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O Dom do Espírito

Naquele domingo, de manhã cedo, ainda em trevas, Madalena vai ao túmulo, possuída pela certeza da morte, e nem se dá conta de que o dia já amanheceu. Vai visitar o túmulo de coração apertado. Busca o doador da vida como cadáver. Encontra a pedra retirada, mas nada entende. Sequer percebe que o túmulo se encontra num jardim, lugar de vida.

“Tiraram o meu Senhor do sepulcro e não sabemos aonde o colocaram!”

É um estado de alma ainda em trevas. Um lado dela a informa que tudo acabou: Não sabemos onde O colocaram! Outro lado, não a deixa sair dali; ela se inclina e olha para dentro do sepulcro. 

Mas só vê o vazio: a pedra permanece dentro dele. Enquanto olhar nessa direção, só irá enxergar a pedra. Tanto que quando Ele chega, ela não O reconhece. Se estivesse deitado, morto, talvez, O reconhecesse.  Mas não O reconhece de pé, vivo. Só reconhecemos o que já conhecemos. 

A notícia de Madalena não libertou os discípulos do medo. Não basta saber da ressurreição, é preciso fazer a experiência. “Vai aos irmãos” – o Ressuscitado ordena a ela. Ir aos irmãos - essa é a condição de encontrá-lO. Só Sua presença pode garantir segurança em meio ao mundo hostil.  “Vai aos irmãos.”

Então, quando os irmãos estão reunidos, Jesus chega, sopra sobre eles e diz: “Recebam o Espírito Santo”.

Separado dos irmãos, Tomé não recebe o Espírito, não participa do ato fundador da comunidade. Como os dois primeiros, no início, estavam dispersos, ele também está disperso. 

Onde estava Tomé? O que fazia separado dos outros?

Não há verdadeira adesão a Jesus, enquanto não houver adesão ao grupo dos que creem: ao fracasso do grupo, à vitória do grupo. O núcleo da identidade cristã, a ressurreição, nunca será uma experiência isolada, mas sempre compartilhada, entre irmãos. E nunca mais em trevas.

Esse é o dom do Espírito.

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