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Arte em três tempos

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“Empatia”, no Paschoal Carlos Magno

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A partir desta quarta-feira (8), estão em cartaz em Niterói três novas exposições. A primeira delas é “Empatia”, no Centro cultural Paschoal Carlos Magno, do artista visual Alberto Pereira. Já no Centro de Artes da UFF, a exposição em cartaz é  “Animal-Estar”, produzida por quatro artistas: Camila Soato; Júlia Debasse; Milena Travassos e Raquel Nava. Por fim,  “Lastro, Equilibrio Iminente” do artista Osvaldo Gaia, completa as estreias artísticas da semana.

A mostra “Empatia”, que fica em cartaz até 31 de dezembro em dois andares do centro cultural, aborda a aceitação, harmonia e valorização daquilo que pode parecer invisível, mas que, com algum esforço, pode se fazer notável. A ideia da série é fazer o convidado se sentir no lugar do outro, de forma emocional e mental.

“A base do meu trabalho é a descontrução de signos que conhecemos e o que eles representam, para reconstruir os mesmos com algum aspecto retorcido. Detalhes que identificamos que fazem parte do nosso conhecimento e da nossa cultura, mas que não prestamos atenção ou tomamos como verdade, sem parar pra pensar em como poderia ser a partir de outra ótica”, revela o artista.

Na mostra, são apresentas sete obras na parte inferior do centro e uma instalação na parte superior, ambas digitalmente montadas através do uso de diversas imagens. Alberto se utiliza não somente de gravuras para dar vida a suas obras, mas também textos. Ele brinca com camadas, trocadilhos, pesos e proporções com o propósito de tocar a mente e o coração de quem examina as obras.

“Pra ilustrar o que foi dito, um exemplo simples é uma das obras: um anjo negro. A gente não para para pensar que um anjo é construído no nosso imaginário desde pequenos de um determinado modo, tamanho, peso e, principalmente, cor. Mas não passa de um símbolo contruído. E é isso que busca a exposição, enxergar a partir do lado oposto, ser esse lado oposto, em pensamento e em emoção”, explica Alberto Pereira.

“Animal-Estar”, no Centro de Artes UFF

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Já no Centro de Artes da UFF acontecem duas mostras, ambas inauguradas nesta quarta-feira (8): “Animal-Estar” e “Lastro, Equilibrio Iminente”. Com curadoria de Icaro Ferraz Vidal Junior, a primeira reúne 34 obras que abordam o tema animalidade sob uma concepção que dialogue com o conceito forjado pelo filósofo francês Jacques Derrida, “animal-estar”. Na exposição, estão o trabalho de quatro  artistas em diversos estilos: pinturas, pirografias, fotografias, vídeos, objetos e instalações. 

Icaro Ferraz explica que o conceito da exposição nasceu a partir da leitura da obra, “O animal que logo sou”, de Derrida. Em um determinado ponto, o autor fala sobre ter sido seguido por um gato, em um momento em que estava nu, que ser visto pelo animal lhe causou grande desconforto. A partir de tal situação foi criada por ele a ideia de “animal-estar”, que intitula a obra.

“A partir desta leitura, observei que algumas artistas que venho acompanhando produziam trabalhos nos quais a presença do animal e da animalidade repercutiam esta ideia de Derrida. O traço comum a todos os trabalhos que compõem a exposição é que, neles, as relações entre humanos e animais não são marcadas por uma primazia do olhar humano sobre o olhar animal, ou seja, estas artistas são vistas pelos animais e se engajam nesta troca de olhares com curiosidade e atenção. A maioria dos bichos só existe para a gente como suas representações”, revela o curador.

“Lastro, equilíbrio iminente”, também na UFF

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Já para Milena Travassos, pensar em seu corpo em diálogo com animais como: elefante, coruja e zebra foi muito importante para cada um de seus trabalhos produzidos para a mostra. Pensei sobre as características estéticas e sensoriais que esses animais carregam e criei personagens que eu mesma interpretei. A proposta não foi mimetiza-los, mas fabular algo com eles. Na a exposição apresentarei fotos, vídeos e uma instalação. No díptico fotográfico Coruja XVII compus um corpo assemelhando a coruja murucututu. O personagem que criei é um ser metamórfico, nem mulher, nem coruja, em relação direta com o lugar que habita. Um ser mágico à espreita da sua presa”, explica a artista.

Ainda no centro de Artes da UFF, “Lastro , Equilíbrio Iminente”, do artista Osvaldo Gaia. Lastro é o peso utilizado nos porões de navios para manter o equilíbrio no manejo da carga. No passado, o espaço também já foi utilizado para contrabandear mercadorias. Na mostra do autor, os elementos matéricos apontão para além dos processos mecânicos, mas revela também o homem com ser que ganha a vida de forma trapaceira. 

“Os elementos matéricos aludem não só às forças mecânicas deste processo, como tensionamento e estabilidade, como trazem com essa ressignificação, o passado de apropriação da riqueza do outro, a mudança de norte, o homem como o engenheiro ardiloso de seu destino. Em uma sequência irônica, o lastro de água do mar hoje utilizado, desequilibra a fauna quando desaguado em águas estrangeiras, causando um contra ponto nessa intenção do contra peso”, conclui a curadora Clarisse Tarran.

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