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Batata palha

Se você deixar de prestar atenção, batata palha parece uma coisa banal. Não é. Batata palha tem uma magia, uma coisa transcendental que faz com que seus seguidores sejam totalmente ligados em sua perfeição.

Batata palha murcha é um ultraje. Servir gordurosa é ofensivo. A espessura da batata deve ser perfeita, entre milímetros de diferença. Sua textura deve ser rugosa e amarelada opaca, com as bordas em amarelo ouro. O som de sua crocância deve se assemelhar ao patenteado por certa batata ondulada de pacotinho, e seu sal deve estar perfeito para ajudar a despertar o sabor da batata e seu tipo, sem roubar a cena.

As batatas palhas foram inventadas por vendedores de comida de rua, profissão tão antiga quanto a outra que costumamos mencionar como a mais antiga do mundo, na França. Seguindo a tradição das batatas belgas, as fritas em palitos, os camelôs franceses queriam mais crocância, e, desde então, iniciou-se a tradição da palha.

Se para você não fez sentido, você não sabe o que é degustar uma boa batata palha. Se passar a prestar atenção, ela não é um complemento como se diz, mas sim o craque que entra em campo para resolver a partida com um só lance genial. Colocar a batata palha na salada, no salpicão, no estrogonofe, junto com o arroz e até mesmo para empanar alguma coisa não é um mero movimento a mais, mas um lance de maestria. Assim como as sombras, ela age silenciosamente para transformar sua comida numa experiência ímpar.

Gosto de chamar o especialista no assunto de Batatê Palhier. Não pode ser uma pessoa comum, tem que ter uma sensibilidade acima do normal, e entender os processos e tipos de batata. Eu gosto que se faça com batata asterix, com menos amido, ela faz um produto final mais conciso e robusto, com caráter mais forte e proeminente.

Se você não sabe, a importância da batata palha é tamanha que presidentes já contrataram e demitiram chefs para ter suas batatas palhas, o que lhes ajudaria na tomada de decisão. Reza a lenda que nem reis escapam de sua mágica…

“Mas afinal, coloco batata palha no estrogonofe do senhor? – pergunta o garçom incrédulo, esperando pacientemente o senhor terminar sua explanação.

Por favor…– responde ele.

Colocou, despejou tudo!

Gente, mas é só batata palha…– sai ele resmungando antes que o poeta do bar comece a falar sobre a importância do creme encorpado para a preservação da temperatura do chope...”.

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