NITERÓI/RJ
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Sem crise: ousadia para criar o próprio negócio

Criada em 2016, a Casa do Empreendedor tem a proposta de estimular o desenvolvimento, ajudando quem está fora do mercado a se tornar autônomo

Foto: Lucas Benevides

Que o brasileiro adora uma invenção não é novidade. Mas quando a brincadeira vira coisa séria, gera emprego, renda e estimula a economia local. Em um contexto de crise financeira, abrir o próprio negócio tem sido cada vez mais comum. E não faltam estímulos para isso. Em Niterói, por exemplo, a Casa do Empreendedor é importante iniciativa de estímulo ao desenvolvimento econômico da cidade, auxiliando as pessoas que estão fora do mercado de trabalho a se legalizarem para o trabalho autônomo. 
Criado em 2016 com o intuito de ajudar esses trabalhadores, o órgão já auxiliou mais de 4 mil pessoas e abriu mais de 2 mil novos negócios desde então.

“A palavra ‘crise’ tem se tornado um problema para os principais governos, sobretudo no Estado do Rio de Janeiro. Isso porque a recessão econômica, aliada a crises políticas e retração das vendas de barris e produção de petróleo, contribuíram significativamente para os desempregos nos municípios”, analisou o economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro Marcelo Santistebal. 

Para se ter uma ideia do problema apontado pelo especialista, dados de fevereiro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no que se refere aos municípios que mais geraram empregos formais, os chamados celetistas, no Estado. Niterói ocupa uma das últimas posições. Segundo os dados, o município teve, nos últimos 12 meses, 47.636 admissões e 51.326 demissões (-3.690 vagas). 

Para mudar o cenário, a prefeitura vem tomando algumas frentes para estimular o crescimento econômico da cidade. Além da Casa do Empreendedor, o Executivo apostou na redução da alíquota de ISS para o setor hoteleiro, o que foi possível incentivar novos negócios na cidade, que também ocorreu com a regulamentação da Lei dos Cervejeiros, a criação do Polo Cervejeiro e da Rota Gastronômica da Região Oceânica. 

A criação de parcerias público-privadas, como a do Mercado Municipal Feliciano Sodré, é outra iniciativa para a abertura de novos postos de trabalho, que também será incentivada com a Lei do Audiovisual, que pretende transformar a cidade em referência do setor. 

Para Mirella Condé, analista sênior do Sebrae, o empreendedor de sucesso tem que entender que ele deve trazer a responsabilidade para si. Enxergar as oportunidades em meio ao contexto de crise é uma habilidade que o torna diferente dos demais.

“Dificilmente alguém vai fazer algo que outra pessoa jamais tenha feito. Até aí isso não se torna um problema. O problema só passa a existir a partir do momento em que você não enxerga oportunidade de fazer diferente. Empreendedorismo com o olhar diferenciado das coisas. É enxergar oportunidades para resolver problemas, seja de desejo do seu cliente ou na criação de algo que ele passe a desejar”, analisou a especialista.

Outro ponto destacado pela profissional consiste em relacionamentos e suas múltiplas formas de criar o diálogo com o seu público-alvo. 

“Empreendedor que não gosta de se relacionar, certamente está fazendo a coisa errada. Ele precisa buscar esse diálogo o tempo todo. Em Niterói, por exemplo, temos o crescimento exponencial do Polo Cervejeiro. Qual a melhor forma de estabelecer esse diálogo? Festivais, polos de degustações, ou seja, quanto mais levar experiência, melhor para o cliente e para o empresário”, orientou.

Outro ponto abordado por Mirella é considerado fundamental para ela: a persistência.

“Sucesso nunca é instantâneo, salvo raras exceções, como os famosos ‘youtubers’ da vida. Então, é preciso ter persistência, paciência e observância do cenário em que o empreendedor está inserido, para então mudar uma estratégia, caso necessário. De todo modo, é persistir, acreditar e investir”, finalizou.

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