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Com tudo em cima

O militar aposentado Dario de Paula é um excelente exemplo dos benefícios da atividade física. Aos 77 anos, malha e corre até hoje

Foto: Arquivo Pessoal

Se exercitar faz bem, isso é fato. As pessoas estão cada vez mais procurando se manter bem com seu corpo. Com isso, o número de academias no País só vem crescendo. Segundo os dados da Associação Brasileira de Academias (Acad), existem hoje aproximadamente 31.800 academias em todo o Brasil, com cerca de 8 milhões de alunos, fazendo, assim, o Brasil ser o segundo maior País com maior número de academias por habitante, e o maior da América Latina. Mas quem pensa que apenas os jovens sarados e marombados podem frequentar academias se engana, uma grande parcela da terceira idade vem aderindo à vida fitness, na verdade, cerca de 30% das pessoas que frequentam têm mais de 60 anos.  

“A musculação é uma atividade essencial para os idosos, pois, dentre seus principais resultados, estão a hipertrofia e o aumento da densidade mineral óssea, combatendo, desta forma, as diminuições da massa muscular e da densidade mineral óssea, além, é claro, da redução das taxas hormonais, como, por exemplo, a testosterona, que acontecem efetivamente com os idosos”, relata Daniel Leão, professor de Educação Física e especialista em treinamento de força e personal. 

O militar aposentado Dario de Paula é um excelente exemplo disso. Aos 77 anos, malha e corre até hoje.

“Comecei a malhar por volta de 1992, mas, como eu era militar da força auxiliar, sempre me exercitava bastante, correndo, saltando, jogando bola, enfim, fazendo as disciplinas do dia a dia no quartel. Quando terminou meu tempo de serviço na junta militar, comecei a fazer muitas atividades esportivas e ir à academia”, conta Dario, que começou a se apaixonar pela corrida quando um amigo o convidou a participar de um circuito de rua. “São Sebastião era o nome! Foi em 2004, a partir dali não parei mais”.

Ano passado, Dario teve hérnia de disco, atrapalhando bastante seus exercícios. 

“Fiquei com muita dificuldade para andar. Ainda assim, não parei totalmente, continuei malhando de forma reduzida, sempre com acompanhamento médico. Tenho que dar importância à idade, e não à vaidade.” 

Hoje, apesar de ainda não estar correndo, ele já se sente muito melhor.

“Não tenho mais a energia que tinha quando jovem, percorro a mesma distância, em um ritmo menor, claro, mas cada dia que passa o tempo do percurso aumenta.

Enquanto papai do céu me der vigor, disposição e saúde, eu vou continuar. Isso é a minha vida”, declara o ex-militar.

O clínico geral e presidente do Instituto Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (IBMEV), Lucas Medeiros, explica que, com o passar dos anos, o idoso pode declinar a estrutura muscular a uma condição extrema conhecida como sarcopenia, que é a perda muscular de tal intensidade que gera doença.

“A partir dos 30 anos, começamos a perder de 3% a 5% de massa muscular por ano. A musculação é muito bem-vinda, desde que acompanhada por profissional de saúde. Para os idosos, ela permite a preservação dessa musculatura que é importante para evitar doenças metabólicas, como diabetes, e até ajudar na prevenção de quedas, que são perigosas e tão comuns nessa idade”, conta Lucas.

O profissional ainda ressalta que, apesar da prática da musculação ser extremamente benéfica ao idoso, ela pode facilmente ser substituída por um esporte por exemplo.

“Muitos idosos não se sentem atraídos pela ideia da musculação na academia. A mensagem é: qualquer exercício em que haja uma resistência ao movimento, que chamamos de exercício anaeróbico, é suficiente para melhorar em algum grau a musculatura. Podemos encontrá-los em esportes, na musculação mais formal de academia ou mesmo em exercícios informais dentro de casa, como o levantar e sentar de uma cadeira, em que a própria ação da gravidade é a resistência e o estímulo para hipertrofia dos músculos do quadril e da coxa. Sempre com orientação do profissional de saúde”, finaliza. 

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