NITERÓI/RJ
Min:   Max:

Recomeços

Fiz besteiras. Eu sei. Há outros seres aqui dentro de mim com vontades opostas ao que penso frequentemente e com caráter duvidoso. Aos poucos, vou tentando eliminar todos os que não me convêm, como um serial killer de mim mesmo. Ok, talvez essa seja só mais uma forma de abstrair a culpa. Tirando a responsabilidade de mim e passando para mim mesmo, conversando em terceira pessoa comigo e tentando explicar que a culpa é dele – que também sou eu – e não minha. Mas cansei dessa pose infantil de quem tira nota baixa e diz que a culpa é da professora.

É uma briga no espelho e ninguém entende nada.

Tudo que eu sou hoje é fruto dos caminhos que escolhi, das decisões que tomei. Eu. Porque nesta ciência da vida sou cobaia de mim mesmo. Sou o piloto desta aeronave. Sou o capitão deste barco. Sou o atirador e a flecha deste arco. Decido quando e para onde vou. Mas, assumir a culpa não quer dizer que eu cresci. Não, eu não quero méritos, nem elogios. Quero apenas amadurecer, seja no amor ou na dor que todo grande amor causa.

Te peço desculpas como mantras, mesmo sem achar que eu mereço. Aqui, somos nós dois que odiamos a mim mesmo. E, ao menos, nisso combinamos. Te peço perdão porque aprendi que essa é a frase para mostrar que estamos arrependidos. 

Bonzinhos com surtos de canalha nunca dão certo. Acabam tendo que se jogar atrás de subterfúgios. Esquivando-se a lembrança que insiste em mirar naquela menina. São fracos. Têm amor puro em uma carne podre. Sentimentos incríveis em palavras pobres.

Meu coração, cada vez mais, se parece com uma casa de praia: recheada de móveis velhos que o apego não me deixa jogá-los fora, com um cheiro de eternamente guardada e como um local onde as pessoas só vão para passar pouco tempo.

Scroll To Top