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Um esboço da Trindade

A Santíssima Trindade é composta de Três Pessoas que se ouvem em permanente atenção. A Trindade é puro ouvido de amor.

Porque, antes de tudo, é preciso ouvir. A ressurreição não é uma ocorrência que se registra. Não cabe numa manchete de TV: Atenção! Atenção! Jesus ressuscitou!

Ressurreição é o que vai além das palavras, aquilo de que só o silêncio consegue falar, e que requer o silêncio da alma para ser ouvido. É para a alma que certas coisas são ditas. No Ressuscitado, o silêncio é a palavra. 

A Madalena permaneceu do lado de fora do túmulo, em contínua expectativa de algo a ser visto. Mas para ver, ela precisou ouvir.

“Maria!”

“Rabouni – Meu Mestre!”

O medo havia embaçado a visão dos discípulos e não era possível interpretar, sequer ver, os sinais do Ressuscitado. Lençóis estendidos continuarão para sempre estendidos por toda a parte; só irá enxergar quem puder olhar o túmulo, sem perder de vista o jardim, onde a morte foi plantada à espera da primeira chuva redentora.

Os discípulos haviam chegado ao ponto culminante de suas vidas. No entanto, não sabiam de nada. Tudo era sombra, e eles não entenderam as sombras e os sinais. De certa forma, todos apenas “retornaram para sua casa”. 

A Madalena, não. Ela ficou à espera de que os sinais ficassem claros. Ela não fugiu, não “regrediu” ao que era seu. Ficou ali, para lidar consigo mesma, permaneceu em silêncio à espera da voz. Mais que ver, ela precisava ouvir. 

Maria, a Mãe, muito antes, havia ouvido a voz do anjo; Maria de Betânia se sentara aos pés do Mestre para ouvi-lo. Maria Madalena foi aquela que primeiro ouviu. Essas três eram um singelo, ainda que apagado, esboço da Trindade.

Nesta quinta-feira (20), no Corpus Christi, nossas ruas enfeitadas falarão com o silêncio da beleza. E a beleza, também, é o mais perfeito esboço da Trindade.

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