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Niterói abre sua Semana do Meio Ambiente em Jurujuba

Objetivo da iniciativa é manter as águas limpas e acessíveis para todos que venham a ter contato com a orla

Foto: Luciana Carneiro / Divulgação / Prefeitura de Niterói

O único barco que atua removendo lixo flutuante da Baía de Guanabara, parte do Projeto Águas Limpas, que conta com parceria da Águas de Niterói, voltou ao mar nesta segunda-feira (4). O retorno marcou o início da Semana do Meio Ambiente do Projeto Grael e da Prefeitura de Niterói. Durante a semana, serão realizadas diversas ações em benefício do ambiente, como palestras, seminários, plantios de mudas, exposições e um passeio ciclístico pela cidade. O evento de abertura, realizado nesta segunda na sede do Projeto Grael em Jurujuba, na Zona Sul de Niterói, também deu início à comemoração de 20 anos do Instituto. 

Na comemoração, o projeto busca ampliar e dobrar sua eficiência para mais 20 anos, com estimativa de multiplicar os 16 mil jovens que já frequentaram o espaço. A partir da trajetória vivida, o objetivo é obter as águas limpas e acessíveis para todos, deixando os alunos do Instituto como embaixadores da Baía de Guanabara. O símbolo da ação: o barco Cataglop, que remove o lixo flutuante e envia os resíduos para a Clin, responsável por fazer a reciclagem do material. 

Para o secretário executivo municipal Axel Grael, um dos idealizadores do projeto, o resultado de duas décadas mostra que o trabalho desenvolvido nas três vertentes - náutico, profissionalizante e ambiental - está dando certo. Mais de 16 mil alunos já passaram pelo local e o objetivo é dobrar esse número nos próximos 20 anos, aumentando a abrangência e as atividades. 

“Barcos são vistos como algo elitista, mas não precisa ser, pois são ótimos para educar física e engenharia e ainda desenvolver o amor pelo meio ambiente. Aprendemos a identificar vento, maré, clima e a ter uma sensibilidade, que é um passo enorme para a educação ambiental. Além disso, os cursos ensinados no projeto servem para o mercado náutico ou não. É uma oportunidade para que jovens, principalmente os mais humildes, tenham um futuro melhor”, opina. 

O secretário adianta que há conversas entre o projeto e os patrocinadores sobre a possibilidade de ampliação da frota para, pelo menos, mais uma embarcação. Com capacidade para meia tonelada no cesto de coleta de lixo, o barco enche, em média, três vezes o compartimento por dia, entretanto, sua autonomia fica em torno apenas da enseada de Jurujuba. Caso fosse ampliado, o projeto poderia ser direcionado para Icaraí, Boa Viagem e Praia das Flexas.

A experiência de lidar com o lixo flutuante na Baía de Guanabara, a principal atuação do Projeto Grael no meio ambiente, serviu para que a equipe fosse a responsável por atuar na limpeza da Baía de maneira mais ampla na área de competição da Olimpíada em 2016. A crítica de Axel Grael na época era que faltava inteligência na ação, já que analisando os dados de maré, chuva, vento, entre outros, é possível identificar onde o lixo se acumula, tática usada pelo projeto para ampliar sua eficiência. 

A terceira fase do uso do barco, lançada nesta segunda, é intitulada de “Futuro em Águas Limpas”, que traz dois vetores de atuação: operacional e a educação ambiental. Na primeira parte, há a coleta do lixo, a modelagem e previsão de onde o lixo estará, estudo sobre microplástico, utilização de sensores na coleta de dados, drones, geoprocessamento (mapa de coleta de lixo), e monitoramento ambiental, com pesquisas e aquisição de dados. 

“Na educação ambiental, teremos o lançamento do aplicativo ‘Águas Limpas’ provavelmente para outubro, acesso à informação e ao mar para ampliar o conhecimento da população, a popularização da ciência, com projetos de extensão, como por exemplo o barco escola, para que a missão do Grael se concretize na democratização do mar”, explica o coordenador de Meio Ambiente do Projeto Grael, Thiago Marques.

Participante do evento, o Prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, ressaltou a importância do Projeto Grael para a cidade como exemplo de responsabilidade social e consciência ambiental. 

“É uma iniciativa que oferece oportunidade para milhares de jovens, sobretudo os mais humildes, já que o critério do Instituto é de que o aluno esteja estudando, transformando o ensino em horário integral. Tenho certeza que sairemos dessa Semana do Meio Ambiente mais conscientes da importância do meio ambiente”. 

Plantio - De tarde, foi a vez da ação de plantio no Parque Natural Municipal de Niterói (Parnit). Até o domingo (10), seminários, palestras, oficinas, exposições, limpeza de praia e passeio ciclístico vão chamar atenção para a conscientização ambiental e o engajamento com a proteção da natureza. A atividade de plantio, responsável por abrir a Semana, aconteceu no Parnit, uma das áreas dentro dos 22,5 milhões de metros quadrados de áreas protegidas pelo programa Niterói Mais Verde, criado em 2014. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que, em média, existem 123,2 metros quadrados de áreas verdes para cada niteroiense.


Programação - Nesta terça-feira, a partir das 8h, o Projeto Grael (Avenida Carlos Ermelindo Marins, 494, Jurujuba) realiza a mesa Gestão Sustentável da Água e Saneamento para Todos e às 13h, a mesa Água, Produção, Gestão e Conflitos, além da exposição sobre o lixo flutuante da Baía de Guanabara, oficinas de Hidroponia e Pluviômetro. Já às 17h, há um planetário que simulará o céu noturno e diurno e o Clube da Astronomia

Na programação da Prefeitura de Niterói, a partir das 10h30, o Memorial Roberto Silveira, no Caminho Niemeyer, no Centro, recebe um seminário com os temas: Pesca Fantasma, Impacto do lixo na fauna marinha, Projeto Uça, Ressignificando o sentido da palavra lixo e o 8° Fórum Mundial da água 2018. Entre 10 e 12h e entre 14h e 17h, há uma trilha ecológica no Horto Viveiro da UFF, no Campus da Praia Vermelha, na Boa Viagem. O local também recebe a oficina fotografia na natureza. Às 10h30 e às 14h, há o ciclo de palestras em educação ambiental no Auditório Darcy Ribeiro, também no Centro. O Plaza Shopping, no Centro e o Itaipu Multicenter, na Região Oceânica, recebem até domingo, uma exposição de energia fotovoltaica/eólica, mobiliário e livros reciclados pela Clin, além de distribuição de mudas pela companhia.

 
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