NITERÓI/RJ
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Temos nosso próprio tempo

Temos-nosso-próprio-tempo. Esta frase martela em minha cabeça por quase todos os dias. Se temos nosso próprio tempo, o próprio vive me lembrando de si - e de ti - a cada minuto em silêncio. É como se eu fosse uma criança mimada que quer andar pela rua e a mãe toda hora precisa segurá-la e trazê-la de volta para a calçada porque, você sabe, é perigoso andar pelo asfalto, há carros malucos e ônibus gigantes que podem nos machucar, mas eu me vejo aqui, sem mãe, nem pai, indo lá em contramão a tudo que eu prego e acredito só para deixar claro que eu sempre estou errado, inclusive comigo mesmo. Vez ou outra, consigo sim voltar para a calçada. Mas é só minha proteção inconsciente se distrair que lá vou eu, veja só, no meio do perigo da rua outra vez que é pensar em você e nessa maldita frase: temos-nosso-próprio-tempo.

Tua ausência te faz presente dentro mim feito um vírus bonito e alucinógenos que mexem com meu humor de maneira atroz e revigorante. É como se pensar em você – ou na gente – fosse sentir-se doente, de cama, acabado, mas, ao mesmo tempo estar na nuvens, feliz, quase drogado, sei lá, essas coisas. Pensar em você é misturar antigripal com ayahuasca.

Mas o Renato e Legião seguem cantando: temos-nosso-próprio-tempo.

Temo termos nosso próprio tempo, de fato. Temo mais ainda não ter. É como ter fobia de algo que gosta, um sadomasoquismo sentimental, talvez. Autoflagelação mental nunca foi tão romântica pra mim, confesso. 

Fugindo da referência, mas seguindo com o tempo, já disseram que ele era um dos deuses mais bonitos. Vai ver as duas citações possuam ligações claras, porque eu nunca vi alguém tão bonita como você. Juro. Tô sendo clichê e estragando as letras do Renato e do Caetano. 

Perdão.

Eu também não sou o senhor do tempo, Alexandre, mas eu sei que vai chover - e bastante. Há quem dance, há quem fique resfriado. Não sei o que será de mim, mas, você sabe, minha imunidade nunca foi lá essas coisas. Embora eu adore dançar. 

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