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Escritor revela que a novela das 18 horas é uma homenagem ao pai

Foto: Jorge Rodrigues Jorge/CZN/Divulgação

Escrever “Êta Mundo Bom!” é como resgatar uma memória afetiva para Walcyr Carrasco. Quando era criança e morava em Marília, no interior de São Paulo, o autor costumava ir ao cinema com o pai quase todos os dias. Muitas das vezes, para ver nomes como Mazzaropi, Oscarito e Grande Otelo na tela, referências aproveitadas na atual novela das 18 horas. “De certa maneira, essa novela é uma homenagem a meu pai. Tive esse universo do cinema aberto por ele e lembro de como eu e todos riam desse humor ingênuo e simples. Quis retomar esse humor”, explica.

Além do filme “Candinho”, de Amácio Mazzaropi, e do conto “Cândido, ou O Otimismo”, de Voltaire, você usou outras referências para escrever “Êta Mundo Bom!”?
Mazzaropi faz parte da minha infância. Eu também quis trazer a grande discussão que sustenta a todos nós, todo o tempo. O mundo é bom? Há motivos para ser otimista? Então, por que acontecem tantas coisas ruins? Aliei essa história central a “O Comprador de Fazendas”, de Monteiro Lobato, porque é um conto maravilhoso, que me acompanha desde a infância. Esses alicerces me ajudaram a criar uma história engraçada, divertida, mas também profunda, pois colocam em discussão uma grande questão humana. Vale a pena, enfim, ser otimista, acreditar que um dia tudo vai melhorar?

É interessante colocar o otimismo na teledramaturgia neste atual momento de crise em que as pessoas, em geral, vivem?
Acho, sim, que as pessoas estão precisando de otimismo nesse momento da vida, nesse momento que todos nós estamos passando no mundo inteiro, onde tem não só uma crise aqui, mas atentados pelo mundo. O mundo inteiro está precisando de um sopro de otimismo. E eu acho que “Êta Mundo Bom!” traz esse sopro de otimismo. A minha expectativa é que a pessoa assista à novela e termine o capítulo com um sorriso de felicidade.

Você fez várias novelas de sucesso no horário das 18 horas, como “Chocolate com Pimenta” e “O Cravo e A Rosa”, entre outras. Voltar a essa faixa era um desejo seu?
Eu sempre quis voltar ao horário das seis e nunca dava. Então, fiz esse projeto com muita antecedência. Aí, surgiu o convite para eu fazer “Verdades Secretas” e falei que topava se não me tirassem a novela das seis. Eles falaram: “Ok. Você emenda?”. Eu disse que emendava porque queria muito fazer com o Jorge Fernando.

Por quê?
Porque ele entende muito bem esse estilo. Ele é um diretor genial, delicado e preciso. Até porque é de teatro. Então, sabe conduzir o ator muito bem. Sabe como é, a Globo é uma grande empresa. De repente passa o momento e o Jorge poderia estar em outro projeto. E eu queria fazer esse com ele. Por isso, optei por emendar e não tirar férias.

Inicialmente, a novela seria chamada de “Candinho”. O que motivou a mudança para “Êta Mundo Bom”?
Eu quis a mudança porque, quando fui construindo a novela, fui abrindo um leque de personagens. E nesse leque, vi que tinha o Candinho, mas pensei: “Vai que de repente – Deus queira que não – o Guizé quebra a perna?”. Eu não posso estar tão preso em um único personagem. Então, quis abrir para outros e também porque tem atores geniais na novela com suas tramas. (Luana Borges/TV Press)