Segunda ocupação pode ser solução para sair da crise

Economia
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Bruno aproveitou a experiência que tem trabalhando em um hotel para ser barman em festas nos finais de semana

Foto: Lucas Benevides

Um assunto rotineiro para os brasileiros nesse início de ano tem sido a crise econômica, que força os trabalhadores a buscar novos ganhos para compor a renda. Com isso, além do emprego formal, as pessoas estão optando por ter uma segunda atuação no mercado de trabalho para complementar a renda. 

Um exemplo disso é o casal Vanessa Pimenta, de 34 anos, e Bruno Scotelaro, de 29, moradores do Barreto, na Zona Norte de Niterói. Durante o dia Bruno trabalha como supervisor de um hotel em Copacabana, mas depois de fazer um curso de barman, hoje ele trabalha em festas durante a noite como sua segunda ocupação.

“Aprendi a fazer uns drinques, investi em algumas bebidas e comecei a divulgar o meu trabalho entre os amigos e familiares e fui começando a ganhar alguns clientes. Além disso, alguns professores do curso onde estudei me indicavam para trabalhar em eventos”, explicou Bruno. 

Para que o trabalho extra não atrapalhasse o principal, dependendo do evento ele rejeitava, pois poderia prejudicar o trabalho fixo por dormir pouco tempo e ficar muito cansado. Outro truque é o preço variável de acordo com o tipo de bebida e da festa em que ia trabalhar. “Só não posso sair no prejuízo, então, explicava a quem solicitava meu trabalho que os valores eram de acordo com as bebidas escolhidas. No final, eu conseguia me distrair do meu emprego com um “hobby” que me gerava um dinheiro extra”, disse. 

Já a sua esposa, Vanessa, começou a ter uma renda extra ainda nos tempos de universitária. Nos intervalos das aulas da faculdade de museologia, ela vendia docinhos caseiros para ajudar a custear o curso. “A faculdade tem um esquema comunitário onde você deixava seu produto e uma caixinha onde as pessoas pegavam o produto e deixavam o valor cobrado. Desta forma eu conseguia dinheiro para pagar as passagens e minhas cópias”, explicou.

Hoje, depois de formada, Vanessa trabalha como professora e está planejando investir novamente em vender doces. Os esforços do casal estão corretos para o economista Dernizo Pagnoncelli, do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Segundo ele, todo esforço é válido para complementar a renda, mas é necessário que isso não atrapalhe a principal função.  “Caso seja possível, procure melhorar na sua profissão, busque ter um diferencial. A busca pela receita adicional deve ser feita para que a pessoa não fique endividada”, explica.

O economista conta ainda que essa segunda ocupação deve ser feita em cima de alguma habilidade da pessoa e de acordo com a necessidade do momento. “A lei da oferta e da procura se aplica nesse momento, deve-se parar e refletir sobre qual a necessidade do local onde a pessoa vive e trabalhar com algo que seja necessário para aquelas pessoas”, contou. 

Outra opção para ganhar um dinheiro extra é levar o trabalho para casa. Bruna Felisardo, que trabalha em um salão de beleza, conta que em um horário alternativo e aos finais de semana ela faz unhas e sobrancelhas em casa, aumentando sua clientela. “Já faço isso há um tempo e tenho minhas clientes fixas”, disse.
Para manter a clientela, Bruna congelou os valores cobrados. Ela afirma que ainda não aumentou os preços este ano para que, mesmo em tempos de crise, ela não perca as suas fiéis clientes. 

Por que nós estamos vivendo esta crise?

Vários motivos estão relacionados à atual crise do pais, mas é possível citar alguns como sendo principais para a crise. Um primeiro motivo é o fato de, neste momento, outros países também estarem sentindo os efeitos de crises atravessando momentos difíceis, como o Grécia e a China, este último, principal parceiro comercial do Brasil. 
Isso acaba causando uma impossibilidade de investimentos por parte do governo, o que está levando o país a uma grande perda na competitividade em ambientes internos e externos. 

O governo vem tentando, sem sucesso, uma reação com um planejamento estratégico na economia. Medidas emergenciais estão sendo adotadas para tratar a redução da crise econômica. Dentro deste quadro adverso, Ruy Santacruz, professor de economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirma que o principal a ser feito neste momento é adiar o consumo. Com as taxas de juros nas alturas, a primeira providência a ser tomada é analisar se a compra é realmente necessária ou se é possível aguardar um melhor momento da economia. Uma maneira indicada por ele é buscar amigos ou familiares que tenham dinheiro investido em cadernetas de poupanças para pedir emprestado. “Fazendo esse ‘empréstimo amigo’, em vez de pagar ao banco enormes taxas de juros, o tomador do dinheiro pagará apenas o rendimento que existiria caso esse dinheiro continuasse aplicado na poupança, o que é muito menor”, explicou ele.  

Para 2016 o professor aconselha que sejam criadas poupanças defensivas, para o caso de algum grande imprevisto ou até mesmo a perda do emprego. O consumidor que estiver prevenido não irá ficar ainda mais endividado.  

 Sobre quem entra para o mercado informal para tentar driblar a crise, o economista explica que esse não seria o melhor momento. “Com os consumidores comprando menos, investir em um comércio informal pode acabar sendo um novo meio de contração de dívidas, o melhor momento para começar a abrir um negócio seria após o fim da crise”, concluiu.