NITERÓI/RJ
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Cubango fecha Série A com chave de ouro

Escola de Niterói retratou os ex-votos, os presentes dados pelo fiel ao seu santo

Foto: Douglas Macedo

Com a dificuldade de animar a Marquês de Sapucaí depois de uma noite inteira de desfiles e o agravante de uma chuva fina que caía na avenida, a Acadêmicos do Cubango fez bonito e empolgou a comunidade niteroiense que aguardou até o final. Uma das favoritas da Série A em 2019, a escola de Niterói apresentou o enredo “Igbá Cubango: a alma das coisas e a arte dos milagres”, uma homenagem à memória da agremiação e às raízes africanas. O prefeito em exercício de Niterói, Paulo Bagueira, fez questão de comparecer ao desfile e cantar o enredo junto à escola.

Surpreendendo desde o ano passado, a dupla de carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora vem dando uma nova estética à escola de samba sem esquecer a identidade da Cubango. O enredo deste carnaval tratou dos os ex-votos, os presentes dados pelo fiel ao seu santo, muitas vezes por uma graça alcançada. O desfile pode ser considerado uma continuidade do enredo do ano passado, sobre Arthur Bispo do Rosário.

“A expectativa [pelo desfile] é muito grande, pois é um trabalho extenso que desenvolvemos desde abril até agora, na entrega dos carros e das fantasias, quando não depende mais da gente. Só temos que acompanhar e torcer para que a Cubango faça um ótimo desfile”, disse Gabriel, antes de entrar na avenida.

Bora complementou ressaltando a lista de atribuições da dupla, todas entregues para que a Cubango estivesse pronta para agitar o Sambódromo.

“Espero que a escola faça um ótimo desfile, que honre esta memória que estamos contando”, desejou.

Tranquilo mesmo momentos antes de entrar na avenida, o presidente da Cubango, Rogério Belisário, se mostrou confiante com o carnaval desenvolvido pela agremiação, afirmando que a escola estava grandiosa neste ano.

“Estamos com um carnaval grandioso e viemos para brigar por esse título. Desde 1985 que a gente vem, vem, e nunca aconteceu nada. Espero que neste ano aconteça, temos muita confiança”, exclamou.

A última alegoria expressava a ideia de que a religiosidade popular resiste e re-existe

Foto: Douglas Macedo

Presença assídua nos desfiles da escola de Niterói, o prefeito em exercício, Paulo Bagueira, cantou e torceu ao longo de toda a evolução da Cubango na Passarela do Samba. Para ele, o compromisso da agremiação não é só com Niterói, mas com todo o Brasil.

“A cubango sempre foi e é uma grande escola que disputa o título do carnaval. A escola tem mostrado um compromisso com a cultura do samba no Brasil, estou muito otimista do resultado. Viva Cubango”, finalizou.

Com boa evolução e sem prejuízos no desenvolvimento do desfile, a bateria Folgada da Cubango, comandada pelo Mestre Demétrius Luiz chamou atenção nas duas paradinhas feitas durante o samba. Ainda no primeiro recuo, com os tamborins e repiques aquecidos, Demétrius afirmou não ter dúvidas que a escola faria uma boa evolução.

“Vamos fazer tudo o que ensaiamos tanto”, adiantou.

À frente dos mais de 200 ritmistas, a niteroiense Maryanne Hipólito estreou no cargo de Rainha de Bateria da verde e branco mostrando muito samba no pé. Emocionada, Hipólito relembrou sua história com a escola e não se abalou com a chuva que caiu justamente no momento em agremiação desenvolvia na Marquês de Sapucaí.

“Ensaiei três meses sem parar, estou preparada para tudo, chuva, sol e até tempestade… [ser rainha] é uma emoção indescritível. Fui passista mirim, musa e hoje estou como rainha, é muita história, todo um trabalho, não tenho nem palavras”, disse, emocionada.

Desfile

As fitas do Nosso Senhor do Bonfim, compradas e benzidas na Bahia, deram o toque em uma das alegorias. A dupla carnavalesca abusou da criatividade e misturou elementos reais ao dl universo carnavalesco. A fantasia das baianas e o abre-alas surpreenderam trazendo pipoca de verdade para a avenida. A farofa da ala dos ebós também foi feita com farinha de verdade.  Serragem e argila também compuseram as criações.

O desfile foi dividido em quatro momentos. O primeiro setor relacionou os ex-votos com a história da própria Cubango. Depois de 40 anos, a verde e branco lembrou o desfile “Afoxé”, que deu o tetracampeonato quando a escola ainda disputava o carnaval de Niterói.

O carro abre-alas foi levado para a avenida com um grupo coreografado por Alex Coutinho, que já passou pela Paraíso do Tuiuti e foi passista da própria Cubango. O grupo fez uma performance voltada para a dança afro.

O segundo carro alegórico sintetizou a mistura do Brasil, com várias religiões e crenças. Neste segundo setor, o público identificou os objetos utilizados pelos fiéis para pedir proteção. Os ex-votos, tema central do enredo, apareceu no terceiro setor. Cada lugar do Brasil com peregrinações religiosas ganhou espaço na homenagem, como Juazeiro e Guararapes. Nessa alegoria os ex-votos foram doados pela própria comunidade.

A exploração da fé pelo interesse financeiro encerrou o desfile da Cubango no último setor, provocando a reflexão do público.

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