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Livre de tensões

Depois de ter lesionado a coxa praticando esqui aquático, Lilia Godoi recorreu à técnica da liberação miofascial. Ela chama a atenção para o dinamismo do tratamento

Foto: Lucas Benevides

As dores típicas de quem pratica esportes e treinos intensos podem estar com os dias contados, graças a uma técnica de relaxamento muscular que vem se tornando uma verdadeira aliada do universo fitness. A liberação miofascial traz alívio rápido dos incômodos, além de inúmeros outros benefícios, e pode até ser feita em casa. Se, antes, ela recebia pouca atenção, hoje, a fáscia vem ganhando bastante relevância dentro da fisioterapia desportiva e em clínicas especializadas, com a finalidade de evitar as lesões musculares nos atletas e praticantes de atividade física.

Uma sessão de liberação miofascial, que pode ser realizada com diversas técnicas, normalmente se estende ao longo de uma hora. Começa com a palpação no corpo do paciente para determinar o estado do sistema fascial, explica o fisioterapeuta e atleta Arnaldo de Oliveira Silva.

“Ela é aplicada com o objetivo de desenrijecer as fáscias e devolver o funcionamento normal dos grupos musculares, o que resulta em vários benefícios, como a eliminação das tensões musculares; aumento da flexibilidade; melhora da circulação que, como consequência, facilita a respiração e a oxigenação do cérebro; melhora do humor e diminuição dos níveis de ansiedade e estresse; maior amplitude dos movimentos, e ainda evita as lesões por esforço repetitivo (LER), uma das principais causas de afastamento do trabalho e pedidos de aposentadoria”, destaca Arnaldo.

A fáscia, na verdade, é uma membrana do tecido conjuntivo localizada logo abaixo da pele que permite o deslizamento dos músculos durante os exercícios. Ela precisa ser firme e elástica e, ao mesmo tempo, permitir as contrações e movimentos musculares. No entanto, com o uso incorreto da musculatura; maus hábitos de postura; treinos intensos; estresse e problemas emocionais, o corpo acaba formando nódulos, que acumulam toxinas que prejudicam o bom funcionamento desse sistema. 

As técnicas de liberação miofascial são realizadas de forma manual ou instrumental por fisioterapeutas, profissionais de educação física, personal trainers, massoterapeutas e até esteticistas, afirma o fisioterapeuta quiropraxista André Luis Souza dos Santos.

A fisiculturista Marcely Bizzo, que recorreu à técnica para tratar dores na lombar

Foto: Lucas Benevides

“Também existe a liberação caseira ou autoliberação. Esta modalidade acontece por meio de automassagens, deslizamento, fricções, alongamentos, compressões, entre outras técnicas desenvolvidas por um profissional especialmente para os que preferem executá-la sozinhos. Também pode ser usada uma bola de tênis para massagem da planta do pé e um bastão especial, ou stick, para o quadríceps. Mas o ideal é que a autoliberação seja efetuada apenas nos indivíduos saudáveis, sem nenhuma lesão muscular ou indício de patologia”, ressalta André Luis.

Em tempos de treinos mais intensos, o tratamento da fáscia pode representar a execução de exercícios sem dores ou incômodos. A técnica representou uma considerável melhora nas dores, que a administradora e fisiculturista Marcely Bizzo, de 33 anos, sentia. 

“Há mais ou menos dois meses, vinha sentindo fortes dores na região lombar, principalmente ao sentar. Os incômodos aumentaram devido aos meus treinos intensos e também pela demora na busca de um profissional de qualidade. Depois que iniciei as sessões de liberação miofascial, senti uma grande melhora. No fim de cada uma, já sentia um alívio de imediato e, com o decorrer do tratamento, a diminuição da dor gradativamente”, elogia Bizzo.

Para que o tratamento seja mais eficaz, a liberação miofascial deve ser realizada o mais precocemente possível, evitando a cronificação e prevenindo a recorrência das dores musculares, sendo considerada também uma excelente técnica para tratar restrições de movimento causadas por uma cicatrização incorreta.

Em 2013, a corredora e canoísta Lilia Godoi, de 45 anos, sofreu uma queda praticando esqui aquático e, como consequência, teve uma lesão séria na coxa. Graças ao tratamento, ela pôde voltar a competir sem dores.

“No início, senti muita dor, mas, depois que passou, não dei continuidade ao tratamento como deveria. Fui deixando e, com o tempo, a minha musculatura enrijeceu demais, me causando desequilíbrio. Mas apenas com um sessão de liberação por semana, em três meses eu consegui ‘colocar tudo no lugar’. Um trabalho postural leva muito tempo, e esse trabalho foi mais dinâmico e rápido”, elogia Godoi.

“Entre as técnicas que possibilitam a liberação miofascial, destacam-se a dry needling; ventosaterapia; cinesioterapia; mobilização articular; mulligan e crochetagem. Em média, é cobrado de R$ 120 a R$150 por sessão”, conclui o fisioterapeuta Rodrigo Grandelli. 

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