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Hábitos simples podem ajudar a evitar a prisão de ventre

Dores abdominais e desconforto são alguns sintomas provocados pela constipação

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Constipação intestinal, ou também conhecida como prisão de ventre, intestino preso, ocorre quando as fezes ficam mais ressecadas, de difícil eliminação e, na imensa maioria das vezes, há relato de demora para ir ao banheiro, com fezes duras com intervalos grandes entre as evacuações durante a semana, decorrente de uma alteração no funcionamento intestinal configurando um distúrbio comum caracterizado pela dificuldade persistente para evacuar.

Eliminar fezes grandes e duras pode levar a uma pequena ruptura no ânus, causada pelo esforço na hora de evacuar (fissura anal). Fissuras anais costumam ser dolorosas, podendo ser observado a presença de raias de sangue de cor vermelha nas fezes ou mesmo no papel higiênico, na hora da higiene após o ato de evacuar. 

A presença contínua de fezes endurecidas no reto e sigmoide predispõe a infecções urinárias, podendo gerar episódios de enurese noturna (urinar na cama à noite).

A constipação é mais comum nas mulheres, principalmente durante a gravidez, nas crianças e nos idosos.

Causas da constipação – As causas mais comuns entre as crianças, cerca de 95%, é resultante de problemas decorrentes de uma dieta com baixo teor de líquidos e/ou baixo teor de fibras, encontradas nas frutas, nos legumes e nos cereais integrais. Ou até mesmo causada por problemas comportamentais. Quando isso acontece, denominamos de constipação funcional.

Em relação aos problemas comportamentais, deve-se observar se há relato da associação do início da constipação ao nascimento de um irmão ou irmã, ou se está relacionada ao treinamento precoce do início da utilização do uso do banheiro, na época da retirada do uso das fraldas.

Muitas crianças podem não evacuar, adiando o ato de evacuar de forma intencional, retendo fezes, seja porque não querem parar de brincar, ou por apresentarem uma fissura anal dolorosa.

Nas crianças constipadas, com prisão de ventre, que não evacuam quando surge a vontade natural, ocorre uma distensão do reto para acomodar as fezes, com isso a vontade de evacuar diminui, dificultando cada vez mais a eliminação das fezes, que vão se tornando cada vez mais endurecidas. 

Fecaloma – O acúmulo de fezes endurecidas no reto, também chamado de fecaloma, bloqueia muitas vezes a passagem de fezes recém-chegadas ao local, gerando uma impactação fecal. Essas fezes mais moles acima das fezes endurecidas podem escorrer através da área de impactação, sujando a cueca ou a calcinha da criança, denominada de encoprese, que se caracteriza por este escape involuntário de fezes. Algumas vezes, os pais acham que isso é intencional, porque a criança não quer evacuar ou até pensam que a criança está com diarreia, quando na realidade é tudo por conta da constipação.

Problema pode ser causado por distúrbios orgânicos ou psicológicos

Em cerca de 5% das crianças, a constipação pode resultar de distúrbios ou mecanismos orgânicos, podendo estar presentes desde o nascimento, muitas vezes com retardo na eliminação do mecônio, que são as primeiras fezes eliminadas pelo recém-nascido ainda no berçário, denominada de constipação orgânica.

Podemos ter como causas da constipação orgânica a doença de Hirschsprung, também denominada de megacólon agangliônico, ocasionado por uma falta de inervação adequada, que altera o peristaltismo normal do intestino grosso, dificultando a progressão e a eliminação das fezes. Nestes casos, há relato de constipação desde o nascimento. 

Outras causas menos frequentes de constipação orgânica incluem os defeitos congênitos do ânus, como o ânus anterior. 

Alguns distúrbios metabólicos e de eletrolíticos, como os que ocorrem na Fibrose Cística do Pâncreas, ou Mucoviscidose, podem predispor à constipação intestinal ou até a um quadro de diarreia crônica 

O hipotireoidismo, distúrbio anormal caracterizado por uma baixa atividade da glândula tireoide, a espinha bífida, um problema na medula espinhal também podem predispor a constipação.

Algumas vezes ocorre uma parada da eliminação das fezes associada a distúrbios abdominais sérios como apendicite ou obstrução intestinal. Nestes casos, porém, os sintomas principais são fortes dores abdominais, vômitos, parada de eliminação de gases e distensão abdominal. Esses sintomas direcionam os pais a procurar assistência médica nos serviços de emergência.

Alergia à proteína do leite de vaca pode provocar uma coloparesia, que significa um retardo na eliminação das fezes, predispondo a constipação. Da mesma maneira, pode ter relato também de sintomas de refluxo gastresofágico, como golfadas, vômitos ou sensação de empanzinamento, por conta da gastroparesia, retardo na eliminação do conteúdo gástrico e, muitas vezes, a associação com outros sinais e ou sintomas gerais de alergia.

Alterações psicológicas – A prisão de ventre no adulto e no idoso pode também estar associada a algumas doenças do cólon e do reto, como a doença diverticular, as hemorroidas, as fissuras anais e o câncer colorretal. Pode também ser provocada pelo uso de alguns medicamentos e por algumas alterações neurológicas e do metabolismo. Sabe-se que algumas alterações psicológicas como o estresse, a depressão e a ansiedade também podem interferir nos hábitos intestinais, causando a constipação. Pacientes acamados e cadeirantes podem apresentar alterações no trânsito intestinal.

A complicação mais comum da constipação é o fecaloma, uma massa compacta de fezes endurecidas, retidas no reto ou no sigmoide, interrompendo o trânsito intestinal. Em algumas situações especiais, é necessário a lavagem intestinal para facilitar a remoção do fecaloma. 

Alimentação balanceada é indicada para evitar o problema, assim como atividades físicas

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Avaliação, tratamento orientado e modo de vida mais saudável

Avaliação médica é necessária para determinar se a constipação resulta de problemas da dieta, de comportamento (constipação funcional) ou de algum dos distúrbios orgânicos descritos acima. Alguns medicamentos também podem retardar a eliminação de fezes, em situações bem pontuais.

Uma história completa do relato da eliminação de fezes desde o nascimento, o início dos sintomas, o relato de outras doenças associadas, a história familiar de constipação, demonstrando um provável predomínio de ondas lentas no intestino, bem como um exame clínico detalhado se faz necessário para uma orientação adequada do quadro de constipação.   

O tratamento da constipação vai depender da causa. Nos casos da constipação orgânica, o tratamento dependerá da análise de cada caso.

Nos casos de constipação funcional, deverão ser feitas as orientações e correções na dieta, como o aumento de líquidos no cardápio, modificações na dieta, correções no comportamento e, quando necessário, a introdução de emolientes fecais ou laxantes, para facilitar o amolecimento das fezes. As doses recomendadas pelo médico vão depender se o paciente tem alguma doença associada e, se for criança, devem se basear na idade e no peso da criança e orientadas de acordo com o grau da constipação. A meta do tratamento é proporcionar uma evacuação com fezes eliminadas sem dificuldade.

Uma rotina de ida ao banheiro e um vaso sanitário ou “troninho” adequado para o apoio dos pés da criança é fundamental, para a utilização adequada da musculatura abdominal no auxílio para eliminar as fezes. 

O bom funcionamento intestinal depende da ingestão de água adequada, do consumo de fibras e da prática de atividade física. As fibras e uma dieta adequada auxiliam na formação do bolo fecal e, em parceria com a quantidade de água ingerida e a atividade física, são responsáveis por estimular a atividade muscular intestinal. As frutas, os legumes e as verduras são alimentos que exercem sua função como excelentes fontes de fibras e micronutrientes, como o mamão, laranja, ameixa, manga e as folhas em geral. Os cereais integrais também são ótimas alternativas para aumentar a quantidade de fibras ingeridas, como o arroz integral, o centeio, a aveia, sementes de linhaça, farelo de aveia e trigo.

Logo, uma dieta adequada e beber bastante líquido é importante, cerca de 2 litros por dia, caso não apresente nenhuma contraindicação médica, como insuficiência cardíaca ou renal. A prática de atividade física é uma outra medida essencial para o bom funcionamento dos intestinos.

Em alguns casos, mais raros, pode ser necessário prescrever o uso de supositórios e de enemas, que correspondem às lavagens intestinais para facilitar a eliminação das fezes. A tendência é o fecaloma aparecer mais nas pessoas com dificuldade de locomoção, como os idosos acamados e os cadeirantes. 

Importante lembrar que o óleo mineral não pode ser usado em crianças nem em idosos, pelo risco da broncoaspiração, podendo ir direto para dentro do pulmão, ao invés de descer para o estômago, devido à sua viscosidade, caracterizando uma emergência médica e já proibido há algum tempo pela Anvisa.

Lembrar que os bebês alimentados exclusivamente no seio materno sem relato de retardo na eliminação do mecônio, no berçário, podem demorar alguns dias para evacuar, sem esforço, condição normal, pela fácil digestibilidade e absorção adequada do leite materno pelo bebê. 

No próximo domingo, a importância da ultrassonografia no pré-natal

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