NITERÓI/RJ
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Peça fala sobre o desejo de existir

Trata-se da primeira peça solo do ator Matheus Lima, que dá vida a um menino que sonha em ter um sapato, mas não tem dinheiro para comprá-lo

Foto: Renato Mangolin / Divulgação
 

O Teatro da UFF recebe a partir de nesta sexta (13) a curta temporada do espetáculo “Vermelha”, que apresenta a partir do teatro gestual uma história comovente e contemporânea.
Idealizado pela Cia de Teatro Manual, a peça, que é um monólogo, conta a história de um menino que trabalha em uma fábrica de sapatos. Sua rotina de produção é exaustiva, porém, não resulta em recompensas merecidas. Contrariando o ofício do rapaz, ele não tem dinheiro para comprar o próprio sapato. Ele descobre que as mercadorias que produzem na fábrica são mais baratas se compradas em outro país. A partir disso, inicia-se uma batalha entre a classe trabalhadora, que deseja ter os sapatos de menor custo, e o presidente daquele país, que planeja construir um muro que impeça a entrada dos imigrantes descalçados.
A dramaturga Cecilia Ripoll teve o conto do dinamarquês Hans Andersen “Sapatos Vermelhos” (1845), como ponto de partida para a montagem. O desejo e a repressão são sentimentos marcantes no conto, e isso contribuiu para a criação de Cecilia.
“Me saltou aos olhos essa questão do desejo por um objeto que não se tem e, a partir daí, comecei a tentar transportar para dias mais atuais o que poderia ser uma representação mais concreta de desejar algo que está à sua frente, mas você não pode tocar”, explica a dramaturga. 
Assinando a direção de “Vermelha”, Marcela Andrade conta que a criação foi baseada em improvisações e composições de gestos corporais. Como o texto não sublinha os gestos, elementos como luz, cenografia, trilha, adereços e figurino foram escolhidos para determinar o jogo do ator e as imagens cênicas.
“As criações mútuas de profissionais com uma formação de anos, que estudaram há mais de 10 anos juntos, e que vêm resistindo e conseguido fazer realizações teatrais, remando contra o retrocesso que vivemos nas políticas culturais, é algo que destaco desta experiência criativa”, declara a diretora. 
Esta é a primeira peça solo da companhia, assim como do ator Matheus Lima, que dá vida não só ao menino trabalhador, mas a outros três personagens, todos empenhados na gestualidade e trabalho rítmico.
“É uma história que fala de alguém que quer existir. A gente usa uma alegoria, uma metáfora para falar destas relações de poder, opressor e oprimido. A maneira que a gente apresenta faz o público refletir e entender o seu lugar e a construção de um mundo mais igualitário”, conta o ator. 

O Teatro da UFF fica na Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, em Niterói. Até 30 de junho; sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h. Preço: R$ 40 (inteira). Classificação: 12 anos. Telefone: 3674-7512.

 
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