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Flávio Tolezani cai no gosto do público

Flávio Tolezani

Divulgação

Ele já foi odiado pelo público. Afinal, quem não se lembra do delegado pedófilo Vinícius, de “O Outro Lado
do Paraíso”? Agora, Flávio Tolezani voltou a conquistar o público, mas mostrando agora outra face da sua carreira: a de
bom moço. Como o chef nordestino Raimundo, ele caiu nas graças dos telespectadores e já tem muita gente “shippando” o casal com Janaína Guerreiro, vivida por Dira Paes. Durante um intervalo das gravações, ele conversou com a reportagem do Jornal da TV sobre o papel e o romance da ficção. Mas, além da dramaturgia e da cozinha – pelo menos na novela – Flávio tem outro hobby: a marcenaria. E já tem inclusive outro trabalho com o fim da trama de Izabel de Oliveira e Paula Amaral. “Me mudei recentemente e não consegui fazer nenhum móvel para a casa nova. Só fiz as portas com madeira de demolição, mas ainda tenho que finalizar o acabamento”, completa. Confira a entrevista:

JT: Como está sendo para você interpretar este nordestino?

FT: Eu adoro o Raimundo. É um cara do bem, que gosta de ajudar todo mundo. Sobre ser nordestino, para mim é um prazer fazê-lo, e tem uma questão de que ele está no sudeste há 30 anos, então já está ambientado. Essa miscelânea é o que vira o Raimundo. O mais legal é que recebo algumas mensagens de nordestinos, com coisas bacanas de ouvir. Eles dizem que estão muito bem representados, o que é muito agradável para mim.


JT: Você lutaria por um amor de uma mulher se amasse ela como o Raimundo ama a Janaína?

FT: Sim, mas acho que tudo tem um limite. Acho que eu ficaria mais parecido com o Raimundo nesse aspecto porque não avançaria muito o sinal. O Raimundo é super contido, ele pode revelar os sentimentos, mas não vai muito atrás.

JT: Raimundo e Janaína vão terminar juntos não é?

FT: Terminar eu não sei. Quem sabe são as autoras. A gente sequer recebeu [os capítulos] até o fim, não estou escondendo, só não sei mesmo (risos).

JT: Qual a sua expectativa para o seu personagem?

FT: Acho gostoso o amor entre Raimundo e Janaína, que eu ficaria muito feliz com esse final. Tem tanta coisa para acontecer que eu ficaria feliz.

JT: A gente vê nas redes sociais o pessoal shippando Janaína e Raimundo. Queria saber se o trauma que esse homem teve no passado em relação a um amor, o fechou e fez com que ele só conseguisse se abrir com a Janaína...

FT: Aí tem elementos que estão escritos, ditos em sinopses, e outras que acabo construindo para mim. O que fica muito evidente é que além de qualquer trauma, ele é um cara que foi muito focado em trabalho, porque ele saiu da Paraíba com isso na cabeça. Ele tinha uma vida lá tão difícil que saiu obstinado a conseguir ter uma vida estabelecida e razoável para que nunca mais passasse fome. Minha construção é toda em cima disso. Ele não tem a cabeça voltada para o amor, mas na convivência boa com as pessoas.

JT: Ele vai crecser muito na trama, e vai acabar virando um leão perto da Janaína. E ele vai para cima do Jerônimo, para não ficar em cima da sua mãe. Como é isso?

FT: Eu acho que o Raimundo quando ele assume estar ao lado da pessoa, e a relação se concretiza – e isso se dá com qualquer pessoa - ele compra as brigas daquela pessoa. Claro que o que acontecer de ruim com a Janaína, ele vai intervir, então nada mais natural que uma reação ao Jerônimo, dado tudo o que ele fez.

JT: Você saiu de um personagem terrível, um pedófilo em ‘O Outro Lado do Paraíso’, que as pessoas odiavam, e agora já está sendo amado pelo Raimundo…

FT: Eu acho que as pessoas não esqueceram, o que acho muito bom porque a novela marcou, ficou muito forte, e tudo o que acontecia lá, ia muito ao extremo. Espero que as pessoas não esqueçam mesmo porque não é só um olhar para o trabalho, mas para o que foi dito lá. Sair de lá e vir para cá, não tem nada mais gostoso para o ator. Adoro essas diferenças e saltos. Quem puder ter isso ao longo da carreira é genial, porque o ator no geral quer encontrar coisas por onde ele passa pela vida.

JT: Houve um tempo que o público glamourizava os vilões. E como é para você fazer um cara íntegro, com um comportamento de bom moço?

FT: O que vejo no Raimundo, é que não é um cara frouxo. É diferente fazer um cara assertivo. Eu tento evitar alguns termos como dizer que é um cara do bem, por exemplo porque é perigoso, por mais que eu queira usar esses termos, posso cair na situação política que toma conta do país, e ‘do bem’ hoje tem outra conotação. Acho interessante mostrar que ele não é vilão de forma alguma, mas não é frouxo. É um cara humano simplesmente.

JT: Você sabe cozinhar? Sabe fazer a comida nordestina?

FT: Sei cozinhar. Não sei fazer a comida nordestina (risos). O baião de dois da novela é mentirinha mesmo. Eu faço umas coisas italianas, e como minha família é italiana, tenho muito mais menu nesse sentido, e algumas coisinhas genéricas brasileiras. O que faço na novela é o que o chef João Marcelo prepara para a gente (risos).

JT: Como está sendo a troca com a Dira Paes? Porque a Janaína está crescendo pela garra dela como se fosse o Raimundo de saia…

FT: Tenho tido muita sorte com as pessoas com as quais contraceno. Sempre admirei demais a Dira, e tive uma conversa uma vez com ela, porque a respeito demais, e ela é maravilhosa. Foi assim também com a Sandra Corveloni, que para mim são as melhores do país.

JT: Você recebe cantada da mulherada?

FT: Acho que o Raimundo é um coroa mais centrado, então recebo dessas idades de acordo com o Raimundo.

JT: Como é o Flávio Pai?

FT: Minha filha está crescendo, agora ela é a filha que passa rasteira no pai no sentido de me ensinar muito mais do que eu ensino hoje. Ela é uma mulher, faz 15 anos esse mês, e 15 anos hoje é muito adulto. A independência dela está muito conquistada e eu preciso me podar e dizer ‘opa, esse é o espaço dela’. A Ana está muito bem encaminhada. Não  tenho ciúme, achei que eu teria, mas nunca tive.

JT: Ela curte esse lado artístico? Você acha que ela que pode enveredar por este caminho?

FT: Ela tem muita vontade, e ela estava matriculada para começar o curso de teatro, o mesmo que fiz em São Paulo, mas bateu com o horário da escola e ela teve que trancar. Ela já faz cursos livres há um tempo, e algo que ela sempre pediu.

JT: Você gosta desse clima de nostalgia dos anos 90?

FT: Muito, minha época de adolescente. Rola sempre uma coisa nostálgica muito boa principalmente em relação à música.

 
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