NITERÓI/RJ
Min:   Max:

Sepe critica instalações de catracas e detectores de metais

A Câmara Municipal de Niterói recebeu na última semana dois Projetos de Lei para aumentar a segurança nas escolas das redes municipal e privada. As matérias legislativas, de número 115/2019 e 114/2019, foram propostas pelo vereador Beto Saad (PR) e pretendem controlar a entrada de objetos nas unidades que apresentem risco a integridade física da comunidade escolar e elaborar um plano de fuga em situações emergenciais. 

Enquanto o primeiro PL, caso aprovado, obriga os colégios da cidade a contarem com catracas e detectores de metal em suas entradas, o segundo determina a elaboração de um plano para que os alunos consigam escapar em casos de ameaças. Saad justificou em plenário, na sessão da última quarta, as duas iniciativas de seu mandato.

“Temos visto vários casos traumáticos de crianças e adolescentes que tomaram atitudes e vidas foram ceifadas. Em Niterói não é diferente. Em alguns casos, crianças levam tesouras para a escola, levam facas. Precisamos estar atentos e tomar as cautelas legais para antevermos estas situações. Precisamos ter a responsabilidade de zelar pelas vidas”, explicou o vereador.

A iniciativa Legislativa, no entanto, não é vista com bons olhos pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) em Niterói. Elisângela Rodrigues, diretora do Sepe-Niterói, argumenta que os problemas com a violência ocorrem no entorno das escolas e não dentro das unidades.

“Esses projetos de lei dariam uma falsa sensação de segurança nas escolas. A amplíssima maioria dos problemas de violência com armas e objetos contundentes são no entorno e não dentro das escolas. Violência dentro da escola são outros tipos de distúrbios, que as escolas têm dificuldades de enfrentar porque sofrem com problemas como falta de pessoal suficiente, investimentos para proporcionar uma educação de maior qualidade e atratividade para crianças e jovens”, alega.

Ela também afirma que o Sepe-Niterói acredita que iniciativas como esta podem ser substituídas por mais acesso à educação, cultura e lazer.

“Não defendemos muros altos, catracas ou militarização. Defendemos uma educação de qualidade, o diálogo com os alunos, a parceria com a comunidade, projetos que envolvem as crianças, os adolescentes e jovens. Quanto mais acesso à educação, cultura e lazer, menos violência nas escolas”, argumenta.

Tragédias – Em março deste ano, em Suzano, São Paulo, uma dupla de ex-estudantes entrou na Escola Professor Raul Brasil e assassinou cinco estudantes e duas funcionárias, munida de um revólver e uma machadinha. Em 2011, um homem portando um revólver entrou na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio, e abriu fogo. 12 estudantes morreram.

Scroll To Top