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Superação, inspiração e arte

Livro mostra a infância pobre de Elias em cortiços da Vila Anastácio, em São Paulo, a frágil formação cultural e as dificuldades financeiras antes da vida nos palcos

Foto: Divulgação

O jornalista e crítico de teatro Dirceu Alves Jr. lança, no Clube Manouche/Casa Camolese, no Jardim Botânico, dias 18 e 19, às 21h, a biografia “Elias Andreato, A Máscara do Improvável” (Editora Humana Letra, R$ 39), que tem prefácio da jornalista e atriz Marília Gabriela. O livro mostra que a infância pobre de Elias em cortiços da Vila Anastácio, em São Paulo, a frágil formação cultural e as dificuldades financeiras e de saúde não impediram o artista de testemunhar e protagonizar importantes passagens do teatro brasileiro e ganhar dois prêmios Shell de Melhor Ator. Antes de conquistar seu lugar nos palcos, trabalhou como engraxate, office boy, camareiro e operador de luz. Na ocasião, haverá apresentações do espetáculo: “Arap”, com Elias Andreato.

Conte como surgiu a ideia de escrever sobre Elias Andreato, lenda vida do teatro nacional.
Eu conhecia Elias apenas do palco e de entrevistas por telefone. Em 2013, fiz uma matéria mais detalhada com ele para a revista Veja SP, ao vivo, e fiquei muito surpreso com sua trajetória. Era tudo diferente da maioria dos artistas com quem converso. Elias vem de uma família extremamente pobre. Começou no teatro realmente por baixo – porque era a única maneira de entrar nesse ambiente –, foi camareiro de Antonio Fagundes, assistente de Guarnieri, contra-regra de Renato Borghi e Esther Góes até sua estreia profissional. Depois disso, ainda batalhou muito até atingir algum reconhecimento, enfrentou muitas adversidades, problemas financeiros e de saúde. Nada para ele é confortável até hoje. E acho que essa série de viradas que a vida do Elias apresenta, quase em um tom folhetinesco, renderia uma ótima história. Apostei nela. O outro lado é que Elias trabalhou e conviveu com os maiores nomes da cena brasileira nessas últimas cinco décadas. Fagundes, Borghi, Esther, Paulo Autran, Jorge Takla, Maria Bethânia, Marília Pêra, todos os grandes.

 

Foto: Divulgação

Durante as entrevistas, quais surpresas você encontrou pelo caminho? Foi possível não se emocionar?
Em um primeiro momento, o Elias foi muito resistente. Eu fiz a proposta e ele não deu bola. “Imagina, quem vai se interessar em ler um livro sobre a minha vida”, respondeu. Eu disse que a vida dele não era nada comum e, inclusive, por todas as dificuldades enfrentadas, ele poderia incentivar jovens que sonham em ser artistas e não conseguem imaginar como chegar lá porque precisam se preocupar em garantir o sustento da família. Quando as entrevistas começaram, eu fiquei gratificado porque conseguimos estabelecer um distanciamento que foi muito bom para o trabalho. Eu perguntava, e o Elias respondia. Se rolava algo mais pesado, conversávamos sobre a importância de aquilo constar ou não no texto. Mas foram poucos esses casos que precisaram desse tipo de conversa. O Elias me deu total liberdade e sabia que podia confiar no meu bom-senso. Hoje, posso dizer que somos amigos, mas, durante o processo, a relação foi totalmente profissional. Sobre a emoção, eu confesso que sou um pouco duro (risos). Para mim, os trechos mais emotivos são os da parceria dele com o ator Paulo Autran, que, quando morreu, tinha Elias ao lado de seu leito hospitalar. E também a relação do Elias com a atriz Edith Siqueira, que foi uma de suas grandes paixões, talvez a maior.

Ao escrever uma biografia como essa (dentro da sua área de atuação) é possível se manter distante e objetivo ao reportar como acontece com o texto de crítica?
É muito mais difícil não se envolver, se manter isento, mas acho que o bom desse processo ter demorado tanto – foram quatro anos entre a primeira entrevista e a última revisão do texto – é que o distanciamento naturalmente se estabeleceu. Eu realmente passei a ver o Elias como um personagem, uma personagem que eu tinhas as informações para narrar a sua história, mas não era um personagem vivo, presente ao meu lado e que estava participando ou dando palpites no meu trabalho. Ele soube respeitar que, a partir do momento em que sentei no computador, o trabalho era só meu. 

 

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LANÇAMENTOS 

O que aconteceu com Annie (Intrínseca) C. J. Tudor, autora de O Homem de Giz, com mais de 80 mil exemplares vendidos aqui, desta vez constrói uma trama que mistura elementos de suspense psicológico com clima de mistério. A última coisa que Joe queria era voltar a Arnhill, sua cidade natal, por conta do que aconteceu. Mas ele não tem escolha: vai ver Annie.


 

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Dramaturgia Negra (Fundação Nacional de Artes) A obra reúne 16 textos teatrais escritos por dramaturgos negros – alguns deles premiados. As peças já passaram pelo teste dos palcos: foram encenadas por diretores e atores quase sempre negros, em diversas cidades do Brasil e do mundo, com uma exceção: a peça inédita Récita.



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