NITERÓI/RJ
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Tenho fome do teu nome

Tenho fome do teu nome. Completo. Composto. Com gosto. O oposto do meu, curtinho, quatro letras, mas você aí cheia de sílabas e bê-á-bás de como curtir as mesmas. Fome de gritar teu nome como quem comemora. Como quem canta vitória sem saber o contrário. Fome do teu nome ao meu telefone que, olha, até ele vibrava com mensagens tuas. Avisando atrasos. Estragando surpresas. Pedindo conselhos. Dando receitas da vida. Das viagens só de ida que deseja fazer. Das passagens de volta que queria esquecer. Dos pe-sa-de-los. Você diz que pesam. Eu digo que cessam. Você diz que são âncoras. Eu digo que são asas. Você diz ir embora. Eu te convido a casar.

Tenho fome do teu nome ao, do nada, surgir em minha cabeça num dia normal, terça-feira-chuvosa, pensar em você e de uma forma mágica você, também, pensar em mim, dizer que hoje é dia de pizza em dobro, e eu perceber que todo dia com você era dia de sorte grande, de tudo em dobro – de bom e ruim – sem cebola e com bordas recheadas. Saudades dos teus cantos e cantorias. Tuas cantorias pela casa, fazendo canções sobre o nada como quem é cantora de rap ou algo assim, tipo uma repentista sem sotaque nordestino, mas que faz rimas se inspirando em qualquer coisa do cotidiano como “vamos ver televisão, deitados no sofazão” ou até aquela irritante que misturava ironia e talento ao demonstrar uma suposta tristeza em ter que atravessar a ponte para visitar minha família e bancar sarcástica ao cantar “meu peito até dói, estou indo para Niterói”. 

Tenho fome do teu nome que, mesmo ao ir dormir, eu falava te fazendo acordar assustada, pensando que eu estava te chamando para algo, três da manhã e você lá toda super-heroína me acordando às pressas para entender o que havia acontecido e minha cara amassada de não conseguir nem explicar o que eu estava sonhando. Você dizia querer gravar os momentos enquanto eu dormia para usar contra mim em qualquer discussão besta. Eu dizia querer gravar os momentos que estávamos acordados para usá-los a nosso favor.

Tenho fome do teu nome que nem era mais gritado ao interfone. Já subia, porteiro deixou, e quem, por diabo, consegue te impedir de algo? Chega toda pisante, pé ante pé, nariz onde não é chamada, mas clamada para voltar. Volta. Olhe em volta a falta, a fuga, as figas. Volta. Prepare o fogo. Preparo os fogos.

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