NITERÓI/RJ
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Estudo traça perfil do ciclista brasileiro

Os primeiros resultados divulgados da pesquisa “Perfil do Ciclista Brasileiro”, realizada pela organização Transporte Ativo em dez cidades do país, apontam Niterói como a segunda cidade onde os ciclistas fazem mais integração com outros meios de transporte. Com 41,7%, o município fica atrás apenas de Brasília (51,7%) e ganha do Rio de Janeiro, que aparece na terceira posição (34,5%). Os dados são preliminares e, segundo o Programa Niterói de Bicicleta, a cidade ainda está cotada como a que tem mais ciclistas mulheres.

Para o vice-prefeito, Axel Grael, que está diretamente envolvido nessa questão do ciclismo e da mobilidade urbana, esse resultado é fruto de muito trabalho e do desenvolvimento de ações que visam dar infraestrutura para os usuários de bicicletas e os outros meios de transporte não motorizados. Ele ressalta que com o túnel Charitas-Cafubá a ligação entre as regiões da cidade ficará ainda maior, já que nos dois sentidos serão implantadas ciclovias. “Nós estabelecemos a bicicleta como uma prioridade e implantamos o programa Niterói de Bicicleta. O município realmente tem uma vocação muito grande para o uso desse transporte. Nós reparamos isso na resposta dada através da ocupação, do uso, de todos os equipamentos implantados na cidade. No quesito infraestrutura, vamos implantar agora o bicicletário nas barcas e com as ciclovias do túnel Charitas-Cafubá vamos ter um trajeto plano de Itacoatiara até o Barreto”, destaca Axel.

Entre todos os entrevistados, 47,1% responderam que utilizam a bicicleta em combinação com outro meio de transporte em algum de seus trajetos. Sabendo disso, essa colocação da cidade pode ser explicada pelo favorecimento do relevo, com curtas distâncias entre a maioria dos bairros e terreno pouco acidentado, com exceção apenas da Região de Pendotiba, e pelo grande fluxo de pessoas que utilizam a bicicleta para fazer integração com as barcas. “Existe um fluxo muito grande de pessoas que trabalham no Rio e moram em Niterói, então esse dado favorável nós já esperávamos. E com a possibilidade de ir de bicicleta na embarcação sem a cobrança de taxa extra muito mais gente está optando por essa integração. Isso é positivo para os ciclistas e para a cidade”, explica Isabela Ledo, diretora do programa Niterói de Bicicleta.

Pelo programa, Isabela ainda apresenta outro dado muito interessante, que o município é o que tem mais mulheres ciclistas. “Niterói é a cidade que tem mais mulheres pedalando. Esses são dados que mostram que as ciclovias, mesmo ainda tendo alguns problemas estruturais, favorecem a segurança. Isso significa que a infraestrutura oferecida permite que cada vez mais pessoas optem pela bicicleta”, conta Isabela.

O estudo, de acordo com o diretor geral da Transporte Ativo e coordenador nacional da pesquisa sobre perfis, José Lobo, foi realizado nas cidades de Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói, Belo Horizonte, Salvador, Aracaju, Recife, Manaus e Brasília e contou com mais de cinco mil pessoas entrevistadas. Em Niterói, a organização contou com a parceria da Prourbe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Observatório das Metrópoles, como suporte técnico, além da participação dos grupos Mobilidade Niterói, representando a sociedade civil, e Niterói de Bicicleta, pelo poder público.

O projeto foi inciado em março, com finalização das entrevistas na semana passada, e será publicado no final de novembro. Entre as informações coletas nas dez cidades também ficou demonstrado que cerca de 27,6% das pessoas utilizam a bicicleta pelo menos cinco dias na semana; que 14,9% dos ciclistas estiveram envolvidos em algum acidente de trânsito enquanto pedalavam; e que o maior número de pessoas que optam pela utilização desse modal (33,4%) estão na faixa entre 25 e 34 anos.

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