NITERÓI/RJ
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Esporte ou arte

Ginástica artística e nado sincronizado são algumas das modalidades que vêm atraindo jovens de todas as idades. Os benefícios desses esportes para a saúde vão do fortalecimento muscular à disciplina e a postura

Foto: Divulgação/ Priscila Marques

Relegados durante muito anos a pequenas notinhas na mídia especializada, os esportes que misturam performance e acrobacias com música e coreografias, puxados pelo bom desempenho da seleção brasileira de ginástica artística, ganharam os holofotes e lotaram os estádios durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro, neste ano. Mas além do coração da torcida, treinadores também afirmam que a procura de crianças e jovens por essas práticas esportivas cresceu expressivamente durante todo período do evento.

Nessa mistura entre esporte e arte, a ginástica artística feminina talvez seja a modalidade que hoje mais se destaca, por se tratar de um esporte brasileiro que vem crescendo a cada competição de alto nível. “É exigido da ginasta graciosidade e elegância em dois aparelhos, o solo e a trave. A expressão corporal e toda a composição coreográfica das séries contabilizam parte da nota. Por isso, desde o início, as atletas aprendem nos treinos a realizar exercícios de força e potência com graciosidade e leveza. E para auxiliar esse aprendizado, aulas de ballet e coreografia específica para ginástica fazem parte da carga horária de treinamento”, explica Fellipe Venturino, professor de Ginástica Artística na CWB Ginástica, ginásio exclusivo para a prática de ginástica artística, em Piratininga.

A treinadora Marcela Scatena lembra que, só nesta última edição dos Jogos Olímpicos, a ginástica contabilizou três medalhas olímpicas, o que também estimulou a procura de jovens por aulas. “O número de alunos quase triplicou em nosso ginásio nestas últimas semanas. Medalhas e títulos contribuem imensamente para a imagem e a disseminação do esporte. E isso é muito bom, pois somente com um número grande de crianças praticando a modalidade conseguiremos formar grandes atletas para os próximos ciclos olímpicos”, afirma Scatena.

O esporte também criou ídolos durante o evento, como a americana Simone Biles, que apresentou séries de altíssimo grau de dificuldade e conquistou excelentes feitos inéditos, como lembra Fellipe. “A exemplo dela, o perfil das ginastas hoje deve ser de baixa estatura, baixo percentual de gordura e grande força e potência muscular, principalmente nos membros inferiores, haja vista que três em quatro aparelhos da ginástica artística feminina exigem que a atleta tenha pernas muito fortes e potentes para realizar exercícios com alto grau de dificuldade”, destaca Venturino.

Conciliar preparo físico e sensibilidade não chega a ser um problema na opinião da treinadora da seleção brasileira de nado sincronizado, Suzanne Bunn. Segundo ela, esses dois conceitos não são divergentes, e ser sensível pode ser excelente em qualquer situação, inclusive no esporte. “Porém, pessoas sensíveis e criativas não gostam de monotonia. Logo, os treinos para esses esportes, ainda que sejam os de preparação física, devem ter conteúdos criativos. Esse tipo de atleta, para render melhor, precisa estar motivado e ter entendimento do que cada uma das sessões de treino vai proporcionar ao seu rendimento. São extremamente perfeccionistas”, explica Bunn. 

Assim como a mistura de acrobacias com danças, as coreografias dentro da água também atraem o público pela beleza e plasticidade. De acordo com Suzanne, o público sempre fica encantado com as evoluções que os atletas desenvolvem dentro das piscinas. “Essa visibilidade é muito positiva, acredito que, se conseguirmos mais praticantes, logo teremos resultados ainda mais expressivos nesse esporte também”, comemora a treinadora.

E para o mais artístico dos esportes olímpicos, o ritmo, a música e até o figurino fazem parte da avaliação dos jurados, como explica treinadora do grupo de ginástica rítmica de Niterói “Canto do Rio Happy Gym”, Vanessa Dornellas, que junto com a treinadora Gisela Matta há quatro anos comanda cerca de 20 meninas da região no esporte.

“Nossa procura também aumentou bastante por causa das olimpíadas. A gente brinca que a ginástica rítmica é puro glamour. Mandamos inclusive a música que vai ser usada na prova junto com o tecido, para a costureira entender o clima em que o figurino será usado. A pontuação nunca prescinde da coreografia, que é tão importante quanto os exercícios”, afirma Vanessa. 

Independente de olimpíadas, outro bom motivo para praticar o esporte, principalmente para as meninas de hoje que vivem buscando a forma física, é que os benefícios para o corpo dessas atletas são para o resto da vida.

“O trabalho intenso de força e flexibilidade cria uma memória na musculatura que faz com que ela tenha um bom desempenho em qualquer fase da vida. Além disso, elas também aprendem a ter disciplina e cuidar da alimentação, uma vez que precisam ser magras para praticar o esporte”, finaliza Dornellas.

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