Tipo a vovó

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Blogueira de beleza Nina Gabriella é adepta do granny hair, estilo que “requer atitude”

Foto: Divulgação

Enquanto muitos lutam para esconder os fios grisalhos, o estilo conhecido como “granny hair”, ou “cabelo de vovó”, em português, conquista a cabeça – literalmente – de pessoas no mundo inteiro.

Lady Gaga, Hilary Duff e Amandla Stenberg são celebridades que já tingiram as madeixas de cinza. No Brasil, a tendência também chega com tudo. Nina Gabriella, blogueira especializada em cabelos e adepta do granny hair, explica o porquê do estilo ter se popularizado tanto.

“Por ser diferente e ousado, esse cabelo causa muito impacto e isso cria a tendência. Até porque, quem poderia querer antecipar os grisalhos antes dessa moda?”, questiona a niteroiense. 

Isabelle Medeiros, estudante de 19 anos de Estudos de Mídia na Universidade Federal Fluminense (UFF), também foi conquistada pelos fios prateados. A jovem, que já havia tingido o cabelo de azul e roxo antes, considerou o estilo totalmente inusitado.

“Eu acho o cabelo cinza muito bonito e um efeito dessa tendência que eu considero muito positivo é o potencial de empoderamento. Talvez assim, aos olhos de quem critica, comece a ser também incrível que moças grisalhas por natureza assumam seus fios”, pontua a estudante.

Apesar da popularidade, tingir os cabelos de cinza não é um processo simples, como explica o especialista em colorimetria do Instituto Embelleze, Marcelo Fonseca.

“Para as mulheres que querem aderir a esse estilo acinzentado, o segredo é clarear bastante os fios, através de descoloração. O cabelo fica branco e, depois, é tingido de cinza. Em alguns casos, pode ser utilizado um corretor de cor na tonalidade grafite para alcançar a cor cinza,” explica o especialista, que adverte que todo esse processo pode causar danos nos fios.  

Isabelle Medeiros acha que o novo tom traz consigo uma questão de quebra de padrões estéticos

Foto: Divulgação

Foi isso que sentiu Nina Gabriella. “A descoloração afina o fio e deixa ele quebradiço e ressecado. Eu, que tenho cabelo cacheado, então, tenho um trabalho triplicado. Mas, uma vez que se vicia no granny hair, fica difícil mudar de cor!”, brinca a blogueira.

A dermatologista coordenadora do departamento de cabelos e unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio de Janeiro (SBD-RJ), Bruna Duque Estrada, explica como a descoloração do cabelo afeta os fios. 

“Esse processo afeta o cabelo de forma muito parecida com o loiro platinado. Ao descolorir os fios, acontece a oxidação da melanina, que fica dentro deles, tornando o cabelo mais quebradiço e frágil”, afirma a especialista.

Mas, para quem quer aderir ao estilo “granny hair”, Bruna dá uma boa notícia: o inverno, que começou no dia 20 de junho, é a melhor estação para descolorir os fios.
“Os raios ultravioleta do sol alteram ainda mais o pigmento interno do fio, fazendo com que o cabelo sofra mais. No inverno, o cabelo é menos exposto a esses raios”, esclarece. 

Para garantir a qualidade dos fios, Bruna dá algumas dicas. “É recomendado hidratar o cabelo com frequência para melhorar a barreira externa do fio. Usar protetores térmicos e evitar a associação de danos, ou seja, juntar o dano químico da coloração com o dano de alisar os fios, do vento e do sol. O ideal é usar chapéus”, orienta.
Marcelo Fonseca indica, ainda, visitas frequentes ao salão para cuidar do “granny hair”.

“Os danos podem ser impedidos com auxílio de tratamentos profundos de reconstrução dos fios, além de manutenções e hidratação constante. O cabelo perde muita umidade durante o processo de descoloração, então é imprescindível que a pessoa esteja disposta a fazer visitas constantes ao cabeleireiro e cuidar direitinho para garantir a saúde dos fios.

Nina Gabriella completa. “Eu hidrato o cabelo uma vez por semana e, sempre que faço isso, matizo com produtos roxos para tirar o amarelo dos fios e manter o tom acinzentado”, conta. 
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Para quem pensa em aderir ao estilo que conquistou a cabeça das famosas, Marcelo dá apenas uma orientação: muita atitude.
“Por ser um visual descolado, é preciso ter estilo e personalidade para sustentar a cor ousada, mas é uma ótima alternativa pra quem tem coragem de inovar sem medo”, finaliza.