NITERÓI/RJ
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Desafios para o crescimento da região

Niterói e Maricá serão as cidades mais beneficiadas com os recursos dos royalties do petróleo e participação especial. Juntas arrecadaram R$ 1,5 bilhão pela exploração do pré-sal

Foto: Lucas Benevides

Os maiores desafios para a retomada do crescimento da economia no Leste Fluminense passam por uma profunda transformação de pensar e agir dos gestores públicos. Garantir que as gerações futuras usufruam dos investimentos que são feitos hoje é primordial para uma sociedade que trabalha coletivamente. Nesse especial sobre Desenvolvimento Econômico, que foi produzido em comemoração aos 140 anos de O FLUMINENSE, pelo Grupo Fluminense Multimídia, especialistas e prefeitos falaram sobre os caminhos para o crescimento da indústria, comércio, qualificação profissional, e como o Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) pode impactar diretamente as cidades no entorno, sobretudo Niterói, Maricá e Itaboraí. Em junho será apresentado o Plano Estratégico do Conleste para até 2030, com ações que contemplam o crescimento dos 15 municípios que integram o consórcio. Os temas foram debatidos por especialistas durante três dias na Universidade Candido Mendes, que recebeu mais uma edição do Seminários O FLU.

Niterói e Maricá são os municípios que mais vão arrecadar com os royalties e participações do petróleo. Juntos, receberam R$ 1,5 bilhão de recursos oriundos da exploração do Campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Campos. Mesmo assim, sabendo da finitude desses recursos, os prefeitos Rodrigo Neves (Niterói) e Fabiano Horta (Maricá) criaram um fundo de investimento para guardar parte dessa arrecadação para investimentos nos próximos anos. Enquanto Maricá destinou 5%, Niterói trabalha com 10%, faltando apenas aprovação do projeto executivo por parte da Câmara de Vereadores.

Para que as duas cidades se desenvolvam paralelamente às arrecadações do petróleo, algumas ações foram tomadas. Niterói quer fortalecer as indústrias, sobretudo a naval, com o desassoreamento do Canal de São Lourenço, bem como fomentar a pesca artesanal, tirando do papel projetos importantes como o Terminal Pesqueiro e fortalecendo o porto marítimo na cidade. Outra ação é incentivar o empreendedorismo e potencializar a vocação do município. Projetos como o Polo Cervejeiro - que agora é lei -, o qual permitirá que empresários criem sua própria cerveja artesanal. O Mercado Municipal permitirá um novo espaço para cultura, gastronomia e lazer. A Casa do Empreendedor também permite que o pequeno e médio empresário possam abrir o seu próprio negócio. 

Já Maricá quer aproveitar para investir em tecnologia. O prefeito Fabiano Horta quer que o Parque Tecnológico seja referência no Estado, com capacidade de exportar tecnologia de ponta, além de formar mão de obra local e especializada. Para isso, conversas com universidades públicas e privadas estão em fase avançada.

Futuro do Complexo Petroquímico do Estado e novos projetos da Petrobras foram debatidos durante o Seminário de Desenvolvimento Econômico do Leste Fluminense

Fotos: Divulgação

Uma terceira via é o fortalecimento do comércio e da Indústria. A Firjan e o Sebrae têm boas expectativas para a região com a retomada dos empregos e com o fortalecimento de setores como serviços e construção civil. O presidente da Firjan Leste Fluminense, Luiz Césio Caetano, falou sobre o atual cenário no mercado de trabalho na região. Segundo ele, a indústria representa 14% dos empregos, com 69 mil funcionários. Dentro desse panorama, a construção civil representa 40%, revelando um grande peso para a região. Caetano também apresentou dados relativos à arrecadação dos municípios. O ICMS no interior avançou 82%, contra 3% dos demais municípios. Os incentivos fiscais foram e são o caminho para o desenvolvimento do interior do Estado do Rio.

A Fecomércio também aposta no turismo para a retomada do crescimento na região. Investir na hotelaria também é um dos caminhos para que os municípios possam driblar a crise econômica.

Em relação ao comércio, setores como o Sindilojas e a CDL de Niterói apostam no empreendedorismo. Cientes de que os desempregos fazem parte do atual cenário, especialistas acreditam que o pequeno e médio empreendedor individual ganharão cada vez mais espaço, garantindo fôlego, gerando renda e empregando centenas de trabalhadores.
A retomada de obras do Comperj também vai garantir que, no segundo semestre, mais de cinco mil pessoas da região possam ser empregadas nas obras do Rota 3 e da Unidade de Processamento de Gás (UPGN). E quem espera ser beneficiado com isso é o município de Itaboraí. A cidade foi a mais prejudicada com a parada das obras, o que obrigou o prefeito de Itaboraí, Sadinoel Souza, a arcar com aquilo que é mais valioso dos itaboraienses: esperança. Para isso, o prefeito tem investido no fortalecimento do setor de serviços e quer retomar os investimentos do setor hoteleiro.

Com tantos desafios pela frente, os gestores sabem o quanto precisam trabalhar para atender à demanda dos municípios. Se por um lado o futuro reserva dias melhores, por outro, a realidade é dura. E como o tempo não para, a integração e diálogo são aliados fundamentais para o crescimento econômico. 

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