do setor naval no País. Isso porque, em 2018, o município vai arrecadar cerca de R$ 200 milhões de Imposto Sobre Serviço (ISS) apenas da Petrobras por causa da retomada, já no segundo semestre, das obras do Complexo Petroquímico do Estado (Comperj). 

“Por conta disso, nosso objetivo é investir em duas frentes: a primeira é no desassoreamento do Canal de São Lourenço, um grande passo para a retomada do setor naval. Precisamos apenas das licenças ambientais, que já estão sendo providenciadas. Outro ponto importante é o investimento que faremos na Pesca Industrial, que sempre foi o forte em Niterói. Nosso objetivo é terminar o Porto Pesqueiro já no segundo semestre de 2018, mas tudo depende da dragagem do Canal de São Lourenço”, contou Luís.

Outro ponto importante para o município é o acordo de cooperação entre Niterói e França, que vai possibilitar investimentos no segundo semestre de 2018. Isso porque a petroleira Total - uma das maiores do mundo - adquiriu o direito de explorar pré-sal na Bacia de Libra, que fica próximo de Niterói e Maricá.

“Isso vai gerar muita mão de obra local, sobretudo especializada. Além disso, queremos nossos estaleiros produzindo novamente e a retomada das produções da Petrobras vão ser determinantes para Niterói”, aposta Luís Paulino.




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