Animação: linguagem universal

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A animação brasileira indicada ao Oscar “O menino e o mundo” será exibida. “The red turtle” também

Foto: Divulgação

Em 1953, estreava nos cinemas o primeiro longa-metragem de animação brasileiro, “Sinfonia amazônica”, produzido por Anélio Latini Silva. O filme era uma compilação das histórias folclóricas do País e demorou cerca de 5 anos para ser produzido. De lá para cá, muita coisa mudou na produção dos desenhos animados: veio a técnica do stop motion, a tecnologia digital, o 3D, e outras modernidades que tornaram essa arte ainda mais diversa. Hoje, o Brasil se tornou um dos principais produtores cinematográficos de animação da América Latina, ficando atrás apenas do México e do Chile. Um dos maiores festivais do gênero no mundo, a 24ª edição do Animamundi chega hoje aos cinemas do Rio de Janeiro para provar que a linguagem da animação é universal e traz um catálogo com mais de 400 filmes, entre curtas e longas, de 45 países. O evento acontece de 25 a 30 de outubro no Centro, Zona Sul e Norte da capital carioca.

Para um dos criadores do festival, César Coelho, em 24 anos o Animamundi ajudou a divulgar a prática da animação no País e a quebrar o preconceito de desenho como algo exclusivamente infantil.  “O festival veio para mostrar primeiro que a gente tinha um plano, uma estratégia de desenvolvimento, que era provar que a animação é uma criação muito mais ampla no Brasil. Outra coisa que queríamos era frisar que animação é também para adultos. Aqui no Brasil, até hoje, as pessoas ainda têm o conceito de que animação é apenas para criança. É uma forma de arte como qualquer outra. Tem filmes eróticos, filmes que falam de morte, filmes politizados, filmes assustadores. É muito amplo o campo para esse sistema”, analisa.

A programação conta com 400 curtas-metragens e seis longas, dentre eles grandes estreias como “Moana”, grande aposta dos estúdios Disney, e “The Red Turtle”, que recebeu o prêmio especial do júri na mostra “Un Certain Regard”, no Festival de Cannes 2016. O catálogo ainda traz 108 películas nacionais, uma seção dedicada às novas produções brasileiras, “Animação em Série”, e um cineclube para o público rever os destaques atuais da animação, como “O menino e o mundo” e “Peixonauta”.  Neste ano, o festival homenageia César Cabral, especialista em stop motion, que estreia seu primeiro longa-metragem no próximo ano.


Animação “The Present”, do alemão Jacob Frey, está na programação do festival

Foto: Divulgação

O cineasta junto com o francês Marc Jousset e o alemão Jacob Frey participam do “Papo animado”, que vai acontecer na Livraria Cultura, no Centro do Rio. Jousset produziu “Persépolis”, uma obra que discute o islamismo e o fluxo de imigrantes para Europa, e também ganha uma exibição na Maison de France. Frey chega ao Animamundi para mostrar três de seus curtas: “Jimbo Clementine”, “Bob” e “The Present”, esse último com uma crítica sobre uma sociedade cada vez mais tecnológica. Tanto Jousset quanto Frey refletem algumas preocupações sociais em suas obras. “A animação tem a capacidade de colocar de uma maneira mais palatável alguns assuntos muito difíceis. É uma linguagem universal. Às vezes você não precisa de diálogo para ver um filme de animação, você reconhece tudo pelo movimento, pelas expressões. Quando você quer falar de assuntos como morte, refugiados, você consegue atingir um espectro maior de audiência em animação, tanto para adultos quanto para crianças. Você consegue chegar ao assunto de maneira mais direta, analítica, sintética”, compara César Coelho.

Além da exibição dos filmes, o festival ainda conta com oficinas gratuitas, tanto para adultos quanto para crianças, visando formar novos animadores. Simultaneamente ao evento, o AnimaForum acontece de 26 a 28 de outubro em uma série de masterclasses e palestras sobre o mercado da animação. A premiação acontece no último dia do evento. 

De acordo com César, a principal questão hoje no mercado brasileiro é a escassez de profissionais e a falta de espaço na televisão aberta. “A gente cresceu muito rapidamente e deixamos grandes buracos durante esse caminho, um deles é a falta de capacitação de novos profissionais. As televisões também precisam melhorar, ser parceiras da exibição de animação, principalmente os canais abertos. A internet acabou criando sua própria maneira de divulgação, como a Anymalu, uma vlogueira da internet. Precisamos também melhorar no mercado internacional, e garantir a continuidade desse processo de produção. Esse é o maior desafio agora, que as produtoras consigam emendar um projeto no outro. Em geral, estamos indo muito bem, mas temos que nos preparar tanto em qualidade como em quantidade”, finaliza. 
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Confira a programação no site www.animamundi.com.br