NITERÓI/RJ
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A despedida de um hexacampeão

Com três décadas de serviços prestados ao bodyboard, Guilherme Tâmega busca vitória em Itacoatiara para fechar com chave de ouro a sua carreira

Divulgação / Kevin Starr Photography


Em dezembro de 1985, a Praia de Itacoatiara revelava, aos 13 anos, um bodyboarder que chegou na sua primeira final no evento em Niterói, ficando em segundo lugar do torneio que teve Paulo Esteves como campeão. Anos mais tarde, o jovem carioca se tornaria uma lenda do esporte e quis o destino que o palco da apresentação fosse o mesmo da aposentadoria.

Quando a janela para o Itacoatiara Pro 2015, que tem o apoio da Secretaria de Esporte e Lazer de Niterói, estiver aberta entre os dias 2 e 12 de julho, será o último ato de Guilherme Tâmega como atleta profissional, jornada essa que durou nada menos que três décadas e teve como mais expressivas conquistas seus seis títulos mundiais (94, 95, 96, 97, 01 e 02).

“Nem pensei em ser o último e me aposentar na praia que tudo começou, pura coincidência, essa etapa poderia ter sido Chile, poderia ter sido qualquer outra, mas será justamente em Itacoatiara e na hora que eu quero. Foi onde começou tudo, exatamente em dezembro de 85 que minha carreira começou a deslanchar nas ondas de Itacoatiara e estou finalizando no mesmo palco, é a vontade de Deus”, comentou.

Com tanto tempo no circuito mundial, Tâmega, que possui um nato instinto vencedor, revela não ter mais o mesmo ânimo de antes para competir e, isso, somado à dedicação à família, fizeram o campeão tomar a decisão de parar aos 42 anos. 

Sobre as três décadas dedicadas ao esporte, Guilherme resume os anos de trabalho em uma palavra: alucinante. 

“Foi alucinante, tenho mais coisas boas do que coisas ruins na carreira e isso supera qualquer vacilo que eu possa ter dado e eu faria tudo da mesma maneira. Foi uma senhora viagem de avião onde estive mais em cima que embaixo”, avaliou. 

Por falar em vitórias, Pipeline, assim como Itacoatiara, ficará marcado nas memórias de Tâmega. Não pelo fato dele morar no Hawaii com sua família e sim por ter a lendária praia como palco da sua maior vitória e derrota mais dolorida. 

“A vitória mais marcante foi o meu primeiro título mundial em 1994 com Pipeline clássico de 15 pés! Levei 10 unânime, foi o momento mais mágico da minha carreira. O mais dolorido foi na disputa pelo meu quinto título mundial em 1999, quando um detalhe aqui em Pipeline, uma onda que eu deixei passar, me custou o campeonato”, recorda o brasileiro. 

Referência de um esporte onde a união dos atletas mantém viva a modalidade que sempre sofreu e segue sofrendo com problemas de investimento, Tâmega sabe que todas as suas conquistas não fazem diferença quando uma bateria começa, mas espera colocar a sua experiência e talento à serviço da história, uma vez que o Brasil ainda não possui um campeão no Itacoatiara Pro e o campeão pretende quebrar a escrita e fechar com chave de ouro a sua história no esporte. 

“Minha expectativa é fechar com chave de ouro. Não entro em campeonato pensando em participar. Às vezes, mais preparado, outra vezes, menos, mas a expectativa é sempre a mesma! Vou dar o máximo, quero fazer coisas acontecerem e acho que estou devendo, para mim, essa vitória”. 

Com a certeza de que o futuro do esporte é iluminado, Tâmega de certo seguirá ligado ao esporte. O atleta, que possui uma marca de pranchas e uma escolinha em Copacabana, terá mais tempo não só para cuidar da família, mas também para seguir surfando, em picos que os compromissos de anos não permitiram, como na África do Sul, país que forneceu um grande número de rivais a Guilherme Tâmega. Apesar de ele ainda não conhecer a onda deles, garantiu que um dia surfará.  

Contudo, antes dos planos pós-carreira, as areias de Itacoatiara devem ficar lotadas na expectativa do público para ver Guilherme Tâmega desfilando seu talento em seu último torneio. Momento raro e que, de certo, entrará para a história do bodyboard.

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