UFF terá segundo turno para eleições da reitoria

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Empate técnico entre Chapa 1 e Chapa 2 foi de 46% e 44% dos votos, respectivamente

Fotos: Marcelo Feitosa


A eleição para reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF) terá segundo turno. Com as urnas apuradas, a Chapa 1, do atual vice-reitor, Antônio Cláudio, alcançou 46% dos votos, enquanto a Chapa 2, que tem à frente Roberto Salles, ex-reitor, teve 45%, configurando um empate técnico. As novas eleições estão programadas para os dias 14, 15 e 16 de maio. Dos 58 mil alunos aptos a votar, apenas 9.518 compareceram às urnas.

Para a Comissão Eleitoral da UFF, o resultado não foi uma surpresa, já que durante todo o trabalho a campanha ficou bem dividida entre os candidatos. Segundo João Evangelista, o presidente da comissão, os próximos passos do segundo turno ainda serão definidos. 

“Na semana que vem, faremos uma reunião entre as chapas para decidir detalhes como quantidade de debates. No primeiro turno, foram quatro, neste acredito que serão dois. A campanha e a votação correram bem”, comentou, ressaltando que o terceiro candidato, Sérgio Mendonça, também teve um resultado expressivo em relação ao esperado: 8,6% dos votos.

A apuração foi finalizada nesta sexta-feira (20). A Chapa 1 “Juntos pela UFF”, de Antônio Cláudio (reitor) e Fabio Passos (vice-reitor), teve 5.598 alunos votantes, 1.320 docentes e 893 técnicos. 

Expectativa – Em nota, a chapa 1 informou que a expectativa para o segundo turno é grande pela quantidade de votos obtidos, quase 3 mil a mais que o segundo colocado. Para eles, é uma avaliação de que a comunidade acadêmica quer projetos sólidos, coerentes, preparados e responsáveis. 

“As urnas foram muito claras. A UFF não aceita que o passado invada seu futuro. No segundo turno, teremos mais tempo para conversar com os eleitores e convocar os indecisos a conhecer nossas propostas. Fizemos uma campanha expressiva com apoio dos três segmentos. Discutimos conceitos e ideias para os próximos quatro anos da UFF para nos fortalecer contra os ataques às universidades públicas. Estamos com as forças completamente recarregadas. Hoje, estamos circulando pelas unidades agradecendo os votos e convocando os apoiadores para o segundo turno”, diz a nota. 

Críticas – A Chapa 2 “Nossa UFF”, de Roberto Salles, candidato a reitor, com Wainer Silva como vice-reitor, conquistou 2.625 votos de alunos, 858 de docentes e 1.571 de técnicos. Roberto Salles fez duras críticas ao sistema de eleição. Para ele, o resultado mostrou como o processo de votação foi desleal e como a coordenação de comissão foi omissa. Ainda nas palavras do candidato, “iniciar o segundo turno com as mesmas regras e práticas desleais do primeiro turno é perverso com a universidade”.

“Tenho que fazer a minha parte de defender a UFF. O segundo turno pode ser um recomeço ou um desastre ético, os ocupantes dos cargos de direção controlados pelo reitor e pelo vice escolheram o desastre, mas nós vamos seguir pelo caminho da ética”, afirmou. 

Entre as irregularidades apontadas pelo candidato está a duplicação de nomes de eleitores, que votaram duas vezes, pessoas exoneradas ainda com nomes na lista, professores e alunos que não constavam entre os eleitores, entre outros. 

Segundo Salles, na quarta-feira, dia 25, será apresentado um documento oficial à Associação dos Professores Inativos da UFF (Aspi-UFF), responsável por fiscalizar a eleição, com todas as possíveis irregularidades da campanha. 

Positivo – Já a terceira Chapa, “UFF Inovadora”, dos candidatos Sérgio Mendonça (reitor) e Francisco Estácio (vice-reitor) teve 8,6% dos votos. Para Sérgio, o número foi positivo, dado o pouco tempo de campanha que teve e os recursos financeiros que possuía. Foram 911 votos de estudantes, 196 de docentes e 227 de técnicos. 

“Na próxima terça, farei uma reunião com quem participou e ajudou minha campanha para que, em grupo, possamos decidir se vamos apoiar um candidato no segundo turno ou nos abster. Também vamos pensar em que pautas nossas vamos sugerir para nossos possíveis apoios”, adiantou.

Pouca participação – Uma questão levantada pela comissão foi a pouca quantidade de votantes para a eleição. Dos 58.066 estudantes aptos a votar, compareceram apenas 9.518, já de técnicos administrativos foram 2.784 votantes contra 3.849 aptos, e de docentes foram 3.213 aptos, a 2.536 pessoas que votaram. Segundo a comissão, a indicação do grupo para as próximas eleições será a de que alunos do sistema Educação a Distância não votem mais. 

“Como eles não têm vínculo com os campi, acabam não tendo a iniciativa de visitar os locais de votação, o que distorce a quantidade de alunos votantes, já que são 20 mil eleitores de EAD e apenas 1% vota. Falta um incentivo para que eles venham”, afirma o presidente da comissão.