NITERÓI/RJ
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Samba entre pai e filho no Teatro Popular

Arlindo Cruz não esconde a emoção de dividir pela primeira vez uma turnê com o filho

Washington Possato/Divulgação

Unindo pai e filho e duas gerações do samba, Arlindo Cruz e Arlindo Neto apresentam o show “Pagode 2 Arlindos”, nesta quarta-feira (20), às 19h, no Teatro Popular Oscar Niemeyer. A dupla promete empolgar o público com músicas novas, além de sucessos que fizeram a história do samba. Para a abertura do espetáculo, o sambista niteroiense Bruno Barreto, junto com o grupo Roda Viva, mostra as faixas do disco “Origem”, e assim começa a festa.

A ideia do “Pagode 2 Arlindos” nasceu na época em que Arlindo Cruz fazia o show “Pagode do Arlindo”, há 13 anos. Lá, foi a primeira vez que Arlindo Neto cantou e seguiu cantando com o pai desde então, fazendo pequenas participações, e que foi crescendo a vontade de fazer um trabalho dos dois juntos.

“Agora, 13 anos depois, Arlindinho está cantando comigo no pagode que não é só meu, ele está dividindo totalmente o show comigo. Então é o “Pagode 2 Arlindos”, que não deixa de ser uma continuação do primeiro, só que, agora, tem o slogan ‘2 Arlindos pelo preço de um’. Em tempos de crise, é uma boa promoção (risos)”, diverte-se Arlindo Cruz.

Músico experiente e de uma simpatia ímpar, Arlindo Cruz divide o palco com o filho para emocionar e fazer o que mais gostam: samba. Para ele, estar ao lado de Arlindo Neto neste projeto é algo muito natural e, ao mesmo tempo, grandioso. Um pai com orgulho imensurável.

Aos 16 anos, Arlindo Neto ganhou seu primeiro samba-enredo na escola União da Ilha. O sucesso foi tanto que a escola ganhou não só o carnaval daquele ano, mas a permanência no Grupo Especial

Jessica Rollemberg/Divulgação

“Hoje eu vejo meu filho feliz e sambista, tocando comigo, isso me torna mais feliz ainda e orgulhoso, de saber que eu coloquei mais um bom músico no mundo, com a qualidade legal, com o gosto bom, tocando bem, compondo bem, cantando super bem. É maravilhoso estar com ele e fazer esse projeto novo, que acho que tem muita coisa do passado, mas muita coisa do futuro. Eu ensinei muito, mas tem muita coisa que ele me ensinou também”, conta Arlindo Cruz.

Desde criança, Arlindo Neto já compunha e, aos 16 anos, ganhou seu primeiro samba-enredo na escola União da Ilha. O sucesso foi tanto que a escola ganhou não só o carnaval daquele ano, mas a permanência no Grupo Especial.

“Foi maravilhoso, uma emoção única”, lembra Arlindo Neto.

A apresentação em Niterói mescla sucessos do passado como “Meu Poeta”, “Ainda é Tempo de Ser Feliz”, “Termina Aqui”, “Quando Falo de Amor”, “Sem Endereço” e “O show Tem Que Continuar”, com novas músicas feitas sob medida para o projeto, como a “2 Arlindos” e“Nega do Cabelo Samambaia”.

“O pagode completa com tudo que a gente faz já há algum tempo, porque sempre cantamos juntos, ele participa de shows meus, eu participei do DVD dele. Agora, a gente está com um show completo. A gente quer chegar com a festa bem pronta, bem familiar, o pai e o filho cantando, vai rolar a festa”, empolga-se.

A inspiração de Arlindo Cruz vem do povo brasileiro e da cuidadosa observação dele das pequenas coisas cotidianas de maneira simples para que todo mundo entenda, enxergando de uma forma ainda não expressada nos sambas anteriores.

“Meu amigo André Diniz disse que, se me pedisse para fazer um samba sobre um lápis, eu ia fazer. Ele fala que eu consigo fazer samba com todos os temas (risos). Eu acho que a maior dificuldade do compor é você ter um tema ou falar daquilo de um jeito diferente que pareça novo e com um enfoque diferente, isso me fascina muito, eu adoro compor”, diz.

Embora tenha trabalhado com vários artistas, tanto compondo quanto cantando, ele ainda tem vontade de fazer parceria com inúmeras pessoas que o influenciaram ao longo da carreira, e nutre uma admiração e respeito por todos.

“Paulinho da Viola, o próprio Roberto Carlos, que gosta de samba também, e Djavan. Com Caetano já estou até preparando um negócio aí, que é segredo, ainda não posso contar, mas as coisas estão acontecendo. Muitos artistas me influenciam, gente da antiga mesmo, com quem eu nunca fiz um samba, Wilson Moreira, por exemplo”, resume.

Para Arlindo Cruz, todos os momentos da carreira são especiais e memoráveis, e, o mais importante é continuar cantando e compondo sempre, podendo ainda fazer o que ele mais gosta na vida, que é a música.

“Quero continuar a fazer o meu trabalho cada dia me sentindo novo, apesar de já ter tanto tempo, tantas alegrias, mas sempre me renovando. É num samba-enredo que faço, num samba que eu ganho, num show que eu monto, um disco. Amo muito o que eu faço, por isso, para mim, a música é especial, então, todos os momentos, até os que não foram maravilhosos, de crítica, isso serve para que eu aprenda um pouco também (risos). Mas todos os momentos são muito especiais”, explica ele.

A expectativa de Arlindo Neto para o show é que seja uma grande festa, que todos possam se divertir e sambar.

“Fazer um grande show com o povo de Niterói, que eu adoro, que vou à roda de samba toda semana, é cantar para uma plateia que está sempre cantando. O povo que adora minha música, adora meu trabalho. Vamos botar pra quebrar”, finaliza Arlindo Neto.

Samba para abrir a noite – O niteroiense Bruno Barreto é cantor, cavaquinista e percussionista. Cresceu ao som do batuque que vinha do quintal da sua própria casa, onde havia um terreiro de umbanda. No bloco carnavalesco do Copo Cheio, fundando pelo pai e o tio, aprendeu a tocar seu primeiro tamborim, ainda pequeno. Estudou cavaco, teoria musical e canto. Está desenvolvendo sua carreira musical cantando e tocando percussão com grandes nomes da música como Diogo Nogueira, Teresa Cristina, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Sandra de Sá, Léo Jaime, Aleh Ferreira, Grupo Semente e Arranco de Varsóvia. No momento, Bruno lança seu primeiro disco, “Origem”, que será apresentado na abertura do show “Pagode 2 Arlindos” e promete animar a plateia. 

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