Linhas que cruzam a Ponte se tornam alvos de criminosos

Polícia
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Caso foi registrado na 76ª DP. Vítimas contaram que ônibus estava lotado e que motorista foi ameaçado o tempo todo

Lislane Rottas/colaboração

Passageiros de ônibus que atravessam a Ponte Rio-Niterói estão sofrendo com frequentes assaltos e vivendo momentos de terror. Além de terem seus pertences roubados, as vítimas costumam ser ameaçadas de morte por bandidos armados, que têm adotado a prática de sequestrar os coletivos, desviando-os de suas rotas. O destino quase sempre é um local de fácil acesso a favelas dominadas por traficantes. Um dos últimos assaltos aconteceu na manhã desta quarta-feira (6). As vítimas da vez foram passageiros de um ônibus da Viação Mauá que fazia a Linha 100 (Castelo-Niterói). 

Armados, os bandidos agiram por volta das 8h, após embarcarem na altura do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), na Zona Portuária do Rio. Depois de fazerem a limpa nos passageiros, os criminosos obrigaram o motorista a sair da rota. Ao invés do coletivo seguir para o Terminal Rodoviário João Goulart, no Centro de Niterói, ele acabou sendo levado para a Avenida do Contorno, no Barreto. Lá, os assaltantes desembarcaram próximo a um supermercado e a um dos acessos à comunidade Buraco do Boi.

As vítimas registraram a ocorrência na 76ª DP (Centro). Elas contaram que o ônibus estava cheio e que durante todo o trajeto pela Ponte Rio-Niterói o motorista foi ameaçado.

“Eram dois bandidos que estavam na fila [de embarque] normalmente. Um deles, inclusive, foi o último passageiro a embarcar no ônibus. Depois que todos subiram, um deles anunciou o assalto com a arma apontada para o motorista e o outro passou na roleta e foi recolhendo os pertences das pessoas. Eu estava vindo do trabalho com uma mochila grande que eles usaram para colocar os roubos. A gente vem cansado do trabalho e tem que passar por uma situação dessa”, desabafou uma vítima. 

Em nota, a PM informou que o policiamento na região do embarque é intensificado por policiais do 4º BPM (São Cristovão). A nota diz ainda que “no entorno do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), o 4º BPM mantém a presença ostensiva, no horário apontado nos estudos da mancha criminal. O comando adiantou também que destaca uma equipe de policiamento para atuar exclusivamente no interior dos coletivos, entre o Into e a Av. Presidente Vargas, com o objetivo de reduzir a incidência de crimes nessa área”. Ainda de acordo com a nota, a PM destacou a importância do registro das ocorrências nas delegacias, para que o estudo da mancha criminal possibilite novas estratégias de policiamento.

Memória – Na tarde do último dia 29, um ônibus da Viação Pendotiba que fazia a Linha 770 (Itaipu-Marechal Floriano) foi sequestrado na altura da Zona Portuária, quando seguia para Niterói. De acordo com passageiros, uma mulher e três homens armados entraram no ônibus por volta das 12h45 e anunciaram o assalto, desviando o coletivo da rota e obrigando o motorista a seguir para a favela Vila do João, no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. Lá, os passageiros tiveram os pertences roubados pelo grupo. Depois do crime, os bandidos liberaram o coletivo para voltar ao seu itinerário. 

Dois dias antes, um outro coletivo também já havia sido desviado da rota e levado para o mesmo local por criminosos. Na ocasião, três bandidos roubaram o ônibus da Viação Fagundes que fazia a Linha 721 (Botafogo- Alcântara).

Procurado, o Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário do Estado (Setrerj) não se pronunciou até o fechamento desta edição.