Um modelo para a educação dentro dos domínios de Niterói

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Unidade foi inaugurada em 2014

Evelen Gouvêa

Quem vive no Brasil, provavelmente conhece a expressão “negócio da China”, que remete a grande vantagem econômica recebida por um dos lados de um acordo. Uma escola da rede pública do estado, em Niterói, vem tentando mudar o significado do notório ditado popular. Trata-se do Colégio Estadual Matemático Joaquim Gomes, que fica em Charitas, e celebra, neste mês, quatro anos de existência com motivos para comemorar: a unidade sagrou-se a melhor escola da rede pública no estado ao alcançar 6,5 pontos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e ficou entre as 20 melhores do Rio, levando em consideração também as particulares.

A escola, fundada em setembro de 2014, nasceu de um convênio entre a Secretaria estadual de Educação (Seeduc) e a Universidade Normal de Hebei, na China. Desde o princípio de sua existência, o colégio tomou como norte duas áreas de aprendizado: ciências exatas e o ensino de línguas. Entre os idiomas abordados na grade escolar estão, além do português, o inglês e o chinês, o que tornou o “Matemático”, como é comumente chamado, no primeiro colégio trilíngue da América Latina.

Na contramão do baixo aproveitamento do ensino público, onde apenas 5% das unidades do país conseguem pontuar acima da nota seis, a escola, que adota tempo integral para seus 275 alunos e conta com aulas de música, artes e outras disciplinas fora do tradicional currículo escolar, entretanto, exige dedicação máxima. Jacqueline Barros, diretora pedagógica do Matemático, credita o sucesso de avaliações inteiramente ao esforço dos alunos e professores.

“Não é fácil se adaptar ao tempo integral, onde se foca em matemática, química e física, além do ensino de línguas. O aluno precisa ter aptidão para frequentar este tipo de escola. Além de ir muito bem em todas as matérias, a rotina demanda foco e persistência de quem frequenta nosso colégio”, ressalta a diretora, orgulhosa dos resultados.

O estudante Raphael do Amaral

Evelen Gouvêa

Barros destaca também os índices de aprovação para as universidades públicas e exalta o corpo docente do Matemático. “O sucesso da escola é construído pelos alunos e pelo corpo docente. Ambos são extremamente interessados, correm atrás. Nossa primeira turma de terceiro ano se formou no ano passado e tivemos um índice de aprovação de 90% em universidades públicas. Além disso, seis alunos nossos conseguiram bolsas de estudos na universidade conveniada e, hoje, estão estudando na China”, declarou.

O projeto do Matemático enche os olhos de estudantes de todo o estado. Este foi o caso do estudante Raphael do Amaral, de 17 anos, que, ao conhecer a iniciativa, se apaixonou e pediu aos pais para estudar na unidade. O único problema, entretanto, é que o jovem e sua família moravam em Bangu, na Zona Oeste da capital, bem longe do bairro de Charitas, na cidade sorriso. O desejo do jovem se sobrepôs à vontade de sua família, que acabou se mudando para que Raphael pudesse ter acesso à escola.

“Em 2016, eu estava procurando uma escola para fazer meu ensino médio. Meu pai me mostrou a escola e eu me apaixonei, porque gosto muito de matemática e sempre quis estudar mandarim e inglês. Minha família, depois que decidi, saiu correndo para fazer a mudança e, hoje, moramos em Niterói para eu estudar aqui”, explicou o estudante.

Raphael completa que o mandarim, idioma que aprendeu no Matemático, o ajudou a superar dificuldades de sua personalidade e já faz planos para continuar seus estudos no continente asiático. “Eu mudei com o mandarim. O idioma me ajudou com a minha timidez. A matemática, que em outras escolas poderia se tornar um problema, é bem completa para mim aqui nessa escola. Eu quero conseguir a bolsa, como meus colegas conseguiram, e ir estudar na China”, finalizou.