NITERÓI/RJ
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Uma Niterói cada vez mais verde

Pescadores da região estão ajudando a Secretaria de Meio Ambiente a identificar os principais pontos de desmatamento

Foto: Lucas Benevides

As ações da restauração ecológica de 203 hectares (equivalente a 284 campos de futebol) de Mata Atlântica em Niterói, assinada no fim do ano passado em um convênio (com financiamento sem necessidade de reembolso) entre a prefeitura e o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), já começaram a sair do papel nesta semana. Isso porque técnicos da Secretaria de Meio ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade (SMARHS), pescadores e especialistas visitaram na sexta-feira as paradisíacas ilhas Pai, Mãe e Filha na enseada de Itaipu, na Região Oceânica. 

Os técnicos já detectaram que o local sofre com danos ambientais, o que interfere inclusive na pesca artesanal naquela região. O objetivo da secretaria é recuperar, a partir de dezembro, manguezais, restingas e vegetação em diferentes áreas da cidade.

O custo do projeto é de R$ 2.835.811. Ele prevê as restaurações de 31 hectares de vegetação em quatro ilhas do município — inseridas no Parque Municipal Natural de Niterói (Parnit) e no Parque Estadual Serra da Tiririca (Peset) — e de 65 hectares de manguezal no entorno da Laguna de Itaipu, também na área do Peset.

Em Área de Preservação Permanente (APP), cuja responsabilidade é compartilhada entre o município e a União, serão restaurados 21 hectares de vegetação de restinga em quatro praias.

No Morro da Viração, no Parnit, além do restauro de 86 hectares de vegetação ombrófila densa, serão adotados o manejo e a colheita de um antigo plantio de eucalipto, com posterior restauração da área através de palmito e reintrodução da palmeira juçara, nativa da Mata Atlântica.

O secretário executivo da Prefeitura de Niterói, Axel Grael, contou que os resultados começarão a ser colhidos a longo prazo. Até o início de plantio das espécies nativas, o trabalho da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade será de detalhar, estruturar logística e licitar os serviços. 

“Niterói tem trabalhado com diversas iniciativas para melhorar a cobertura florestal e dar qualidade a elas. O resultado dessas ações é bom e, através do Niterói Mais Verde, Pro-Sustentável e outros projetos, esperamos deixar uma cidade mais verde para nós moradores e também para gerações futuras”, prometeu o secretário.

Pescadores são peças fundamentais no processo 

O subsecretário de Meio Ambiente, Gabriel Mello, explicou que a participação dos pescadores é fundamental no processo de reflorestamento. Segundo ele, o conhecimento do mar, das espécies nativas e de como funciona a biodiversidade das ilhas agregou conhecimento ao projeto elaborado pela secretaria. Os pescadores passarão ainda por um treinamento com profissionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) sobre o manejo correto das mudas. 

“Haverá ainda um mutirão com esses pescadores e eles receberão uma ajuda de custo. Eles receberão uma espécie de bolsa financeira, tanto para um coordenador – que terá um comprometimento maior com o projeto – além do diarista, que fará parte do processo de pesca. Porque quem vai saber se o mar está bom para colocar o barco na água não é o engenheiro florestal ou o técnico da UFF, mas sim o pescador, bem como o melhor acesso da ilha para executar o replantio”, explicou Gabriel.

“Além de envolver os pescadores no replantio de espécies para retomada da fauna, eles também receberão bolsas para esse trabalho e serão capacitados como uma espécie de guardiões do meio ambiente também, ajudando a proteger o ecossistema”, explica Gabriel.

O nome Jorge Nunes de Souza pode não parecer comum em Itaipu, a menos que você troque pelo popular “Seu Chico”, uma das maiores referências da pesca em Niterói e um dos principais responsáveis  por cuidar das praias da região. Para ele, as iniciativas vão recuperar a pesca artesanal.

“Essas ilhas tinham bastantes animais como atobás e garças, além de árvores frutíferas, o que acabava também servindo para os peixes . Com o tempo, essa vegetação foi sendo degradada, atrapalhando e afastando os peixes e consequentemente atrapalhando a pesca. É primordial a restauração da vegetação”, explicou Seu Chico. 

Parceria torna a cidade pioneira em ecologia 

Niterói é o primeiro e único município brasileiro, até o momento, a conseguir uma verba do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) a fundo perdido (não reembolsável) para aplicação em projetos de restauração ecológica da mata atlântica. 

O valor de quase R$ 3 milhões já chegou para a Secretaria de Meio Ambiente. A área a ser restaurada é a maior da história do município.

A cidade saiu na frente na obtenção da verba, concorrendo com mais 12 municípios do país. Desde 2015 a Prefeitura vem apresentando projetos e mostrando que a cidade tem qualificações e foco voltado na sustentabilidade.

Entre outros pontos, os projetos tem como objetivo caminhar para uma Niterói Mais Sustentável, seguindo os protocolos assinados com a ONU (Organização das Nações Unidas) para atender pontos como: melhoria da qualidade ambiental das áreas envolvidas na restauração ecológica para os cidadãos do município, visitantes, e gerações futuras.
“Além disso, existe no projeto a capacitação dos envolvidos, possibilitando que busquem empregos futuros na área de recuperação ambiental; fomento ao ecoturismo; Benefícios indiretos em relação à cadeia produtiva de insumos necessários para a restauração ecológica; geração de renda complementar para comunidades locais e tradicionais no entorno das áreas contempladas”, explicou Gabriel, ressaltando como Niterói se candidatou.

“Apresentamos o projeto e nos habilitamos. Essa verba será de extrema importância para desenvolvermos os projetos de restauração em diversos bairros dentro da reconstrução da biota do ecossistema. É muito bom a cidade ser a única a ter um projeto como administração pública, em todo o Brasil. Existem questões e espécies que foram devastadas há anos na cidade e que precisam ser recompostas pelo bem do equilíbrio ecológico e pela sua própria manutenção. É uma questão de vida”, observou o subsecretário Gabriel Mello Cunha.

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