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Os diálogos entre arte e poesia em livro de Portinari

Na obra, estão presentes poesia e pintura inspiradas nas memórias da infância do artista em Brodowski

Foto: Divulgação
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Para comemorar os 40 anos do Projeto Portinari, a Fundação Nacional de Artes (Funarte) acaba de relançar a coletânea poética do artista Candido Portinari, desta vez em uma edição ilustrada por pinturas do próprio. “Poemas de Portinari” é organizado por Letícia Ferro, Patrícia Porto e Suely Avellar, e traz apresentação inédita de Marco Lucchesi. 

Originalmente, a coletânea de poemas foi selecionada por Antonio Callado em 1964, dois anos após a morte do pintor. Nesta nova obra, de 192 páginas, foi mantida a seleção de Callado e alterada levemente a disposição dos textos, com alguns acréscimos, a partir de minuciosa comparação com os manuscritos originais de Candinho. Estão presentes poesia e pintura inspiradas nas memórias da infância do artista em Brodowski (SP). 

Sobre o trabalho/desafio de trabalhar em busca do diálogo de obra e poema, Letícia Ferro explica que é sabido pelas palavras de Antonio Callado que Portinari refutava publicar seus poemas com ilustrações porque não desejava “explorar a fama do pintor em benefício do poeta”. 

“No entanto, passados alguns anos, e, sobretudo porque este ano o Projeto Portinari faz 40 anos, optamos em fazer um livro-arte buscando demonstrar que pintura e poema são, sim, duas faces da mesma moeda. Entendemos que, em sua obra, cor e palavra se imbricam, uma vez que ambas vêm investidas de brio e lirismo plástico que fazem saltar aos nossos olhos os motivos mais caros a Portinari: as memórias de sua infância, o retrato de seu povo e o registro (‘aparição’) – entre admirado e afetuoso – de suas referências de leitura e vida”, ressalta Letícia. 

Suely Avellar salienta que Portinari pintou o seu cotidiano enquanto criança em Brodowski, além de todas as suas aflições e preocupações. Ele deixa muita coisa disso escrita. Brodowski era sua cidade natal, sobre a qual escreveu muito seu cotidiano e de tantos outros brasileiros através de suas poesias. 

“Quando a gente começou a fazer a seleção das obras, a partir da leitura dos poemas, as pinturas foram surgindo. Tenho a imagem delas todas porque trabalho algum tempo no Projeto Portinari, lido com essas obras diariamente, em exposições, nos trabalhos que realizo. Toda vez que eu lia uma poesia, surgia logo uma lembrança de uma obra. Tipo, isso casa com a obra tal, ia selecionando e colocando. Foi um desafio sim, levou alguns meses, selecionando e tornando a buscar outras. Buscando para o mesmo poema, três, quatro imagens diferentes para o diagramador escolher também. Mas foi um belo desafio e gostoso de fazer. A gente sabia que o resultado seria magnífico”, afirma. 

O livro faz um resgate e valorização do próprio Brasil através de seu artista. Para Suely, ele é um sonho acalentado e de muitos anos. A organizadora sempre teve muita vontade de fazer um livro de poemas ilustrados e sente a alegria e o prazer de sentir que a missão do Projeto Portinari ainda pode aguentar mais 40 anos, mais muitos anos realizando coisas bonitas e que serão de extrema necessidade para a cultura brasileira, ao povo brasileiro. 

“Como viajo o Brasil inteiro com as réplicas de Portinari, nas escolas, com as crianças, com os professores, vejo uma importância enorme desse livro. A gente colocar para o povo em geral que o artista é múltiplo. Que a sensibilidade dele é tão grande que ele tem essa característica de aparecer e fazer coisas em diversos campos da cultura e da arte. O livro ‘Poemas de Portinari’ agora é um livro de arte”, comemora. 





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