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Câncer e a autoestima

O diagnóstico de câncer de mama representa o início de uma batalha, que, felizmente, muitas vezes pode ser vencida. No entanto, esse período não precisa ser vivido apenas de expectativas e cuidados com a saúde. Especialistas afirmam que é possível, e até aconselhável, que mulheres que passam por esse tipo de tratamento, continuem se cuidando, e defendem até que a auto estima é uma aliada na recuperação. 

Diante de um diagnóstico tão difícil, só se tem duas opções: passar por isso de uma forma melhor ou se entregar. Mas a dermatologista Maria Alice Gabay, que descobriu um câncer de mama no final de 2015, lembra que quem cuida da imagem, muda a sua autoestima, e por isso, se sente mais animado para enfrentar as dificuldades da vida. 

“Eu optei por passar por isso da melhor maneira possível. Então dobrei meus cuidados com tudo que envolve saúde, física e mental: alimentação balanceada e regrada, praticar exercícios, emocional. Tudo isso está ligado também ao nosso cuidado com o nosso rosto, nossa imagem, que foi realmente foi onde eu quis mais me cuidar. Hoje eu tenho as fotos de um antes e depois e me sinto melhor, mais saudável e mais bonita do que antes. É uma escolha diária e eu escolhi me cuidar”, lembra Maria. 

Autoestima não é um auxílio, mas sim, a peça mais importante, segundo Gabay. A médica lembra que a condição gera uma sensação de bem-estar, aumenta a liberação de endorfinas, modificando toda a maneira como seu corpo vai enfrentar a situação. 

O oposto da autoestima é, por exemplo, um quadro de depressão, que diminui as resistências imunológicas frente a uma célula cancerosa. A gente precisa da autoestima para ajudar de uma maneira celular mesmo, pois ela tem uma atuação em nosso organismo onde interfere, comprovado cientificamente, em uma resposta muito maior do paciente. 

“Não tive que fazer radioterapia, que muitas vezes requer um cuidado dermatológico especial do local onde está sendo feita a aplicação, e nem a quimioterapia. Então só precisei mesmo ter os cuidados de uma cirurgia, que é o pós-operatório básico. Mas o paciente que passa por um tratamento oncológico tem algumas características especiais decorrentes da quimio e da rádio. Na área dermatológica, especificamente, existem cremes especiais que o seu dermatologista poderá orientar. 

Geralmente pacientes com câncer de mama não podem pegar sol durante o tratamento de quimioterapia e radioterapia, pois pode provocar alterações na pele, como ressecamento, ressalta o fisioterapeuta oncológico Paulo Gonçalves. 

“Por isso é muito importante fazer uso contínuo do protetor solar e de hidratantes corporais. Com relação a exercícios físicos, a paciente não está impedida de praticar, desde que esteja bem, com a imunidade normal. Caminhar três vezes na semana ou fazer pilates, e até mesmo a musculação e exercícios ergométricos melhoram a qualidade de vida, pois minimizam o sobrepeso, que é um dos fatores de risco de câncer de mama, já que a gordura favorece o câncer”, destaca Paulo. 

O apoio da família e de amigos é sempre importante para que a mulher com câncer de mama se sinta bem e busque se cuidar, destaca o Gonçalves. 

“Quanto a tratamentos estéticos, não há nenhum impedimento, desde que não tenha um fator irritante. Pode fazer limpeza de pele, abusar da maquiagem, e tudo mais que a faça se sentir mais bonita.Também é possível tirar o foco da queda de cabelo e prestar atenção em outros pontos que se pode valorizar na própria beleza. Vale perucas, apliques, chapéus, lenços, entre outros. O mais relevante é ter uma autoestima elevada para não ficar deprimida e acreditar que pode vencer a doença”, conclui Paulo.

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