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Vistoria constata falta de médicos no Hospital do Andaraí, no Rio

A Defensoria Pública da União e o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) vistoriaram nesta quinta-feira (6) a emergência do Hospital Federal do Andaraí, na zona norte do Rio, e constataram uma situação considerada "gravíssima" pelo defensor público Daniel Macedo.

Macedo afirmou que a falta de profissionais de saúde tem levado a plantões sem médicos na emergência, e que o número de pacientes acima da capacidade do hospital faz com que as pessoas sejam internadas em macas nos corredores e em cadeiras.

Segundo o defensor público, havia 40 pessoas internadas em um espaço reduzido na emergência, no momento da visita, sendo 11 pacientes oncológicos, sem atenção adequada. "É uma situação gravíssima que piora o estado de saúde das pessoas."

A emergência do Hospital do Andaraí sofreu interdição ética do Cremerj na segunda-feira (3), devido a irregularidades no atendimento. O conselho já havia apontado o excesso de pacientes, longo tempo de espera e falta de profissionais, situações que "podem pôr em risco potencial a vida de pacientes", diz nota divulgada pela entidade.

Apesar da interdição ética, os profissionais optaram por não fechar a porta da emergência, que atende casos de média e alta complexidade. "É uma escolha trágica, uma escolha de Sofia. Os pacientes que lá estão hoje, mais ou menos, conseguem ter uma pequena assistência. É melhor do que estar na rua", disse o defensor, que também relatou a falta de analgésicos, remédios para enjoo, fio de sutura e agulhas.

Segundo Daniel Macedo, a Defensoria Pública da União vai pedir à 5ª Vara Federal que intime o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Francisco de Assis Figueiredo, para dar explicações. Ele também cobra a realização de concursos públicos e explicou que já há decisão judicial que obriga o ministério a contratar os 4,2 mil profissionais que estão faltando.

O defensor público disse ainda que vai denunciar a situação da emergência do hospital à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Saúde reconheceu que a emergência precisa ser qualificada e afirmou que está tomando providências para melhorar o atendimento no conjunto dos seis hospitais federais do Rio de Janeiro.

"Cabe ressaltar que, até o presente momento, não houve fechamento da porta de entrada de urgência e emergência do Hospital Federal do Andaraí e esforços estão sendo feitos para que seja realizado o atendimento a toda demanda da população. Atualmente, o hospital funciona com mais de 100% da sua capacidade operacional considerando que é o único serviço de média e alta complexidade da região. O hospital atende cerca de 50 mil consultas e 7 mil internações por ano. Ainda, esclarece-se que está em curso um processo para contratação de recursos humanos e o abastecimento de medicamentos e insumos hospitalares mantém-se regular", informou o ministério.




Agência Brasil 

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