NITERÓI/RJ
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Talentos vocais

Gessy Silva, de 81 anos, foi a vencedora do Fest Voice da Maturidade

Foto: Divulgação / Prefeitura de Niterói

Tem gente que só consegue colocar para fora sua subjetividade através de alguma arte, e a música é uma delas. Pensando nisso e em dar palco aos membros da Terceira Idade, a Secretaria Municipal do Idoso organizou a primeira edição do “Fest Voice da Maturidade”, cuja final aconteceu no último dia 17. Depois das eliminatórias, 10 finalistas – selecionados entre os mais de 70 inscritos, todos com mais de 60 anos – disputaram a melhor colocação da competição no auditório do Teatro Popular Oscar Niemeyer.

A comissão julgadora, formada por Dalto, Maestro Henrique, Eri Galvão, Chiquinho Aguiar, Ralph Guedes, Cássio Tucunduva e Tereza Mazeli, escolheu os três vencedores: Gessy Silva, Paulo Roberto Victer e Dejanira Maximino da Costa, respectivamente.  

Envolvida com a música por toda a vida, Gessy, de 81 anos, vencedora do festival, intensificou sua participação em grupos de terceira idade depois da morte do marido, em 1995. Hoje, a moradora de Santa Rosa é membro do coral da OAB de Niterói, do coral da Associação David Frischman de Cultura e Recreação (Adaf) – cantando em inglês e hebraico – e faz aulas de impostação de voz em um projeto do Vital Brazil. A música que a fez vencer foi “Ave Maria”, de Vicente Paiva. 

“No concurso, me senti acolhida, aceita... Foi muito divertido, porque não imaginava que ganharia. Minha família que me inscreveu. Só de participar já foi muito bom, muito mesmo. Ganhar foi uma feliz surpresa”, disse Gessy, que comemorou com os três filhos, oito netos e dois bisnetos. 

Segundo Beto Saad, secretário municipal do Idoso, a intenção é realizar o Fest Voice anualmente.

“Um evento voltado para esse público era uma demanda dos músicos da cidade, principalmente dessa faixa etária. Eles estão radiantes. O ‘Fest Voice’ traz o idoso para participar como personagem principal de um evento em que pode traduzir sentimentos, onde se sentem prestigiados”, argumenta.

De acordo com a psicóloga e professora adjunta do Departamento de Psicologia da UFF Ana Cabral Rodrigues, favorecer espaços de vida pública, lazer e de cultura é fundamental para a construção da cidadania e, igualmente, de promoção de saúde: e isso faz parte do dever do Estado. 

“Quando estas práticas voltam-se à terceira idade, temos a chance de ir na contramão de preconceitos e desprestígios que tanto marcam a imagem e o lugar de mulheres e homens que chegam aos 60 anos. Muitas vezes, suas experiências são tomadas como obsoletas, e isso é uma violência contra essas pessoas, além de uma perda para a vida em sociedade. Temos criado uma relação pobre com o tempo, que é cruel conosco. Por outro lado, se não calamos suas histórias, temos a chance de experimentar – juntos – um tempo rico de outras intensidades e sentidos”, avalia.

A Prefeitura de Niterói mantém a Secretaria Municipal do Idoso, que oferece vários serviços, convênios e eventos, todos gratuitos. Em agosto, o Projeto Bem Vividos, realizado pela Fundação Municipal de Saúde (FMS), completa dois anos. Outra dica é o Projeto Gugu, que realiza atividades como aulas de ginástica, de dança de salão e coral para mais de 5 mil participantes cadastrados, em 40 núcleos no município. Niterói conta também com o projeto “Idoso vai ao Teatro, Idoso vai ao Cinema, Idoso vai ao Show”. Segundo o Instituto de Longevidade Mongeral Aegon e da Fundação Getúlio Vargas, entre 498 cidades brasileiras, Niterói é a cidade do Estado do Rio com mais qualidade de vida para a população acima de 60 anos. 


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