NITERÓI/RJ
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Ratos de praia

Morador de Piratininga, Roberto Gouveia, de 65 anos, vai à praia praticamente todos os dias da semana. Relaxar e manter a forma física são os objetivos que só a praia, na sua opinião, é capaz de proporcionar

Foto: Lucas Benevides

Há quem diga que a vida começa aos 60 anos e, para algumas pessoas, isso é levado ao pé da letra. É inegável que, no processo de envelhecimento, a manutenção do corpo em atividade é fundamental para preservar as funções vitais e o seu bom funcionamento. A estimulação a essas atividades contribui para melhor desempenho das atividades rotineiras (as chamadas atividades da vida diária, como vestir-se, fazer higiene, alimentar-se).

A praia é o espaço natural e público escolhido por muitos idosos como local para a prática de exercícios físicos, para relaxar e passar o tempo. Sendo assim, de certo modo, alguns lugares passam a exercer sobre as pessoas admiração e carinho especial, carinho este envolvido por muitos significados que a praia representa.

Morador de Piratininga, Roberto Gouveia, de 65 anos, vai à praia praticamente todos os dias da semana. Relaxar e manter a forma física são os objetivos que só a praia, na sua opinião, é capaz de proporcionar.

“A praia é um ambiente livre e democrático, né? Todos podemos e devemos usufruir do sol e do mar. Eu moro em Piratininga há 25 anos, mas sempre frequentei praia a minha vida inteira. Eu revezava bastante em Piratininga e Itacoatiara, depois que me mudei, fiquei mais por aqui. Agora que estou aposentado, é que vou curtir mesmo esse espaço maravilhoso.  Como moro no bairro há um bom tempo, sempre encontro com os meus conhecidos. Nós até fazemos uma brincadeira chamando o local de ‘Principado de Piratininga’, porque aqui todas as pessoas se conhecem. Gosto de vir tomar um banho, pedalar, ver as pessoas, ler um livro tranquilamente, praticar Stand Up Paddle,  que já pratico há 5 anos. Mantenho minha forma nesse espaço que tanto amo”, detalha.

Não há como negar os benefícios da prática regular de atividade física, pois ações ligadas à adoção de ritmo de vida mais ativo, diretamente relacionado a exercícios corporais, favorecem a melhoria da autonomia, da saúde física e psicológica, do bem-estar geral do idoso. 

A personal trainer Susana Saraiva, 33, que trabalha em Icaraí, tem muitos pacientes na terceira idade. As aulas mais pedidas por seus alunos são as feitas na praia, o que a fez montar um grupo exclusivo.

“A academia não é lugar só de gente jovem, pelo contrário. Porém, as pessoas idosas se sentem melhor na praia, principalmente nos ‘aulões’. Na primeira aula que resolvi levá-los, eles se sentiram livres, parecia que moravam na praia. Muita gente tirando fotos. Muitos já estão acostumados, pois moram na Região Oceânica de Niterói e me falaram que sempre vão. Achei que não ia dar conta não, mas, depois, vi que a turma toda estava se esforçando e que ali ninguém era melhor que ninguém. Quando voltei andando para casa, me senti muito feliz, realizada mesmo, por ter dado conta de fazer exercício e como eles ficaram felizes pra aula ter sido lá. Desde o meio do ano passado, tenho um grupo com sessentões na praia. Já até dei uma bronca, na brincadeira, neles porque tem dias que todos vão a praia, não é nem pra se exercitar, mas por lazer mesmo e não me chamam”, conta.

Apesar de ser essencial, o geriatra José Carlos Nepomuceno liga o alerta para os cuidados que os idosos devem ter na praia.

“Os idosos têm que ter um cuidado maior na praia, ainda mais no verão. Eles têm uma dificuldade enorme para beber água, visto que, raramente, sentem sede, já que o centro regulador não é tão ativo. Neste caso, é bom tomarem pouca quantidade, mas inúmeras vezes ao dia. Muitos também não sentem muito calor, eles têm baixa percepção com as altas temperaturas. Os idosos fazem parte de uma geração onde o protetor solar não existia. Eles acreditam que é bobagem e se incomodam com a textura. A solução para isso são os produtos em spray, já que facilitam o uso e não deixam a pele melada. Mudança de hábito é a coisa mais difícil para o ser humano. Imagina para quem já viveu mais de 60 anos? É preciso paciência e diálogo para conseguir algumas coisas”, explica.


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