NITERÓI/RJ
Min:   Max:

Tempo de (re)começar

Na Estação do Aprender, o primeiro dia de aula acontece em dois momentos: para os alunos antigos e, no dia seguinte, para os novos

Foto: Lucas Benevides

Existe um período que se torna marcante e preocupante nas vidas das mães, pais e demais tutores de uma criança: a volta às aulas. Como devem ser os preparativos para esse retorno à rotina? E a compra de materiais? E se a criança estiver indo pela primeira vez ao colégio ou trocando de escola? Para todas as dúvidas há uma imensidão de soluções e formas de orientar os responsáveis nesse momento, além de amenizar a ansiedade que acaba acometendo toda a família, principalmente as de “primeira viagem”. Especialistas garantem que os colégios estão preparados para dar todo o suporte necessário e proporcionar a construção de uma rede de comunicação e elo entre pais e escola em prol do melhor desenvolvimento dos pequenos. 

No caso de alunos que estão chegando na escola pela primeira vez, o Centro Educacional Estação do Aprender, em Santa Rosa, elaborou um método bastante receptivo: são realizados dois dias de início das aulas. O primeiro é para os alunos antigos, pensando justamente na euforia da volta para encontrar os amigos, conhecer os professores e contar as novidades. Neste dia, o professor fala sobre os alunos novos que irão chegar no dia seguinte e a turma prepara cartões, presentes e uma festa junto à equipe de nutrição para receber os novos amigos.

No outro dia, quando os novos chegam, toda a escola está enfeitada à espera. A recepção é calorosa e, normalmente, de acordo com a psicóloga da escola, pós-graduada em Neurociência da Aprendizagem pela UFRJ, Fernanda Pintas, os novos alunos se integram e se adaptam rapidamente porque se sentem acolhidos. Os antigos são orientados e incentivados a ajudarem os novos com a rotina, deslocamento pelo espaço e com a apresentação dos funcionários em geral. 

“Antes do dia da chegada, recebemos as famílias individualmente numa anamnese para conhecê-los. Fazemos também um encontro com a criança para avaliar e conhecer suas facilidades e dificuldades. Acreditamos que conhecê-los previamente nos ajuda a recebê-los melhor, além de darmos um atendimento mais assertivo. Depois, fazemos também uma reunião apenas com as novas famílias para apresentar a equipe e passar informações sobre a escola. Essa reunião é separada, pois reconhecemos que as dúvidas dos novos são diferentes das famílias que já estão conosco, assim se sentem mais à vontade para perguntar e esclarecer”, explica Fernanda.  


.
 

Marilza Guimarães Monnerat e Eliezer Pontes, diretora e coordenadora-geral, respectivamente, da Cirandinha Creche Escola

Foto: Lucas Benevides

Investir em um corpo docente e em uma equipe técnica pedagógica com profissionais de todas as áreas, não só do conhecimento, mas de toda a dinâmica de suporte à criança e às famílias, é a estratégia há mais de 50 anos no Cirandinha Creche Escola, em Icaraí, especializado em educação infantil, de 4 meses a 7 anos. Com cinco faculdades, quatro mestrados e o cargo de supervisora do Ministério da Educação, Marilza Guimarães Monnerat, 78, diretora da escola, conta que seu sonho sempre foi trabalhar com educação infantil, do berçário à alfabetização.

“A criança nasceu para ser feliz. Todas têm o direito de brincar e ter uma infância por inteiro. Recebemos a criança com muito amor e carinho para que ela se sinta amada. O importante é saber respeitá-las”, comenta Marilza, também responsável por fazer toda a metodologia baseada na Linguística, Neurolinguística e Neurociência, contando com o suporte da diretora pedagógica Karla Cristina Guimarães Monnerat, 50, e da coordenadora-geral Eliezer Pontes Costa Amendoeira, 45.
“A base da educação é o encantamento. Não se educa sem se encantar”, pondera Eliezer. 

Outra dica da psicóloga Fernanda Pintas, do Centro Educacional Estação do Aprender, é manter as famílias informadas, enviando a lista de material individual com antecedência à data de início das aulas e na semana anterior ao início. 

“Também acolhemos as famílias em um encontro para apresentar as novidades da escola e a equipe que irá acompanhar as crianças naquele ano. Neste momento, os pais têm contato direto com os professores, tiram dúvidas e conhecem a sala do filho. Quando chega o dia de começarem as aulas, os pais se sentem seguros, passam tranquilidade e conversam com os filhos, vivendo esse momento de maneira mais prazerosa e com menos ansiedade”, afirma Fernanda, que conta com a colaboração da diretora e nutricionista Lucimere Jardim para a coordenação das atividades da escola.



Caroline Neder, que se organiza para tirar férias sempre em janeiro – coincidindo com as da filha Joana, de 5 anos

Foto: Lucas Benevides

MATERIAL ESCOLAR
A economista Maria José Fróes Feres explica que é importante os tutores checarem com cuidado e atenção os itens da lista enviada pelas escolas.

“É fundamental, ainda, incluir os que não constam na lista, mas que serão necessários para a vida escolar dos filhos, como, por exemplo: mochilas, uniformes, tênis, materiais de apoio. Quanto mais completa estiver a lista, mais proteção contra gastos inesperados”, argumenta.

Nem todas as mães são como a advogada Caroline Ramalho Neder, 41, mãe de Joana Neder Quaresma, de 5, que já tira de letra todo o preparativo de volta às aulas. Ela começa a se programar agora em meados de janeiro porque, como a Joana está matriculada desde o berçário, quando tinha 8 meses, já tem essa rotina no Cirandinha Creche Escola. A mãe se programa de entrar de férias também nesse período para ajudar na organização em casa e curtir a filhota.

“Essa fase de início de ano não me apavora mais. A compra dos materiais se tornou parte da rotina. Já temos tudo preestabelecido, tanto o que vem na lista, quanto o que vamos gastar. Está integrado ao orçamento. Só tenho uma filha, então não é tanta coisa para comprar. Temos a lista de material, uniformes, que, por muitos anos, continuam o mesmo. Para quem tem mais filhos pode ser mais complicado. Nós já estamos bem-inseridos no contexto”, admite bem-humorada: “Desde o ano passado, ela não fica na colônia de férias o mês todo, aí vai chegando o meio do mês de janeiro e ela já começa: ‘mamãe, estou com saudade das minhas amigas, das minhas tias, quando começam as aulas?’. Agora, ela já está adaptada ao colégio. Isso é muito importante porque é quando deixamos o filho no colégio e saímos com tranquilidade para trabalhar”. 

Por volta do dia 20, Joana volta à escola para o finalzinho da colônia – que funciona de 7h às 19h –, mesmo período em que Caroline volta ao trabalho. Nesse momento, a pequena já retorna aos horários e à rotina de acordar cedo e não sofrer tanto com o início das aulas. Para a colônia, os alunos vão para a escola sem uniforme, não têm dever de casa, logo, a ideia de “férias” fica bem viva. A agenda permanece por conta de possíveis recados, como medicação a tomar. 
“Só de ter piscina no colégio, as crianças acham que estão em um clube, um parque. Às vezes, vem um pipoqueiro. Joana se diverte muito”, conta a mãe. 

O Centro Educacional Estação do Aprender também oferece colônia de férias com atividades diversas para a criançada. As aulas começam na primeira semana de fevereiro.
“Acreditamos que manter a escola aberta, favorecendo o contato durante as férias, também mantém os pais menos ansiosos. Por isso, oferecemos colônia de férias, secretaria funcionando, coordenação fazendo entrevistas com pais novos, anamneses, preparando todos os detalhes para começarmos o ano letivo”, conta. 

AUTOCONFIANÇA
Além das atividades práticas, existem as demandas psicológicas dessa criança. A escola é um importante espaço que atua para fortalecer a independência e segurança da criança que está sendo inserida a uma comunidade pela primeira vez, sua segunda instituição depois da família. A psicóloga Fernanda Pintas acredita que cada caso deve ser estudado e avaliado individualmente, considerando a faixa etária, história de vida, motivo da mudança, no caso de ser novata na escola, entre outras questões.

“Na escola, a criança inicia suas relações sociais. Ela conhece regras de convívio, o respeito ao próximo, percebe que as pessoas são diferentes e agem diferentes, aprende diversas formas de se relacionar, a lidar com regras, frustrações, enfim, com seus sentimentos e emoções. Este é um exercício diário que vai acontecendo, conforme a criança vai interagindo com o espaço e com as pessoas. Na medida em que se torna mais autônoma, se sente mais segura e confiante”, explica.

 

ECONOMIZE NA COMPRA DO MATERIAL ESCOLAR

A economista Maria José Fróes Feres dá dicas do que é imprescindível nesse momento para que os pais gastem menos com a lista de compras da escola dos filhos atendendo às necessidades dos filhos e das escolas:

* Planejar-se já no ano anterior. Mesmo que com valores pequenos, organizar uma poupança a partir do ano anterior é uma ótima medida para não se apertar muito;

*Checagem da lista de material - quanto mais completa melhor;

*Pesquisa de preços – alguns preços costumam variar muito de um lugar para outro. Antes de comprar a primeira borracha, pesquise, pesquise, pesquise;

*Programação das compras – se possível, realizar as compras aos poucos;

*Não se apegar a marcas – normalmente as marcas mais famosas são mais caras e isso compromete o orçamento final;

Muito diálogo na família para que todos estejam comprometidos com a otimização das compras do material, sem gastos por fora. 
Apenas uma pessoa ficar responsável é ainda melhor.

Scroll To Top