Jurujuba poderá ser o 1º bairro de Niterói a erradicar a dengue

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Pesquisas mostram que 100% dos mosquitos do bairro apresentam a bactéria Wolbachia, que os torna incapazes de transmitir a doença

Foto: Evelen Gouvêa

Jurujuba pode ser o primeiro bairro de Nitetói a erradicar as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como a dengue, zika e chikungunya. A última leitura do índice da população do mosquito no bairro mostrou que 100% deles já possui a bactéria Wolbachia, que os torna inofensivos, sem capacidade de transmitir as doenças. A análise foi feita no dia 31 de dezembro pelo projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil (ED Brasil), desenvolvido pela Fiocruz, que atestou o sucesso da iniciativa. Porém, segundo a Fiocruz, apenas em 2021, com a realização de comparativos ano após ano, se poderá afirmar que  as doenças foram realmente erradicadas. 

A liberação de Aedes aegypti com Wolbachia em Jurujuba, bairro escolhido para implementação do projeto piloto,  começou em agosto de 2015. A metodologia consiste na inoculação da bactéria Wolbachia, retirada da mosca da fruta, no ovo do Aedes aegypti, para que desta forma o inseto se desenvolva com a bactéria no seu organismo de forma intracelular.

O projeto propõe a liberação dos mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia em uma área por um determinado período de tempo, proporcionado a substituição gradual da população de mosquitos Aedes aegypti de campo pelos mosquitos com a bactéria. Esta substituição ocorre mediante o cruzamento entre eles, com a transmissão da bactéria pela fêmea aos seus filhotes. Desta forma, o método torna-se autossustentável, uma vez que naturalmente a bactéria vai se perpetuar nas gerações futuras dos mosquitos.

Depois de Jurujuba, outros bairros já receberam os mosquitos com Wolbachia: Charitas, Preventório, São Francisco, Grota, Cabubá, Camboinhas, Itacoatiara, Jacaré, Jardim Imbuí, Piratininga, Santo Antônio, Engenho do Mato, Itaipu, Maravista e Serra Grande. Desde o último dia 21 de novembro o trabalho está sendo realizado na região central de Niterói e entorno, num total de 13 bairros: Ingá, Icaraí, Centro, Gragoatá, Boa Viagem, Fátima, Morro do Estado, Pé Pequeno, Ponta D’Areia, Santa Rosa, São Domingos, Viradouro e Vital Brasil. A área atual reúne 178 mil moradores.

Os mosquitos capturados nas armadilhas são recolhidos semanalmente e analisados em laboratório, com técnicas de biologia molecular, o que permite identificar a porcentagem de Aedes aegypti aliados no combate às doenças em cada região. Toda semana, técnicos do ED Brasil e agentes de vigilância da prefeitura coletam os mosquitos capturados pela armadilha. 

Barris, tonéis e caixas d’água a céu aberto preocupam vizinhos, que temem por focos do mosquito transmissor da dengue e de outras doenças

Foto: Evelen Gouvêa

Em Icaraí, moradores denunciam possíveis focos

Um terreno tem preocupado moradores da Rua Dom Bosco, em Icaraí, na Zona Sul de Niterói. Isso porque o local virou depósito de barris, tonéis e caixas d’água que, em épocas de chuva, segundo vizinhos, podem virar foco de proliferação de mosquitos. O medo é que os bolsões de água parada também aumentem a incidência do Aedes aegypti, causador de doenças da dengue, febre amarela, Zika e Chikungunya. Segundo moradores da região, o terreno seria de uma construtora de imóveis.
De acordo com a cabelereira Eluisa Maria da Silva, de 66 anos, que trabalha em uma casa próxima, o terreno  foi vendido, assim como as outras duas residências ao lado, para uma construtora que faria um prédio no local. Mas por conta de uma disputa jurídica que já dura alguns anos, uma das casas ainda se mantém ocupada e o terreno em questão teve a residência derrubada, se tornando um depósito de materiais da empresa.

“Normalmente fica um vigia por aqui tomando conta do local e dos cachorros, e uma equipe da construtora vem esporadicamente para pegar alguns materiais. Nosso medo é de doenças, pois está tudo virado para cima, acumulando água”, relatou.

Morador da região há anos, o músico Rafael Dias Carnavale, de 33, vizinho do terreno, também está com medo de que seus dois filhos - um recém nascido - fiquem doentes. Segundo ele, outra questão é que quando a equipe de funcionários da empresa aparece no local, por volta de 5h, o barulho acorda os moradores.

“Sempre que chove nos preocupa. Já tentamos denunciar a questão dos mosquitos e das mais de 100 tinas com água parada e nada. Além disso, encosta caminhão e carro para recolher os barris, mas não há respeito, é muito barulho. Esperamos uma solução”, declarou.

Quem também sofre com o mau uso do terreno são os moradores do prédio atrás do local, na Rua Vital Brasil Filho. Segundo o síndico Rogério Leite da Silva, o material fica próximo ao muro de ambos os residenciais, causando infiltração no condomínio.

“Já estamos nesta situação há mais de dois anos. Chamamos diversas empresas para realizar um orçamento do muro prejudicado, mas não adianta, pois o que precisamos é que os barris sejam retirados. Sem falar do número de mosquitos, que aumentou”, comentou, acrescentando que os moradores ainda não conseguiram contato com o responsável pelo terreno.

A Prefeitura de Niterói informou que uma vistoria no  local está no cronograma do Centro de Controle de Zoonoses e será realizada em breve. Os responsáveis pelo terreno em questão não foram divulgados. 

Municípios intensificam combate

De acordo com a Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde, em 2017, até 4 de dezembro, foram registrados 9.983 casos suspeitos de dengue, 2.399 de zika e 4.106 chikungunya. A Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Niterói está reforçando os trabalhos para diminuir a transmissão das doenças. De acordo com a secretária municipal de Saúde, Maria Célia Vasconcellos, os índices são satisfatórios.

“Segundo o último Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), divulgado pelo Ministério da Saúde, Niterói tem índice 0.9% de infestação de criadouros, o que é considerado satisfatório. Isso indica baixo risco de surto dessas doenças. Vamos intensificar as ações de combate ainda mais e pedimos que os cidadãos continuem participando”, declarou.

Diariamente os agentes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) realizam fiscalização e vistorias das casas em todas as regiões da cidade, aplicando larvicidas quando necessário, orientando os moradores e distribuindo folhetos e cartazes contendo informações sobre as doenças transmitidas, sintomas e medidas necessárias para evitar a proliferação do Aedes aegypti dentro de casa.

São Gonçalo – Na cidade vizinha, o combate ganhou reforço: o município foi selecionado para um projeto de ação de educação em Saúde Ambiental visando o enfrentamento ao vetor. Dos 59 municípios do Estado que enviaram o projeto, somente 11 foram selecionados e o projeto, que começa a ser realizado em 2018, terá duração de três anos.
“Esse projeto terá o envolvimento das escolas locais, das Unidades da Estratégia de Saúde da Família, ONGs, além da comunidade, com o objetivo de mobilizar a sociedade e suas representações para a adoção de condutas e práticas para o enfrentamento ao Aedes aegypti numa perspectiva de redução de casos”, explica o secretário municipal de Saúde, Dimas Gadelha.

De acordo com o biólogo-sanitarista Adaly Fortunato, os bairros que irão receber as ações foram escolhidos através da quantidade do índice de infestação do mosquito Aedes aegypti e do número de casos notificados.

“OFormar uma cultura de prevenção nas crianças é a maneira mais segura de acabar com os focos do mosquito”, conta Adaly, que também é diretor da Vigilância em Saúde Ambiental.

Itaboraí – Equipes já vêm atuando ao longo do ano, independente da sazonalidade, realizando mutirões em localidades específicas com maior incidência do vetor. De acordo com a prefeitura, o tratamento dos locais com foco do mosquito (com larvicida e eliminação dos depósitos inservíveis) é feito de forma especial em pontos estratégicos (como ferro velhos, borracharias). 

Com Carolina Ribeiro