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De volta à sala de aula

Servidora da UFF há 24 anos, mãe de dois filhos e com cinco netos, Iara Rohan, de 62 anos, cursa o último período de Jornalismo na Universidade Anhanguera, em Niterói

Foto: Lucas Benevides

Por Ana Luisa Marques

A população idosa no Brasil já era considerada a quinta maior do mundo em 2016, segundo o Ministério da Saúde. O resultado do Censo-2016 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) mostra o aumento de pessoas com a idade superior ou igual a 60 anos matriculadas em curso de graduação, seja presencial ou a distância, é de cerca de 24 mil, o maior número até agora.

Professor de Biblioteconomia da Unirio, Alberto Calil Junior acredita em uma mudança no perfil discente que observou durante todos os seus anos atuando em universidades públicas desde o fim dos anos 80. Alunos de diferentes grupos socioeconômicos tiveram acesso à universidade pública e os idosos estão nesse grupo.

“Nesse sentido, hoje temos uma universidade que é mais rica e plural, pois oferece a oportunidade a docentes e discentes do contato com o ‘outro’, não apenas do ponto de vista teórico, mas no cotidiano”, afirma o professor.

Claudio Callil Assem, de 62 anos, é um deles. Cursa o segundo período de Engenharia Agrícola Ambiental na modalidade presencial da Universidade Federal Fluminense (UFF). A história de Claudio é como a de muitos idosos. Morador de São Cristóvão, Zona Norte do Rio, aposentado, casado e com um filho de 24 anos, retornou aos estudos após uns anos de dedicação à família e à saúde.

“Fiz até o terceiro de ano de Matemática, mas perdi uma das minhas visões e parei de estudar. Junto, tinha a família e o filho para cuidar”, relata Claudio. 

Aos 62 anos, Claudio Assem está no segundo período de Engenharia Agrícola na UFF

Foto: Lucas Benevides

As dificuldades que teria para voltar a estudar não abalaram a decisão do aposentado. 

“Voltei a me sentir mais jovem, com todas essas responsabilidades de estudo que não tinha, no fundo é bem bacana”, admite.

Uma curiosidade: este ano, o estudante fez mais uma vez o Enem. Na opinião de Claudio, nenhuma pessoa deveria estar parada. O que envelhece, segundo ele, é a mente.

“Me sinto realizado, interiormente me sinto bem em fazer parte desse plano”, resume.

De acordo com o professor Alberto, a presença da terceira idade nas universidades, por si só, já é relevante para eles e para toda a comunidade em que vivem. A participação nos ambientes acadêmicos que envolve atividades de ensino, de pesquisa e de extensão, oferece a esses idosos as possibilidades de transformação, tanto no âmbito individual quanto no coletivo.

Servidora da UFF há 24 anos, mãe de dois filhos e com cinco netos, Iara Rohan, de 62 anos, cursa o último período de Jornalismo na Universidade Anhanguera, em Niterói.

“Retornei aos estudos por conta da aproximação da minha aposentadoria, me tornaria uma pessoa muito ociosa, sou muito dinâmica, gosto de ficar em movimento”, afirma a estudante.

Por ser amante da leitura e por gostar de se aprofundar em tudo o que busca, escolheu o curso de Comunicação Social para realizar esse seu desejo e, agora, no fim do curso, em busca do seu diploma, Iara demonstra a vontade de se aprimorar cada vez mais para a sua mais nova profissão.

Segundo o professor Alberto, muitas das profissões tradicionais estão passando por transformações. Mais do que “trabalhadores” para o mercado de trabalho, a universidade deve, segundo ele, formar cidadãos que busquem contribuir com todo o conhecimento que construíram ao longo de sua formação.

“Para uma sociedade menos excludente. Essa contribuição pode ser feita de dentro ou de fora do mercado de trabalho”, ressalta. 

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