NITERÓI/RJ
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Dedicação à causa

Além de ser subsecretário executivo e coordenador de Proteção Animal de Niterói, Marcelo Pereira é diretor do centro de castração da cidade. Abaixo, ele e a veterinária Larissa Custódio, que também participa dos projetos

Lucas Benevides

Subsecretário executivo e coordenador de Proteção Animal de Niterói, o biólogo Marcelo Pereira dirige o centro de castração da cidade, ministra palestras e coordena campanhas. Marcelo respira amor pela causa animal e vive uma rotina voltada para os bichos, tanto no trabalho quanto em casa. Em entrevista, ele fala com O FLU Revista sobre políticas públicas de proteção, projetos de incentivo à conscientização e seu sonho de criar um instituto de educação sobre direitos dos animais. 

Quais as iniciativas para ajudar na preservação dos animais? 

No momento, a prefeitura tem o centro de castração, o programa “Essa Escola é o Bicho” em todas as escolas públicas do município e a campanha “Adotar é o Bicho”, que acontece no Campo de São Bento duas vezes ao mês. Isso sem falar nos eventos e palestras que sempre estão em pauta. Além disso, foi aprovada uma lei de proteção animal na cidade com multas direcionadas ao fundo de proteção animal.

Como é a responsabilidade de lidar com tantas vidas?

É uma responsabilidade enorme, tem horas que não podemos parar. É um grande desafio. Às vezes, tenho que abdicar de algumas coisas particulares, como convívio com família e amigos e viagens. A grande vantagem que tenho é que minha esposa também é apaixonada pelos animais e é veterinária. Então, consigo conciliar bem, formamos uma boa dupla.

Como são os casos de maus tratos?

No Centro de Castração, não temos o serviço de resgate e a responsabilidade de ficar com os animais. Nosso viés é o controle populacional para ter a diminuição de crias que seriam abandonadas. Na questão de maus tratos, atendemos algumas denúncias em parceria com a polícia. A maioria delas não é dolosa e, sim, casos de negligência. O mais comum são casos de animais presos, sem limpeza. Fazemos uma visita educacional explicando tudo. Nunca retornamos e tivemos problemas. As pessoas se comovem e mudam de postura com medo de perder o seu animal. 

Como foi pensado o projeto nas escolas?

Temos uma cartilha e passamos um vídeo chamado “O Cão que Ninguém Queria”, que conta a história de um cão abandonado que passa por diversas situações. No final do vídeo, o destino dele se vê entre a eutanásia ou a adoção, e é adotado por uma família. Depois, as crianças recebem uma cartilha dupla, metade vai para os pais e a outra fica na escola, e também ganham a carteirinha de protetor dos animais mirins. Músicas como “Atirei o Pau no Gato” e “A Carrocinha pegou para virar sabão” não são mais usadas. O animal é recolhido sim, mas para castrar, cuidar e arrumar um novo dono ou voltar para o antigo. Temos frutos, teve o caso de uma aluna que hoje é voluntária no projeto de adoção.

Qual sua opinião sobre o comportamento das pessoas com os animais na cidade?

Tem mudado muito. As pessoas têm procurado adotar em vez de comprar, elas estão mais carinhosas e cuidadosas com os bichos. Entretanto, ainda encontramos pessoas negligentes. Inclusive, com os trabalhos educacionais, tentamos modificar essa visão.

Qual o espaço da proteção animal na sua vida?

Além de eu estar exercendo um cargo fazendo políticas públicas voltadas para a proteção animal em uma cidade com 500 mil habitantes, tenho 32 animais meus, sou casado com uma veterinária que também é protetora. Então tenho um trabalho de forma particular, 90% do que eu faço é voltado para os animais, nos cuidados em casa, trabalho e palestras que dou sobre o assunto. 

Quais os planos futuros?

Continuar o trabalho com proteção animal e permanecer coordenando a campanha “Adotar é o Bicho”, incentivando, assim, as pessoas a adotarem e não comprarem bichos de estimação. Acredito que é importante investir nesses projetos para ter uma cidade amiga dos animais. Também desejo abrir um instituto de educação e conscientização sobre proteção e direito dos animais.


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