Problema na hora de abastecer

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Motoristas denunciam danos provocados em veículos por combustível adulterado

Foto: Divulgação / Agência Brasil

Denúncias que circulam pelas redes sociais estão preocupando motoristas de Niterói. Segundo relatos, alguns postos da região estão com combustível adulterado. O abastecimento estaria, ainda, danificando os veículos, com dezenas de carros enguiçados na cidade. Os postos Ipiranga e Petrobras (BR) são citados como os que apresentam a adulteração. O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência no Estado (Sindestado-RJ), representante dos donos dos postos, entregou um ofício na tarde desta quinta-feira (13) à Agência Nacional do Petróleo (ANP), pedindo a apuração dos casos. 

De acordo com as reclamações, os problemas ocasionados pelo combustível adulterado estão gerando uma alta demanda por manutenção nas concessionárias de Niterói. O áudio de uma funcionária da Hayasa que circula na internet diz que, nesta semana, chegaram cerca de 35 carros na concessionária através de reboque, com motores que não ligam. Nos primeiros carros analisados, segundo a denúncia, os motores apresentam diversos danos, como válvulas travadas, possivelmente causados pelo uso de combustível adulterado. 

O mesmo problema também é relatado em outro áudio, desta vez de um funcionário da Mitsubishi. Nessa concessionária, estariam mais de 30 carros com pane identificada pelo abastecimento com o combustível adulterado. O mesmo relato também aconteceu em Itaboraí, onde 60 veículos apresentariam problemas similares. 

Dono de um Honda Fit, o advogado Daniel Coutinho, de 34 anos, teve um prejuízo de quase R$ 4 mil por abastecer no posto Ipiranga, da Avenida Central, em Itaipu. Segundo ele, o dono do posto afirma que o problema é da distribuidora, já que outras quatro unidades sofrem com o mesmo caso.

“Minha esposa costumava abastecer sempre nesse posto. Um dia, ela ligou o carro e demorou a dar partida. No outro dia, não ligou mais”, relatou Daniel.

O dono do posto, segundo o advogado, criou um grupo no WhatsApp para atender às reclamações. Já são mais de 25 membros com os mesmos problemas, alguns deles com prejuízos que chegam até R$ 15 mil. O proprietário se comprometeu a tentar arcar com os custos dos clientes.

“É solvente puro. Tive que trocar o cabeçote do meu carro, mas outros motoristas disseram que precisam trocar todo o motor, tiveram prejuízos maiores”, contou Daniel, dizendo, ainda, que outras pessoas relataram problemas após abastecer no posto BR da Avenida Central e em outros dois em Charitas e Itaipuaçu. Também em Niterói, o motorista José Augusto Soares enfrentou a mesma situação após abastecer no Ipiranga, dessa vez na Alameda São Boaventura, no Fonseca. 

“Tive que trocar bico injetor do meu carro. Ao fazer o reparo, fui informado de que o problema foi causado por uso de combustível adulterado”, declarou o motorista.

Fiscalização – O presidente do Sindestado-RJ, Ricardo Lisbôa Vianna, informou que enviou um ofício ao presidente da ANP, Francisco Nelson, solicitando que os comentários que circulam sejam apurados, a fim de verificar o problema. 

“A nós, enquanto entidade sindical, importa, e muito, que a situação seja inteiramente esclarecida o quanto antes. Queremos que a ANP apure até que ponto isto é verdade e, se for, quem são os responsáveis pelo problema. É uma questão de respeito, não só ao consumidor, mas a toda a categoria”, comentou Ricardo. 

A ANP disse que desconhece qualquer surto de adulteração de combustíveis em Niterói, e que suspeitas podem ser denunciadas pelo 0800 970 0267 ou no “Fale Conosco” do site da agência.

No ano passado, 12 postos de Niterói foram autuados e/ou interditados, após constatadas inconformidades nos combustíveis, sendo um em Icaraí, quatro em Itaipu, outro em São Lourenço, Pendotiba, Cubango, Centro, Barreto, Várzea das Moças e Piratininga.

O Procon Estadual disse que participa, semanalmente, da força-tarefa da Operação Bomba Limpa, que fiscaliza postos de gasolina em conjunto com a Operação Barreira Fiscal, da Secretaria de Estado de Governo e de Fazenda. Em maio, dois postos de Itaipu tiveram amostras do combustível recolhidas para análise, assim como outro posto em Várzea das Moças, no mês passado. Em Maricá, testes detectaram alto índice de álcool na gasolina em dois postos, resultando na interdição dos tanques. 

O órgão esclareceu que o consumidor que quiser fazer alguma denúncia pode mandar pelo e-mail [email protected] 

Em resposta, a Ipiranga informou que está apurando os relatos e tomará as devidas providências, caso seja constatada qualquer irregularidade. A empresa ainda salientou que atua com um rígido programa de controle de qualidade dos combustíveis. 

Já a Petrobras disse que a área técnica está em contato com as concessionárias de Niterói e Leste Metropolitano do Rio, verificando o caso. A companhia disse que enviou unidades móveis do programa de controle de qualidade “De Olho no Combustível” para realizar testes.

Procuradas, a Hayasa e a Mitsubishi não retornaram o contato.