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Huap nega informações sobre vistoria realizada pelo Cremerj

O superintendente do Hospital Universitário Antonio Pedro (Huap), Tarcisio Rivello, disse que aumentou em 12% o número de leitos ativos na unidade entre 2016 e 2018. A declaração  vai na contramão do constatado pela fiscalização do Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj), que encontrou apenas 65% dos leitos da unidade disponíveis e informou que o hospital enfrenta uma superlotação, com pessoas internadas nos corredores.  

Segundo a equipe de fiscalização do Conselho, que vistoriou o Antonio Pedro na última quarta-feira, 100 dos 290 leitos estão bloqueados. A vistoria foi acompanhada pela diretora Rafaella Leal e o defensor público da União Bernard dos Reis Alô.  

Rivello negou a informação de que, dos 16 leitos de CTI, seis estão bloqueados e três são ocupados por pacientes de tratamento prolongado. De acordo com o superintendente do hospital, entre 2016 e 2018, a produção ambulatorial cresceu 12%, as internações tiveram um aumento de 14% e os procedimentos cirúrgicos aumentaram 71%.  

“De fato, o CTI tem capacidade de 16 leitos e este espaço está em obra. Os 10 leitos ativos estão hoje funcionando em um espaço da expansão do CTI”, rebateu Tarcisio.  

Sobre a observação do Cremerj de que apenas três dos 10 leitos disponíveis estarem sendo usados na Unidade Coronariana, Rivello disse que o setor tem sete leitos ativos, que também recebem pacientes de cirurgias cardíacas, angioplastias, entre outros.  

“É uma falha grave considerar que o número de leitos em funcionamento na Unidade Intensiva Neonatal: ‘só dois dos oitos leitos funcionam’. O Antonio Pedro, na sua Unidade Intensiva Neonatal, comporta 10 leitos de Unidade Intermediária, seis leitos de UTI e quatro que utilizam o método ‘canguru’”, declara o superintende, contestando a vistoria do Cremerj.  

A superlotação – fiscalização encontrou pacientes internados nos corredores - foi justificada pelo gestor pela “falta de leitos no SUS de porta de saída para os pacientes oncológicos, fora de possibilidade terapêutica e em cuidados paliativos” que, segundo ele, resulta na emergência lotada.  

De acordo com o Cremerj, no momento da vistoria, havia pacientes graves internados, atendidos por médicos não especializados em medicina intensiva. Rivello, no entanto, disse que a legislação não exige titulação em terapia intensiva para atuar neste setor.  

“Ainda assim, ressaltamos que toda a equipe do setor de emergência tem larga experiência neste tipo de atendimento”, informou Tarcisio. 

O Conselho também disse que faltam anestesistas e informou que a própria direção da unidade concordou. Mas, nesta sexta-feira (22), Rivello contestou a afirmação do Cremerj sobre a estrutura com apenas quatro profissionais da área.  

“Na verdade, o quadro é composto por 34 profissionais médicos anestesistas. Além disso, este profissional atua não apenas nas cirurgias, como também são solicitados em procedimentos tais como: endoscopias, exames de ressonâncias magnéticas, entre outros”, justificou.  

Durante a vistoria, a equipe do Cremerj ainda disse ter sido hostilizada por Tarcisio Rivello e pelo diretor médico, Roberto Carlos Barcello. Segundo o Conselho, eles se negaram a repassar alguns dados. 

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