Mobilidade, o desafio da vez

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Foto: Divulgação

Dando sequência à série de apresentações de propostas de candidatos ao Governo Estado, O FLUMINENSE aborda, nesta edição, um tema de profunda preocupação dos cidadãos do Leste Fluminense: mobilidade urbana. A realidade de quem precisa se deslocar para trabalhar, em suas próprias cidades ou para outras, é o enfrentamento diário de engarrafamentos quilométricos, passagens caras, serviços de baixa qualidade e, como resultado, cansaço acumulado e bolso mais vazio. Quem trabalha na cidade do Rio e mora na região, costuma gastar boa parte do dia tentando acessar a Ponte Rio-Niterói ou até mesmo lutando para chegar à Praça Arariboia, na estação das barcas de Niterói. Soluções para a situação, como a Linha 3 do metrô, em São Gonçalo, que teve convênio assinado há 10 anos, e o terminal das barcas na mesma cidade, que é considerado por muitos uma alternativa mais viável para o problema, foram esboçadas, mas nunca saíram do papel. Um estudo de 2017, realizado pelo economista Guilherme Vianna, em sua proposta para o Plano Metropolitano do Rio, por exemplo, indica que o deslocamento médio casa-trabalho de um morador da Região Metropolitana do Estado é de cerca de uma hora, quase o dobro dos 30 minutos considerados ideais pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE. Como conclusão, o estudo aponta que a região é a pior, em mobilidade urbana, quando comparada com todas as outras regiões metropolitanas do País.

 

Foto: Evelen Gouvêa

Para conhecer as propostas dos aspirantes ao Palácio Guanabara para a reversão deste quadro, O FLUMINENSE perguntou: Sendo a mobilidade cada vez mais indispensável para a dinâmica urbana, como será tratada a questão da Linha 3 do metrô, que vem sendo discutida há anos e sem perspectiva positiva para moradores de São Gonçalo? Há uma alternativa de se criar corredores expressos de ônibus nas rodovias estaduais que ligam Niterói a São Gonçalo, inclusive com projetos já apresentados pelo sindicato das empresas de ônibus? Vê alguma viabilidade nisto?

Já com relação ao transporte aquaviário, quais são as propostas para a tarifa social de Charitas e barcas em SG? Se por trilhos e pela Baía, o transporte não existe ou é caro, quem depende das estradas para se locomover enfrenta vias em péssimo estado de conservação. Desta forma, como fará para recuperar as RJs 100, 104 e 106? Há algum plano de privatização de algumas dessas vias? Com relação à RJ-106, existe a possibilidade de ela ser duplicada até Macaé?

Os candidatos tiveram, como acordado com todas as assessorias, mil caracteres para fornecerem suas respostas, embora utilização integral do espaço seja facultativa. Confira, ao lado, as propostas de oito candidatos sobre mobilidade urbana.

Anthony Garotinho (PRP) - O Governo Cabral e Pezão não investiu na mobilidade da Região Metropolitana. A opção pelo ônibus, para servir aos interesses da Fetranspor, transformou a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, onde vive a maioria da população do Estado, em um verdadeiro caos.
Vamos priorizar a implantação da via de superfície que numa primeira etapa ligará Niterói a São Gonçalo, com 22 km de extensão e previsão de transportar em torno de 350 mil passageiros/dia. A segunda fase se estenderá a Itaboraí e atenderá ao Comperj, ficando a linha com um total de 37,2 km. Retomaremos os estudos sobre o projeto do Lote 1 (Rio-Niterói), sob a Baía de Guanabara.
Vamos resgatar projetos e realizar estudos para implantar o roteiro de barcas São Gonçalo-Rio e reinstituir o Sistema de Transporte Alternativo Intermunicipal, organizando o transporte complementar através de vans que ligarão Niterói e São Gonçalo às principais regiões do Estado.
Vale lembrar que fiz a duplicação da RJ-106 de Tribobó a Maricá.

Eduardo Paes (DEM) - Niterói e São Gonçalo sofrem uma enorme pressão por conta da baixa integração dos transportes. É preciso implantar sistema de transporte de alta capacidade, facilitando o deslocamento dos moradores com conforto, rapidez e baixo custo.
Priorizarei soluções eficientes e duradouras, porque as pessoas não aguentam mais promessas. Quero tirar do papel a linha de barcas de São Gonçalo. Ela é viável e servirá para desafogar o trânsito e dar mais qualidade de vida às pessoas.
Outro projeto é o corredor de BRT no eixo da RJ-104, ligando Niterói à região da Manilha. A linha 3 do metrô é um sonho de consumo. Acho que pode ser um delírio neste momento prometer isso diante da situação fiscal do Estado e do Brasil. Mas este é um sonho que eu não deixo de acalentar. Incentivar políticas locais de emprego também tem impacto na melhora da mobilidade. No caso de Itaboraí e São Gonçalo, pressionar a Petrobras para retomar as obras do Comperj. Em São Gonçalo, incentivar a criação de polos industriais, para as pessoas trabalharem mais perto de suas casas.

Indio (PSD) - A proposta para a melhoria do transporte público no Estado é: mais integração e melhor funcionamento do bilhete único. E, insisto, com segurança. As pessoas hoje são assaltadas em todos os meios de transporte.
A questão da mobilidade tem que ser tratada junto com a iniciativa privada, por meio de concessão. Vou encomendar um estudo de viabilidade. As barcas de São Gonçalo são um desejo antigo de muitos. Isso vai desafogar o trânsito e trazer mais qualidade de vida aos que fazem essa travessia diariamente.
Tenho informações técnicas que dizem que não há profundidade para a barca, mas existem soluções viáveis, como, colocar embarcações que deslizam sobre a superfície em uma espécie de “colchões de ar”. Sobre a Linha 3, sabemos da necessidade, mas quem disser que vai construir mente. O Estado não tem dinheiro para fazer a obra. Eu entendo os transportes como uma das mais importantes garantias do direito constitucional de ir e vir. E se deve fazer isso ao menor custo e com a maior segurança possível.

Márcia Tiburi (PT) - Dois projetos pactuados em nível federal criarão novas oportunidades na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, diminuindo os deslocamentos: o Eixo de Desenvolvimento do Sarapuí, com macrodrenagem e linha de VLT em um parque linear, com indústrias tecnológicas e serviços de educação, saúde e cultura, ligará Nova Iguaçu à Baía de Guanabara, passando por S. J. do Meriti, Nilópolis, Mesquita, Belford Roxo e Caxias, e o Eixo Metroviário São Gonçalo-Niterói, que passará por Alcântara e reforçará essas centralidades. Os dois eixos se conectarão ao Rio por linhas sociais de barcas em São Gonçalo e Charitas.
O serviço de média distância será melhorado com linhas dedicadas entre, por exemplo, Itaipu e Fonseca. Com mais alternativas de empregos, serviços e meios de transporte, as rodovias serão recuperadas. O mais importante será retomar a gestão dos transportes na RMRJ para o Estado, integrando todos os modos e beneficiando a população com mais conforto e o uso do cartão eletrônico com tarifa social em toda a rede.

Pedro Fernandes (PDT) - O projeto dos corredores expressos será uma das prioridades. Para viabilizar vamos buscar parcerias público-privadas. Já existe um estudo para reduzir a tarifa das barcas de Charitas, passando de R$16,90 para R$9,00. Com isso vamos tirar uma grande quantidade de veículos das ruas e ainda melhorar a mobilidade da Região Oceânica e da Zona Sul, que sofrem com engarrafamentos.
A Linha 3 do metrô, sem dúvidas será muito importante para a mobilidade dessa região, mas precisamos avançar, mais uma vez, insisto, em parceria público-privada, já que o Estado, sozinho, não vai ter recursos disponíveis para viabilizar. Mas vamos buscar diálogo com o próximo presidente e ter o Governo Federal como parceiro nesse processo.
Já conversei com o Ciro Gomes (PDT) e ele assumiu esse compromisso comigo. Uma das nossas prioridades, principalmente por conta do escoamento da produção, é melhorar as nossas estradas, que é fundamental para voltar a gerar empregos e trazer empresas para o Estado do Rio de Janeiro.

Romário (Podemos) - O Rio de Janeiro tem hoje um dos piores sistemas de transporte do mundo. As pessoas perdem de duas a três horas no deslocamento de casa para o trabalho, em trem lotado, metrô lotado, ônibus lotado.
Com o Estado na situação financeira em que se encontra, tenho que pensar em um governo pé no chão. Não posso prometer o que lá na frente será difícil de cumprir porque não temos recursos suficientes. Não adianta pensar na Linha 3 do Metrô, quando a estação Gávea, da Linha 4, está parada há 3 anos, desperdiçando um mundo de dinheiro público.
Estes gastos precisam acabar para termos noção exata dos recursos que temos. A opção mais viável é a linha hidroviária para São Gonçalo. Menos poluente e mais possível do ponto de vista financeiro. Minha ideia é sentar com as concessionárias (Barcas, Supervia, Metrô) para buscar um bilhete único que seja único de verdade. Hoje, cada modal tem um sistema. Vamos buscar um bilhete único que seja efetivo para o trabalhador. Em relação às estradas, vou buscar concessões e parcerias.

Tarcísio Motta (PSOL) - Desde 2007, quando a turma do Cabral assumiu o poder, todo investimento em mobilidade buscou atender a dois grandes interesses: encher o bolso dos empresários de ônibus ou das empreiteiras da Lava Jato que controlam metrô, trem e barcas. O resultado é um serviço ruim e caro. Nós vamos tirar o transporte das mãos das máfias e retomar o controle público sobre o sistema. Esse jogo de interesses entre os poderosos precisa ser enfrentado. Vamos priorizar a ampliação do serviço de barcas até São Gonçalo e planejar as obras da Linha 3 para estender o metrô do Centro do Rio até Visconde de Itaboraí.
Além da recuperação das estradas, nosso programa prevê a implementação de corredores prioritários para transporte público, facilitando o acesso urbano e regional e combatendo graves congestionamentos. Já quanto à lei da tarifa social, vamos cumpri-la para garantir o direito ao transporte público. Sua regulamentação e aplicação terão como prioridade atender às pessoas que usam o transporte, e não ao lucro abusivo do consórcio.

Wilson Witzel (PSC) - A mobilidade urbana é um dos principais pontos da nossa gestão. Vamos inverter a matriz do transporte de massa, priorizando investimentos no transporte ferroviário. Entendemos ser totalmente viável a construção do metrô de superfície de São Gonçalo até a estação hidroviária, o que ainda não foi levado adiante por causa do monopólio das empresas de ônibus, o que não permitiremos continuar.
Entendemos que a melhor opção para a população de São Gonçalo é a implantação de uma linha hidroviávia entre a Praia das Pedrinhas e a Praça XV, já que 70% do movimento n estação de Arariboia vem de SG.
Em nosso governo, viabilizaremos a implantação do porto de águas profundas de Maricá e fomentaremos a construção do Túnel Itaipuaçu (Maricá) – Itaipu (Niterói).
Faremos ainda a readequação das linhas de ônibus intermunicipais da região. Em nosso governo, a RJ-100 e a 106 serão duplicadas. Na RJ-104 faremos um mergulhão entre o bairro Coelho e Santa Luzia, retirando o viaduto de Alcântara.