NITERÓI/RJ
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Número de veículos rebocados em Niterói cresce quase 80%

Estacionamento em passeio é a principal causa das remoções na cidade

Foto: Douglas Macedo

O número de veículos rebocados por estacionamento irregular disparou em Niterói. Segundo dados divulgados pela NitTrans, 4.886 veículos foram rebocados apenas no primeiro semestre de 2017. Esse número é 78% maior do que o registrado no mesmo período de 2016: 2.744. Ao longo de todo o ano de 2016, foram removidos 5.221 veículos, ou seja, apenas 335 a mais do que na primeira metade deste ano. 

De acordo com o relatório da prefeitura, a principal causa das remoções é o estacionamento em passeio (1.341 casos), seguida de estacionamento em locais e horários proibidos pela sinalização (1.271 casos). O presidente da NitTrans, coronel Paulo Afonso, explica que a maioria das ações de remoções, que ocorrem diariamente, é proveniente de denúncias.

“A maioria dessas remoções é solicitada por moradores e comerciantes. São carros parados em frente a garagens e a estabelecimentos comerciais. Justamente por isso, bairros com muito comércio lideram essas estatísticas. Também cresceu muito o número de denúncias sobre estacionamento irregular à noite”, afirma.

O bairro líder em reboques é Icaraí, que já registrou 1.142 remoções esse ano, contemplando 23,3% de todas essas autuações na cidade. Em segundo lugar vem o Centro, com 730 casos. Por sua vez, o Ingá fica em terceiro, com 515 notificações.

Desde janeiro, o número de remoções acompanha uma crescente. Ainda segundo a NitTrans, foram 546 reboques em janeiro, 565 em fevereiro, 438 em março, 591 em abril, 819 em maio e 805 em junho.

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), estacionar em passeio e em locais e horários não permitidos pela sinalização são considerados infrações graves, com aplicação de multa de R$ 195,23, perda de cinco pontos na carteira de habilitação, além de remoção do veículo. 

Irregularidades - As mais de duas mil vagas de estacionamento rotativo nas ruas de Niterói parecem não ser suficientes para atender à demanda dos motoristas, que insistem em estacionar em locais proibidos. Para coibir a prática, agentes de trânsito circulam com apoio de seis reboques, mas não dão conta de tanta irregularidade. 

Uma parte da praça da Concha Acústica, em São Domingos, virou estacionamento e chega a acolher mais de 20 veículos. Alguns são da distribuidora Enel, que tem sede em frente ao local. Os veículos da concessionária acessam a praça pela Rua General Osório. 

A Enel afirma que recebeu autorização prévia da prefeitura para estacionar provisoriamente no local e argumenta que está renovando a frota da companhia e que os carros ficarão no local até o final de julho. Nesse período, estão sendo adaptados com instalação de equipamentos internos de segurança, por exemplo, antes de começarem a circular.
Enquanto isso, demais motoristas desembolsam R$ 3,50 para cada duas horas de estacionamento na região, que tem vagas rotativas administradas pela Niterói Rotativo. 

Em Icaraí, na Rua Lemos Cunha com Avenida Sete de Setembro são as motos de entrega de comércios que usam a calçada como estacionamento. Portador de necessidades especiais, Jair Almeida conta que os veículos ficam parados dos dois lados da calçada. 

“Eles vêm pela calçada na contramão desde a Ary Parreiras, rente às casas. Outro dia, ao sair de casa, quase fui atropelado por uma moto em cima da calçada e na contramão. Já faz seis meses que reclamo”. 

Na Rua Domingues de Sá com a Avenida Roberto Silveira, caminhões estacionam além do trecho que lhes é destinado pela sinalização, entre os números 284 e 374. Segundo moradores, os veículos chegam a ocupar a calçada, impedindo a passagem dos pedestres. 

Na Avenida Jornalista Alberto Francisco Torres, a farra é dos motociclistas. Ao longo da calçada oposta à orla, as motos estacionam aos montes.  

Em Boa Viagem, na Avenida Almirante Benjamin Sodré, veículos costumam ser flagrados estacionados na ciclofaixa, impedindo a passagem de bicicletas. 

No Fonseca, mais exatamente na Rua Lopes da Cunha, os moradores e pedestres reclamam de situação semelhante: transitar pelo passeio com segurança é tarefa quase impossível depois que carros passaram a usar a calçada como estacionamento. 

Também no bairro, as ruas Teixeira de Freitas e São Januário exibem o mesmo cenário de desrespeito.

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