Terrenos baldios serão desapropriados em São Gonçalo

São Gonçalo
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Ação da prefeitura está baseada na Lei nº 017/2003, que garante que a área abandonada seja desapropriada pelo Poder Público

Foto: Divulgação

A Secretaria de Infraestrutura e Urbanismo de São Gonçalo, através de determinação da Prefeitura, está realizando o mapeamento de todos os terrenos baldios da cidade. O objetivo principal é obrigar os proprietários a cercarem a área para acabar com o despejo irregular de lixo no local e, consequentemente, evitar focos do mosquito Aedes aegypti. A operação começou na manhã desta quinta-feira (24) e, após ser notificado, o proprietário terá 45 dias para murar a área. Caso isso não ocorra, o terreno será desapropriado pela prefeitura.

"Apesar da coleta regular na cidade, é possível verificar lixo depositado nas calçadas e nos terrenos baldios em todos os bairros da cidade. No bairro do Boaçu, bem em frente à Escola Municipal Valéria de Mattos Fontes, dezenas de pneus e lixo foram despejados na calçada e em parte de um terreno. Dentro do Rio Imboaçu, que corta toda a região, existe carcaça de televisor, vaso sanitário, caixas de papelão, isopor e milhares de garrafas pets", exemplificou o prefeito Neilton Mulim.

O acúmulo de lixo ainda é um dos maiores fatores que contribuem para proliferação do mosquito Aedes aegypti. Nesse período, com a chegada das chuvas de verão, o risco fica ainda maior devido a grande quantidade de lixo jogado em lugares impróprios por parte da população, que não aguarda o dia e horário da coleta em seu bairro. Baseado nesta junção, funcionários da secretaria de Infraestrutura e fiscais do departamento de Limpeza Urbana entraram em ação e só na manhã desta quinta-feira doze terrenos receberam uma placa de aviso de possível desapropriação.

“O objetivo da ação é garantir que o proprietário cuide do que é seu. Só assim vamos conseguir acabar com as lixeiras na cidade e consequentemente com esta praga que é o mosquito Aedes aegypti. A colaboração da população é essencial para que as ações da prefeitura surtam efeito e a cidade fique sempre limpa, tornando-se um ambiente agradável para todos. Se a população não colaborar, de nada vai adiantar o esforço da prefeitura. Estamos fazendo a nossa parte, resta agora à população nos ajudar”, pediu a secretária de Infraestrutura, Ana Cristina Silva.

O aposentado José Ribeiro dos Santos, de 68 anos, elogiou a iniciativa da prefeitura. “Não aguentamos mais tanto lixo. A coleta passa aqui segunda, quarta e sexta. Essa ação vai melhorar e muito a vida dos moradores da região, pois esses detritos atraem ratos, mosquitos e outros bichos para dentro de nossas casas. Eu espero que o proprietário cuide dos seus terrenos”, disse o aposentado se referindo a um terreno no bairro Porto da Pedra, que virou depósito irregular de lixo e que constantemente é limpo pela prefeitura.

A ação da prefeitura está baseada na Lei nº 017/2003, que garante que a área abandonada seja desapropriada pelo Poder Público. De acordo com o prefeito Neilton Mulim, os possíveis terrenos desapropriados e que hoje servem para o despejo irregular de detritos, darão lugar a áreas de lazer, academias da saúde, escolas e postos de saúde.  

Números - O lixo depositado por parte da população em lugares inapropriados torna a luta contra a dengue um desafio maior para os agentes de endemias. Entre o verão de 2014/2015 foram registrados apenas 758 casos de dengue/zika. Desde o inicio deste verão a cidade notificou 1.877 casos suspeitos, ou seja, três vezes mais o número de pessoas possivelmente infectadas pelo mosquito. Sete foram confirmados em grávidas, que estão sendo monitoradas pela secretaria de Saúde.

A Prefeitura de São Gonçalo disponibiliza dois telefones para a população fazer reclamações do despejo irregular de lixo e informar focos do mosquito Aedes aegypti. Para o lixo os gonçalenses podem ligar para o telefone 2199-6378 e para os focos de dengue podem denunciar através do 0800-0226806.

“Qualquer recipiente que possa acumular água, mesmo que em pequena quantidade, pode virar um criadouro do mosquito. Sabemos que 90% dos focos do Aedes aegypti estão dentro das residências e no lixo jogado irregularmente nas ruas. O combate ao mosquito tem que ser feito por todos”, garante o secretário de Saúde, Dimas Gadelha.