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Arte aplicada

Professor de formação, Vinícius Ferraz teve seu encontro com a marcenaria de forma incidental, há 7 anos. Hoje, desenvolve um trabalho interessante com crianças no Projeto Oficina de Criação de Bichinhos

Foto: Douglas Macedo

A marcenaria é o trabalho de transformar madeira em algum objeto ou peça decorativa. Essa técnica evoluiu da carpintaria e está mais ligada ao artístico do que a sua prima. É uma atividade onde é necessário desenvolver habilidades específicas e pode até ser uma forma de terapia ocupacional se praticada com certa regularidade. Além da profissão de marceneiro, muitas pessoas fazem trabalhos de marcenaria como hobby ou paixão pessoal.

O advogado Marcos Lucena (51) faz objetos com madeira em suas horas vagas há 40 anos. Ele aprendeu os conhecimentos de marcenaria com seu pai, pois, antigamente, até os brinquedos eram feitos de madeira. Hoje, ainda faz algo com móveis e instrumentos musicais.

“Acredito que a marcenaria é um misto de utilidade e arte. Um bom trabalho de marcenaria me causa uma satisfação muito grande. Enfim, considero a prática um meio de realização prático e espiritual”, admite.

Entre os trabalhos que mais marcaram Marcos estão um cavalete de pintura que fez para o seu filho, a restauração de um piano francês muito antigo e um bandolim.

“Os clientes ficaram tão surpresos com o resultado que a alegria deles foi minha maior recompensa. Se tivesse oportunidade, teria muito prazer em ensinar o que sei sobre marcenaria. Mas a cultura de jogar fora e comprar pronto e a escassez de madeiras de qualidade tornam essa possibilidade remota”, pondera.

Professor de formação, Vinícius Ferraz (49) teve seu encontro com a marcenaria de forma incidental, há 7 anos. Primeiro, buscou soluções para problemas caseiros e, depois, acabou tomando gosto. Tratou de comprar algumas ferramentas e buscou mais conhecimentos. Atualmente, ele desenvolve um trabalho interessante com crianças no Projeto Oficina de Criação de Bichinhos.


O exercício da marcenaria pode auxiliar no desenvolvimento de inúmeras competências

Foto: Douglas Macedo

“Me surpreendi com a receptividade das crianças. Sabemos que, em determinadas faixas etárias, a atenção delas é limitada, quando a atividade ultrapassa demais esse período, elas começam a perder o foco e se dispersam. Noto que, ao fim da oficina, elas ainda estão envolvidas de forma plena, requisitando repetir a experiência”, observa.

A proposta da oficina é um ambiente lúdico, criativo e colaborativo no qual as crianças são desafiadas a criarem bichinhos com resíduos de madeira e materiais domésticos diversos. A prática ocorre nas seguintes etapas: recepção, quando os materiais e ferramentas são revelados; apresentação da proposta; a confecção propriamente dita e, posteriormente, o batismo, quando os bichinhos ganham nomes e participam de uma seção de fotos.

“O trabalho desenvolvido nas oficinas não é de psicoterapia, embora acabe atuando como uma atividade terapêutica complementar. Obviamente que a oficina desenvolve uma série de funções psicomotoras e auxilia na formação da autoimagem da criança”, ressalta o profissional, que conta como tudo ganhou forma a partir dos resíduos de madeira de pequena escala que iam se acumulando. “Foi quando criei o primeiro bichinho. Então, comecei a fazer com frequência até ter uma coleção, apelidada de EGOS, pois cada um deles refletia sobre alguma característica que nos são raras. Cheguei até a expor no Espaço Cultural dos Correios. Por fim, orientado por uma coordenadora pedagógica, formei a oficina com crianças”.

Para Vinícius, o real valor do seu trabalho está em oferecer à criança um processo criativo lúdico, imaginativo e colaborativo em que ela necessite trocar saberes, compartilhar ideias, desenvolvendo, assim, sutilmente, uma série de competências como: autoconfiança, coragem, segurança, determinação e resolução de problemas. 

“São competências hoje em dia mais escassas num mundo de experiências práticas mais tuteladas e restritas ao mundo virtual”, lamenta. 



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