NITERÓI/RJ
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Ciclistas cobram ações de candidatos em Niterói

Cerca de 100 ciclistas participaram do encontro que contou com candidatos de Niterói.

Foto: Vinícius Rodrigues / Colaboração

Os candidatos à Prefeitura de Niterói se reuniram na manhã deste domingo (11) na Avenida Jornalista Alberto Francisco Torres, em Icaraí, para formalização de compromisso com ciclistas de Niterói com fomento e incentivo de políticas públicas no uso de bicicleta na cidade. O compromisso segue a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), que desde 2012 determina a “prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado”, indicado aos gestores públicos uma linha de ação. 
 

Ao final do percurso os candidatos assinaram um compromissão de intenções

Foto: Vinícius Rodrigues / Colaboração

O encontro teve início por volta de 09h30 no Cicloponto, que fica na altura da Praça Getúlio Vargas. Dani Bornia (PSTU), Felipe Peixoto (PSB), Rodrigo Neves (PV), Flávio Serafini (PSOL) e pelo menos 100 ciclistas fizeram um percurso, todos de bicicleta, saindo da avenida e seguindo pela Rua Álvares de Azevedo, Moreira César, Presidente Backer, Avenida Roberto Silveira, Marquês de Paraná e Jansen de Melo, no Centro - um dos locais considerados mais críticos pelo alto índice de acidentes, segundo o grupo Pedal Sonoro, organizador do encontro. O encontro terminou na Avenida Visconde do Rio Branco, onde os candidatos assinaram a carta compromisso.  

Para Luís Araújo, um dos coordenadores do movimento, o prefeito ou prefeita que assumir a Prefeitura de Niterói em 2017 estará no comando de uma cidade com graves problemas de mobilidade urbana, que comprometem a qualidade de vida da população: “A utilização da bicicleta como meio de transporte é uma realidade em importantes cidades ao redor do mundo: Nova Iorque, Paris e Bogotá são apenas alguns exemplos. Técnicos, gestores e urbanistas recomendam a inclusão definitiva deste modal nas políticas urbanas”, defendeu. 

“Fazemos questão de reforçar hoje nosso compromisso cotidiano com uma cidade mais humana e comprometida com a vida das pessoas e o meio ambiente. Uma política efetiva para bicicletas é parte fundamental do nosso programa de transformação da mobilidade urbana em Niterói”, disse Flávio Serafini.  

Já Dani Bornia contou que o trabalhador niteroiense encontra dificuldades para se locomover para o trabalho: “Às vezes o desempregado não tem dinheiro da passagem para procurar emprego e isso é muito complicado. Se agrava ainda mais quando ele não encontra caminhos alternativos ou estrutura para ir de bicicleta. Toda política pública deve ser pensada no trabalhador”, defendeu.  

Felipe Peixoto disse que mobilidade ativa é o futuro: “Precisamos sempre pensar propostas para os ciclistas. Além de ser uma hábito saudável, andar de bicicleta favorece a mobilidade urbana e o meio ambiente. Enquanto estive na Sedrap criei o 'Pedal Cultural' e o projeto de 'De bike para o trabalho'. Pedalar é um hábito saudável que vem conquistando cada vez mais adeptos”, disse. 

Já Rodrigo Neves afirmou que o seu governo está priorizando o transporte coletivo e o uso da bicicleta: “Vamos continuar nessa direção para que Niterói tenha uma mobilidade urbana mais eficiente e sustentável. Em nosso mandato duplicamos a malha cicloviária e até o final do ano teremos 20 km de ciclovias. A meta para o próximo mandato é chegar a 57 km”, prometeu. 

Compromisso – A carta assinada pelos candidatos tem um total de 10 itens e foi elaborada pelo Pedal Sonoro, Associação dos Docentes da UFF (ADUFF), Bike Anjo Niterói, Conselho Comunitário da Orla da Baía de Niterói (CCOB), Ecoando – Ecologia e Caminhadas, Instituto de Arquitetos do Brasil / NLM, Mobilidade Niterói, Niterói Para Pessoas, Observatório da Região Oceânica e Ponto Org. 

Entre as reivindicações está a destinação do orçamento específico e progressivo para a ciclomobilidade e a criação do “Conselho Municipal de Transportes e Mobilidade”.

Confira as medidas previstas no compromisso:

1) Cumprir as determinações do PNMU (Lei 12.587/2012), Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/1997) e Estatuto da Bicicleta (Lei Municipal 2832/2011), concedendo prioridade ao transporte coletivo, à mobilidade ativa e integração intermodal;

2) Ajustar, concluir e executar, de maneira gradual, o Plano Cicloviário de Niterói elaborado pela empresa TC Urbes, assegurando a participação dos usuários e a transparência do processo. Definir um cronograma para sua implantação e para o cumprimento dos prazos estabelecidos;

3) Destinar orçamento específico e progressivo para a ciclomobilidade;

4) Criar o “Conselho Municipal de Transportes e Mobilidade” para estabelecer mecanismos efetivos de diálogo sobre programas, projetos e ações de interesse dos ciclistas e pedestres, garantindo a participação da sociedade civil, assim como de organizações e coletivos, ainda que não formalizados;

5) Construir novas infraestruturas e aprimorar as existentes, essenciais para o deslocamento de pedestres e ciclistas (malha cicloviária, sinalização, faixas de pedestre, calçadas etc). Valer-se das intervenções urbanas e viárias, periódicas ou não, para a inclusão dessas estruturas, de forma a aumentar a segurança das pessoas;

6) Realizar, periodicamente, em todas as regiões da cidade, campanhas de educação / conscientização para o trânsito, direcionadas a motoristas (profissionais ou não), ciclistas e pedestres, informando objetivamente seus direitos e deveres. Elaborar campanhas voltadas para a sociedade, esclarecendo os ganhos sociais proporcionados pela mobilidade ativa;

7) Adotar as medidas necessárias para “acalmar” o trânsito, como a redução de velocidade máxima das vias de acordo com a OMS, implantação de “zonas 30”, instalação de rotatórias, de faixas de pedestre elevadas, de sinalização etc. Na engenharia e operação do trânsito, dar prioridade absoluta à preservação da vida;

8) Implantar, com urgência, a conexão cicloviária Zona Sul – Centro – Zona Norte (Avenidas Marquês de Paraná – Jansen de Melo), por meio de estrutura segregada do trânsito de veículos motorizados;

9) Criar as condições para que se realize fiscalização eficiente, utilizando-se das tecnologias disponíveis. Ampliar a participação da Guarda Municipal na fiscalização do trânsito;

10) Adotar a promoção da mobilidade ativa como um projeto de governo, transversal, que envolva a estrutura municipal como um todo (secretarias, empresas públicas, fundações etc), a fim de garantir os recursos financeiros, técnicos e políticos para sua efetivação.

Pedal Sonoro, Associação dos Docentes da UFF (ADUFF), Bike Anjo Niterói, Conselho Comunitário da Orla da Baía de Niterói (CCOB), Ecoando – Ecologia e Caminhadas, Instituto de Arquitetos do Brasil / NLM, Mobilidade Niterói, Niterói Para Pessoas, Observatório da Região Oceânica e Ponto Org. 

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