NITERÓI/RJ
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Centenário dedicado à Saúde

O presidente do IVB, Roberto Pozzan, divulgou novidades e confia na realização de novas parcerias para a instituição

Evelen Gouvêa

Em 1919, o médico Vital Brazil Mineiro da Campanha dava início, em Niterói, ao que seria um dos seus maiores legados. Cem anos depois, completados nesta segunda-feira (3), o Instituto Vital Brazil comemora seu centenário, com a característica que sempre o acompanhou: o pioneirismo. Projetos inovadores, como a fabricação de um cicatrizante a partir do veneno de cobra; uma substância para inibir bactérias multirresistentes; a produção de soro antiofídico na África; e a criação de residência farmacêutica no instituto são alguns que pretendem continuar colocando o IVB como um dos maiores centros científicos do Brasil.

A comemoração de aniversário acontece no dia 17, com um concerto no Teatro Municipal de Niterói, com a participação de um pianista membro da família do cientista. 

Na última semana, o atual diretor-presidente do instituto, o cardiologista Roberto Pozzan, levou para o Ministério da Saúde, através da Secretaria de Ciência e Tecnologia, um pedido de recursos para novas iniciativas, que estão sendo preparadas para sem apresentadas à pasta. Um deles é um estudo desenvolvido em parceria com o Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos da Unesp (Ceavp), em Botucatu, que resultou na descoberta do selante de fibrina, extraído do veneno da cobra, que ajuda na cicatrização de feridas.

“O IVB e o Cevap descobriram que a fibrina do veneno da cascavel, ou determinada parcela da proteína, tinha a propriedade da cicatrização, além de outras propriedades interessantes. Fizeram teses de pós-doutorado e livre docência em Botucatu. Testaram isso em humanos e deu certo. Vamos pensar em fazer isso numa escala maior, para que a gente possa atender mais gente”, explica Pozzan, acrescentando que pode ser útil para feridas em diabéticos, que têm dificuldades de cicatrização, e em feridas causadas por varizes ou problema venoso.  

Através da técnica recombinante, descobriram que era possível estimular bactérias e leveduras a produzirem essa proteína. Esse teste já foi realizado in vitro e, agora, as duas instituições buscam recursos para ajudar no financiamento da produção desse novo tipo de proteína em larga escala.  

Em paralelo, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) propôs uma parceria ao IVB para o desenvolvimento de uma substância capaz de combater o estafilococos, uma bactéria multirresistente, que é a principal causa de infecção hospitalar, muito comum em ambientes de CTI. A pesquisa da UFMG apontou que é possível sintetizar um peptídeo para inibir o crescimento da bactéria.  

“Já conseguiram identificar esse feito in vitro. Será que não pode ser transformado e testado in vivo, primeiro em animais e depois em pessoas? Esse protagonismo do IVB em transformar pesquisas de bancada em produtos de saúde que é o bacana, e vamos tentar. O convite surgiu nesta semana. Vamos visitar a UFMG para firmar essa parceria”, adianta o presidente do Vital Brazil.  

Residência - Entre os projetos do instituto, está o investimento em ensino e pesquisa. No ano que vem o IVB pretende criar uma residência de farmácia para a produção de soros hiperimunes dentro do próprio IVB, aumentando a vivência desses universitários com o setor.  

“A formação do farmacêutico, dentro da área de produção de soro, é carente. Tanto o diretor industrial como a diretora científica são farmacêuticos oriundos da UFF, que vão pegar esse projeto. A gente imagina que, para o ano que vem, já teremos essa novidade nas mãos”, prevê.

Instituto busca expansão para a África 

O Vital Brazil está em busca de parcerias no exterior para criar uma fábrica de soro antiofídico - para picada de cobra - na África. O instituto entrou em contato com agências de fomento de pesquisa biomédica internacionais, entre elas a Bill e Melinda Gates Foundation e a Welcome Trust.

“Enquanto 20 mil pessoas/ano morrem por dengue, outras 90 mil morrem por picada de cobra. Cerca de um terço dessas mortes acontecem na África e lá não tem fábrica produtora de soro. Apresentamos um projeto e estamos conversando com algumas agências de fomento que pudessem nos ajudar a levar isso para lá”, conta Roberto.  

A fábrica seria acoplada à já existente para produção de medicamentos da Fiocruz, em Moçambique, que foi criada através de financiamento estatal.

Abelhas - Pesquisadores do Instituto Vital Brazil também desenvolveram um soro contra picada de abelhas, o único no mundo que teve um estudo clínico. Essa produção cumpre 100% das normas da Vigilância Sanitária e da Anvisa, tornando-se um modelo de protocolo de estudo. 

A produção do soro foi possível através de uma descoberta da Cevap, que possibilitou retirar do veneno da abelha a partícula que causa dor e injetar apenas a partícula que gera a imunização no cavalo.  

 Agora, o IVB busca recursos no Ministério da Saúde para entrar na fase três do projeto, com estudos populacionais.  

 “Pegamos um monte de gente com determinada característica, como as que foram picadas por abelha, e aplicamos o soro para ver o resultado. Esse tipo de estudo, o ideal é que seja multicêntrico, em várias cidades ao mesmo tempo, onde há mais incidência de casos, com no Sul, um dos maiores produtores de mel. Nós produzimos o soro, ele sai daqui, e distribuímos para todas as pessoas que participam, tudo sendo devidamente rastreado e acompanhado”, detalha Pozzan. 


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